Números atípicos de Raphael Veiga impressionam e explicam o Palmeiras de 2024
Ataque do Palmeiras não consegue aproveitar a maioria das chances criadas pelo seu seu meia
Líder geral invicto do Campeonato Paulista, o Palmeiras é, por mais um ano, o time a ser batido no Estado de São Paulo. Ainda que não esteja em um nível exuberante, ninguém consegue enfrentá-lo sem fazer um esforço extra.
Os placares do Palmeiras, no entanto, mostram um time econômico no ataque, ainda que seja o melhor do Paulistão –empatado com o São Paulo–, com 20 gols.
Nos 13 jogos da equipe no ano, apenas duas vezes, o time de Abel Ferreira fez mais que dois gols (3 a 2 na Inter de Limeira; 3 a 1 no Mirassol). E só ganhou por mais de um gol de diferença outras duas vezes (Ituano e Portuguesa).
Avaliando-se os números ofensivos do ataque, é bem fácil concordar com Abel Ferreira, que em mais de uma oportunidade, apontou que o grande defeito do Palmeiras é a falta de eficácia.
E talvez nenhum número traduza essa questão como os índices de assistência de Raphael Veiga em 2024. Até o momento, Veiga deu um total de zero passe para gol. Nem mesmo um, que seja. Em compensação, companheiros finalizaram a gol com passes certos dele 21 vezes.
Quando o meia de um time cria 21 oportunidades para os companheiros chutarem, e ninguém consegue fazer um só gol as aproveitando, o problema não está na criação.
Números baixos de acerto
Uma das melhores notícias do Palmeiras na temporada é Flaco López. O despertar do argentino trouxe alento antecipado pela saída de Endrick, além de sete gols, que o colocam na ponta da tabela de artilheiros.
Mas Abel não vive nervoso com o seu atacante à toa. Ninguém acertou mais finalizações (17) e nem tem média melhor por partida (1,5) no campeonato. Mas ninguém também errou tanto: 20 finalizações erradas, índice de 45% de acerto.
Contra o Corinthians, por exemplo, Flaco perdeu três chances claras. A conta foi toda para Weverton e seu recolher de braços, mas, se tivesse sido mais eficaz, López evitaria o empate nos acréscimos.
Veiga (52%) e Rony (53%), por exemplo, tem índices melhores. Mas Eduardo Sasha, do Red Bul Bragantino, por exemplo, tem 73% de acerto em finalizações. Julio Furch, do Santos, 64%.
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Por que Marcos Rocha e Flaco lideram
Por outro lado, Marcos Rocha soma cinco assistências e lidera o índice no campeonato. Além dele, Zé Rafael e Caio Paulista fizeram duas. Mayke, Piquerez, Ríos, Garcia, Luan e até Estêvão tem uma cada.
Tais números também vão ao encontro de uma declaração de Abel após a vitória sobre o Botafogo-SP:
— Quase todos jogam contra o Palmeiras usando uma linha de cinco (defensores). Isso é respeito — disse o português.
Traduzindo, Abel está dizendo que os times optam por aumentar o número de defensores postados na última linha defensiva antes do goleiro.
Com cinco atletas formando esse muro, o Palmeiras não consegue tabelar, tampouco infiltrar bolas pelo corredor central do adversário. O que empurra o time para as laterais do campo.
E aí vem a explicação de porque cinco laterais da equipe já têm assistências no campeonato. E por que Flaco, mesmo desperdiçando tantas chances, ainda soma um número alto de gols na competição.
Forçado a cruzar bola na área, Abel encontrou no argentino de 1,90 m sua peça ideal para aproveitar tantos as bolas altas quanto as que precisam de alguém com boa envergadura para se esticar na hora de alcançar os cruzamentos.
Não por acaso, cinco gols de Flaco foram de cabeça (Ituano, São Bernardo, Portuguesa, Corinthians e Red Bull Bragantino). E os outros dois também vieram de cruzamentos (Santo André e Santos)



