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Palmeiras x Santos, uma final de Copa do Brasil que ninguém imaginava

Curioso como o futebol gira em 180 graus rapidinho, tornando perigosa qualquer análise definitiva. Ao final do ano passado, quem perguntasse se a final da Copa do Brasil de 2015 seria entre Palmeiras e Santos receberia um retumbante “não” em resposta. Em que pese a falta de lógica inerente ao mata-mata, não era uma opinião absurda, considerando as dificuldades pelas quais passavam os dois clubes, os mesmos que começam, nesta quarta-feira, às 22h (Brasília), a decidir o segundo mais importante torneio do país.

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Difícil perder de vista que, em 7 de dezembro do ano passado, o Palmeiras empatou com o Atlético Paranaense, em casa, e encerrou sua participação no Campeonato Brasileiro com 40 pontos. Não foi rebaixado apenas porque perdeu o torneio da incompetência para outros quatro clubes e porque o Santos segurou o Vitória no Barradão, com direito a um golzinho de Thiago Ribeiro nos últimos segundos para permitir ao palmeirense o grito final de alívio.

Se a van que partiu em direção à segunda divisão tivesse espaço para mais um passageiro, o convidado de honra seria o Palmeiras. Dorival Júnior, o técnico, cumpriu sua missão de evitar a queda, mas não cumpriu de verdade. Foi demitido, com um aproveitamento de 38% dos pontos, e saiu atirando contra os argentinos que haviam sido contratados pelo seu antecessor Ricardo Gareca. O outrora promissor treinador tinha um trabalho interrompido por maus resultados pela terceira vez seguida.

Aqueles três pontos conquistados contra o Vitória deixaram o Santos em nono lugar, mas a situação além da Imigrantes não era tão boa quanto a posição poderia indicar. As contas estavam jogadas às traças. Devia conta de luz, água e telefone. Tinha dívida até com a floricultura. Naturalmente, também com os jogadores, que ameaçavam deixar o clube na Justiça. O cenário era apocalíptico e os únicos reforços possíveis eram aqueles que não custavam nada. Apostas em jogadores experientes, como Ricardo Oliveira e Elano, e nos menos badalados Marquinhos Gabriel, Valencia e Werley. Reduziu a folha salarial de R$ 9 milhões para R$ 3 milhões em 2015.

Enquanto isso, o Palmeiras fez o caminho inverso. Encontrou dinheiro, aprendeu a contratar jogadores e pegou gosto pelo negócio, a ponto de se aproximar da compulsão. Foram 25 reforços este ano. Dois deles foram retirados do próprio Santos. Aranha e Arouca estavam naquele grupo de atletas que cobravam salários atrasados diante do juiz. O primeiro foi ao Palestra Itália ser reserva de Fernando Prass. O segundo, titular absoluto do meio-campo e cuja falta foi bastante sentida nas últimas semanas. Ao sair da Vila Belmiro, foi pichado da história do Peixe.

O Santos chegou à final do Campeonato Paulista com os gols de Ricardo Oliveira, a mágica de Lucas Lima e os seus garotos dando conta do recado. Os homens de Alexandre Mattos fizeram o Palmeiras mudar de patamar e culminaram na vitória sobre o Corinthians, nos pênaltis, em Itaquera. Consagração ainda maior poderia vir com o título estadual, nada demais hoje em dia, mas importante para um clube que levantou tão poucos troféus neste século. O mesmo alvinegro que limpou a barra do alviverde alguns meses antes negou-lhe essa glória, na disputa de pênaltis.

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É interessante observar o que aconteceu com os dois clubes entre aquela decisão e a que começa nesta quarta-feira. O Palmeiras continuou em um eterno jogo de Tetris tentando encaixar as suas peças abundantes em alguma coletividade, e embora tenha definido mais ou menos um time titular, está longe de praticar um futebol aceitável para o seu nível de investimento. A troca de Oliveiras, de Oswaldo para Marcelo, o bicampeão brasileiro, não surtiu o efeito necessário, e quanto mais tempo o ex-treinador do Cruzeiro tem para trabalhar, a equipe parece piorar. Conseguiu chegar a sua quarta decisão de Copa do Brasil em cinco anos aos trancos e barrancos contra Internacional e Fluminense.

Lembram-se de Dorival Júnior? Pouco mais de seis meses depois de deixar o Palmeiras em baixa, ele aceitou novamente a missão de lutar contra o rebaixamento, como havia feito no Palestra Itália e no Fluminense, dois casos em que a concretizou meramente nos detalhes, futebolísticos e jurídicos. A combinação foi mágica, o resultado foi devastador. Ainda mais na Vila Belmiro. Ganhou 16 partidas seguidas em casa, antes de empatar contra o Flamengo, na última quinta-feira, a primeira vez que Dorival não levou todos os três pontos em casa nessa segunda passagem pela Baixada. Lucas Lima virou jogador de seleção brasileira, Gabriel fez as pazes com as redes. Eliminou o campeão Corinthians e atropelou o São Paulo.

Os destinos dos dois clubes, cheios de títulos nacionais, mas pela primeira vez frente a frente na decisão de um torneio com esse caráter, cruzam-se  novamente nesta quarta-feira. O Santos tem um ligeiro favoritismo, apesar de não estar mais jogando por músico como no começo do mês, porque o Palmeiras ainda precisa abandonar o hábito de jogar mal. O último capítulo dessa história que começou no final do ano passado e terminará com a consagração de apenas um dos times.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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