Paulo André admite erros no Cruzeiro e revela planos para janela de julho
Diretor de futebol interino do Cruzeiro, Paulo André concedeu entrevista coletiva e esclareceu dúvidas frequentes na torcida celeste
O ex-zagueiro e hoje executivo Paulo André, que assumiu interinamente o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro com a saída de Pedro Martins, que deixou o clube rumo ao Vasco da Gama, concedeu sua primeira entrevista coletiva desde começou a trabalhar na Raposa, desde a chegada da SAF de Ronaldo Nazário à Belo Horizonte.
O papo com os jornalistas aconteceu nessa sexta-feira (26) e diversos assuntos foram citados, entre eles o planejamento e objetivos do clube para a temporada, bastidores da forma com que Martins e o goleiro Rafael deixaram o clube e o papel do ex-volante Elias nas empresas do Fenômeno.
Além disso, Paulo André assumiu erros cometidos pela gestão da SAF no Cruzeiro, algo que torcedores e jornalistas sentiam falta no período em que Pedro Martins chefiava o departamento de futebol da Raposa. Havia um entendimento que internamente o clube celeste vivia “em um conto de fadas”, mesmo que a realidade de resultados e desempenhos da equipe dissessem o contrário.
Erros da diretoria do Cruzeiro
Paulo André admitiu erros gerais no Cruzeiro, mas tocou em especial nas escolhas de treinadores. Segundo ele, a diretoria celeste falhou sistematicamente desde a saída do técnico português Pepa. O dirigente ainda creditou o mau momento da equipe em 2024 à escolha de Nico Larcamón para comandar a Raposa.
— Depois do Pepa, na sequência dos treinadores a gente errou bastante. Errou muito. Tentamos estilos diferentes, maneiras diferentes, por questão de mercado. Acho, opinião pessoal, que a resposta estava em casa desde o dia 1. Queria eu ter votado pelo Seabra pós-Pepa, quando o Seabra fez um jogo contra o Bragantino e foi muito bem. Jogamos bem aquele dia — avaliou Paulo.
— Demos essa volta inteira para ter o Seabra. Esse cara é o cara do nosso projeto. Tem potencial. Precisa ser desenvolvido, ajudado, apoiado no sentido de crescimento, mas a essência do jogo dele tem a ver com o que o Cruzeiro tem que praticar — continuou.
O diretor de futebol interino também entende que existem falhas na comunicação do Cruzeiro para com jornalistas e torcedores e que isso tem atrapalhado o trabalho da diretoria.
— Talvez haja falha de comunicação, no sentido de como a gente traduz o erro ou o fracasso é de tal maneira que a gente coloque. Tivemos quatro treinadores no ano passado. Oscilamos a ponto de correr o risco de cair. Nos juntamos para ter sucesso no fim. Quando a gente olha o objetivo no início do ano, não quer dizer que atingimos e está certo. Em nenhum momento não falamos que erramos. Sem estourar o orçamento, quantos jogadores passaram, saíram, quantos treinadores vieram. A condição de acordo foi dentro das possibilidades — desabafou.
🎙️| RESUMO DA COLETIVA DE PAULO ANDRÉ
Acompanhe por aqui um resumo da coletiva de Paulo André, braço direito de Ronaldo e diretor de futebol interino do Cruzeiro.
📸Gustavo Aleixo/Cruzeiro pic.twitter.com/PVUAgt0i1c
— Maic Costa (@omaiccosta) April 26, 2024
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Janela de transferências do Cruzeiro
Paulo André também foi questionado sobre os planos para a próxima janela de transferências do futebol brasileiro, que se abre no dia 10 de junho. Ele afirmou que as coisas serão feitas com calma, que carências no elenco já foram identificadas e serão atacadas, mas sem estourar o orçamento do clube.
— Temos alguns pontos de atenção, questões claras. Ainda estamos a dois meses da abertura da janela. Teremos paciência para encontrar soluções criativas, que caibam no bolso e consigam nos ajudar a ter mais ferramentas para poder terminar bem o ano, bem mais feliz do que o começo — começou Paulo.
— O que a gente não pode fazer aqui é contar uma mentira para o torcedor, no sentido de gerar uma expectativa que não é real. É um sofrimento nosso, porque é muito difícil comunicar isso todo dia. É chato para caramba. Mas é a realidade. Se a gente tem um orçamento X e a gente vai no mercado ser criativo e inteligente… A gente traz jogador que cabe no bolso — continuou.
Paulo utilizou o Flamengo como exemplo, ressaltando que o Cruzeiro não consegue soluções certeiras pela falta de poder de investimento.
— A gente não vai acertar sempre porque a gente não é o Flamengo que foi lá e comprou o De La Cruz por 15 milhões de euros e pronto. É impossível você errar. A nossa realidade é outra. Das nove contratações, uma só teve transfer (compra de direito econômico). Duas tiveram valores baixos de empréstimos. As outras são soluções criativas. Essa é a realidade do Cruzeiro — apontou.
Ele ainda elencou a aquisição do meia Matheus Pereira como principal prioridade do clube para o meio do ano, apesar de citar entraves.
— Temos como prioridade a aquisição do Matheus Pereira. Tem alguns enroscos aí, mas a gente está caminhando bem. Espero ter um final feliz — contou o agora diretor de futebol.
Chave do clube para treinador
Paulo André ainda explicou uma frase dita pelo seu antecessor, Pedro Martins, sobre o Cruzeiro não querer treinadores “figurões” pela ideia de não entregar “a chave do clube” na mão de um técnico. Alguns torcedores entenderam que a diretoria azul queria um nome que fosse submisso às ideias dos dirigentes, o que foi negado pelo novo diretor de futebol.
— O treinador tem 100% de autonomia nas decisões técnicas, táticas e estratégicas. A gente não se mete. Quando o Pedro Martins falou sobre não dar a chave para o treinador é o seguinte. Tem uma quadra de tênis na Toca II que cada ano virava uma coisa. Era da vontade do treinador. O elenco era montado de acordo com a vontade do treinador. O treinador criava caso para definir a logística de um voo que passava pela cidade dele para ele ficar um dia — estou chutando. Mas era sobre isso que o Pedro estava falando. A gente não acredita em salvador da pátria — esclareceu Paulo André.



