Brasil

Como o Palmeiras encara e se prepara diante das repetitivas declarações de ‘saco cheio’ de Abel Ferreira

Técnico do Palmeiras, líder do Brasileirão, Abel Ferrera tem reiteradas vezes se queixado de diversos aspectos do futebol brasileiro

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, tem sido repetitivo em suas entrevistas coletivas. Não houve uma sessão com jornalistas, desde a eliminação para o Boca Juniors, em 5 de outubro, em que ele não tenha citado dois assuntos: a própria eliminação na semifinal da Copa Libertadores e um cansaço intenso com… bem, aparentemente com tudo que tenha a ver com o futebol do Brasil.

Da arbitragem, ele tem se queixado menos. Em compensação, reclama de calendário, da imprensa, da CBF, das viagens, dos gramados, do intervalo entre os jogos, da Data Fifa, de não poder jogar no Allianz Parque, da Arena Barueri, do estádio pouco cheio, das críticas de alguns torcedores, enfim, a lista é bem extensa.

Após a ótima vitória por 3 a 0 sobre o Internacional, no último sábado (11), que levou o Palmeiras à liderança do Campeonato Brasileiro pela primeira vez em 34 rodadas, Abel disse estar de “saco cheio” e negou-se a afirmar que cumpriria seu contrato com o Palmeiras até o seu fim, em dezembro de 2024.

– Estou (de saco cheio), estou. Depois vamos ver isso – disse o treinador, quando indagado se tamanho descontentamento poderia fazer com que ele não cumprisse seu vínculo com o clube integralmente.

– São muitos jogos seguidos, muita entrevista, muita viagem. Não é isso quero para mim – disse o português.

“Ele se transforma”

Tanta reclamação deveria ser motivo de preocupação para a cúpula do Palmeiras, certo? Mas não é.

– O Abel é assim – é a frase padrão e neutra ouvida do estafe do clube quando algum jornalista indaga sobre o nervosismo do técnico. Normalmente seguida de sorrisos.

Após mais de três anos de relacionamento, os profissionais do clube já deixaram de levar em consideração literal tudo que o português coloca para fora nas entrevistas coletivas – algo que ele deixa bem claro detestar fazer e que, curiosamente, faz com muito mais calma quando o time perde do que quando vence.

Nem mesmo as pessoas próximas a ele acreditam que Abel quer de fato deixar o Palmeiras. Após dois anos de trabalho, Abel enfim trouxe sua família para morar no Brasil, em 2022. Matriculou as filhas em escolas brasileiras e tanto elas quanto Ana, a esposa do treinador, depois de um ano, estão aclimatadas e contentes no país.

Por mais que fale, o treinador também não tem o Brasil em tão baixa conta – em especial o Palmeiras. Abel Ferreira tem condições ótimas de trabalho no Alviverde, um clube que ele, de fato, aprendeu a amar e do qual não tem qualquer interesse de sair por dinheiro – até porque, tem uma excelente remuneração.

– Ele é um cara sensacional no trato pessoal, mas se transforma durante e logo depois dos jogos – disse à Trivela um profissional próximo ao técnico.

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Extensão contratual e reforços

No clube, aliás, uma extensão contratual para o fim de 2027, desejada pela presidente Leila Pereiira, é vista como possível – em especial se o Palmeiras conquistar o Brasileirão neste ano novamente, e se a diretoria cumprir a promessa de reforçar o elenco. Anibal Moreno, por exemplo, está chegando por indicação de Abel.

Na avaliação do clube, a avidez do treinador por conquistas relevantes é um trunfo muito importante para sua permanência no Palmeiras. Dentre as sondagens feitas ao treinador até hoje, nenhum clube representa, em seu país, o que o Palmeiras representa no Brasil.

– Abel precisa sempre ganhar, ele é movido a ser o primeiro em tudo que faz – disse à Trivela uma fonte do departamento de futebol do Palmeiras.

– A gente só precisa entender que esse é o jeito dele, e que ele só quer o melhor – completou a mesma fonte, feliz com a colocação do Palmeiras no campeonato e com o grande trabalho de seu esquentado técnico.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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