Brasil

Palmeiras bate e WTorre promete troca, mas sem cronograma: Guerra por gramado do Allianz só está começando

O Palmeiras não vai mais jogar em seu estádio até que o gramado seja substituído

O Palmeiras estava decidido a ter o gramado de seu estádio trocado. Depois da vitória sobre o Santos, pelo Campeonato Paulista, o clube alviverde emitiu um comunicado duro, em que ameaça entrar na Justiça pedindo a interdição do Allianz Parque e afirma que não joga mais no local até a troca do gramado sintético.

Horas mais tarde, foi a vez de a WTorre contra-atacar. De acordo com a coluna de Rodrigo Mattos, no UOL, a construtora solicitou à Soccer Grass, fornecedora do piso, que proceda com a substituição.

Ainda de acordo com a coluna, a decisão veio após um laudo da própria Soccer Grass. Inicialmente, tanto a construtora quanto a Soccer Grass batiam o pé para dizer que o gramado tinha dez anos de vida útil. Não teve nem três, no ritmo de uso a que foi submetido.

Ainda não há um cronograma para o serviço. De modo que não se sabe quando o Palmeiras voltará a jogar em casa.

Nesse interim, o Palmeiras vai mandar seus jogos na Arena Barueri. Por nenhuma coincidência, uma empresa criada por Leila Pereira e seu marido Roberto Lammachia tornou-se superficiária do estádio da Grande São Paulo.

Contudo, a ideia de Leila era fechar a Arena Barueri para fazer todas as reformas necessárias. Inclusive substituir o gramado atual por um sintético igual ao usado pelo Palmeiras no Allianz. Com a possibilidade concreta de o Palmeiras jogar em Barueri, todas as obras no local terão de ser interrompidas.

Interdição era instrumento de pressão

Inicialmente, parecia estar em curso uma situação bizarra. Afinal, o Palmeiras estaria pedindo a interdição de sua própria casa. A questão é que uma interdição poderia tirar da arena não apenas os jogos, mas também os shows, que são a grande fonte de renda da WTorre/ Real Arenas.

Também deveria ser fonte de renda para o Palmeiras. Mas como a construtora nunca fez os repasses percentuais pelos ganhos com eventos não-futebolísticos ao clube, isso pesaria pouco, em caso de interdição – ao passo que estrangularia a WTorre.

Ao que parece, a companhia sentiu a pressão.

Jogadores estão temerosos

O elenco do Palmeiras não está se sentindo seguro no Allianz Parque. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, muitos manifestaram preocupação – em especial depois da lesão de Bruno Rodrigues.

Não há como saber se o gramado agravou o problema, que deve tirar o atleta de combate por cerca de quatro meses. Mas só o fato de existir a hipótese, já assustou os jogadores.

Abel Ferreira foi bem explícito ao tratar o tema, em sua entrevista coletiva:

– Quando eu cheguei em 2020, nunca reclamei ou falei nada do sintético. É uma opção válida. Temos que entender que um estádio como este, pode ser mais do que um estádio. Entendo perfeitamente. Mas há uma coisa que se chama manutenção. E não altero uma vírgula do que disse há um mês e meio. Só há uma forma: grama sintética e nova – disse ele.

– Nós precisamos com urgência que troquem o gramado. Que metem outro do mesmo nível que estava quando eu cheguei no Palmeiras. Neste momento, não é só prejudicial aos adversários. É prejudicial para o Palmeiras. Que fique bem claro. Quando o Abel chegou, nunca reclamei. Gramado estava top. O que falta é manutenção – completou.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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