Quanta razão os adversários sempre tiveram ao reclamar do gramado do Palmeiras?
Piso sintético da casa do Palmeiras vem sendo alvo de críticas frequentes - agora também vindas do próprio clube
O Palmeiras vai encarar o Santos neste domingo (28), às 18h, em casa, pelo Campeonato Paulista. Mas o time da Vila Belmiro não é o único vilão na partida de hoje. Solo de tantas conquistas, o gramado do Allianz Parque está na alça de mira.
Na última semana, Bruno Rodrigues teve lesão séria no joelho, jogando no local. No ano passado, foi Dudu quem rompeu ligamentos do joelho na casa alviverde.
Em sua coluna no UOL, Danilo Lavieri mostrou uma foto da chuteira de um jogador do Palmeiras com uma massa de detritos presa aos cravos, após o jogo contra a Inter de Limeira, na última quarta-feira.
Olha a foto que consegui sobre como ficou a chuteira de um jogador do Palmeiras depois de quarta-feira.
Coloquei lá no Instagram, mas trago esse vídeo aqui também. Mas é bom seguir lá, pq não é facil trazer o vídeo para cá. pic.twitter.com/Fd0LsM96cD
— Danilo Lavieri (@danilolavieri) January 27, 2024
Na sexta, foi a vez de o GE publicar uma nota dizendo que acredita-se, no Palmeiras, que o gramado do Allianz tenha agravado a lesão do atacante. O clube não desmentiu a publicação. O que valida a informação veiculada pelo portal.
Quer dizer, então, que as muitas reclamações feitas por adversários, ao longo dos anos, eram justificadas? De fato, o Allianz é um fator de risco para os atletas? Há quanto tempo? Em que grau?
Fogo-amigo
O gramado artificial do Allianz Parque foi motivo de muitas críticas desde sua instalação, em fevereiro de 2020. Mesmo entre os palmeirenses, muitos não se conformavam, e ainda não se conformam, com o time mandando jogos em grama sintética.
Hulk, Fernando Diniz, Sergio Romero, Renato Gaúcho e Dorival Júnior foram apenas alguns dos que tornaram públicas suas críticas em relação ao piso artificial da casa alviverde, nos últimos dois anos.
Mas, no último jogo do Palmeiras em sua casa no ano passado, contra o Fluminense, o pelotão de reclamação teve um reforço de peso, com ninguém menos que Abel Ferreira se juntando ao grupo.
– Gosto deste estádio. Dizem que sou chato, já digo que este gramado tem que ser trocado urgentemente. Não quero saber quem vai pagar. Este gramado não está em condições de jogar futebol. Este gramado é um risco por lesões – disse o português, em 3 de dezembro passado.

– Vejam a quantidade de ‘coisinhas’ que tinham no gramado, a quantidade de bebidas que caem no campo. O gramado tinha dez anos de garantia na Holanda, onde atuam de dez em dez dias. Lá, não tem a poluição daqui, os eventos, infelizmente, não tem garantia de dez anos. Não tem como. Eu avisei – finalizou o técnico.
O duro golpe de Abel no Allianz veio na sequência de uma série de 12 shows no local num intervalo de 24 dias, culminando com uma apresentação de Taylor Swift, cujos fãs usam pulseiras de miçangas e contas, que cairam no gramado – as tais “coisinhas” a que Abel se referiu, antes de pedir para que o piso fosse substituído para essa temporada.
O português não foi nem deve ser atendido. A Soccer Grass, empresa responsável pelo sintético alviverde, sempre atestou que a superfície ainda tem seis anos de vida útil.
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Irresponsabilidade
É fácil imaginar que a mudança de postura do Palmeiras, que sempre defendeu a qualidade de sua superfície de jogo, tem um contexto para além da infraestrutura.
Como se sabe, o clube e a WTorre, que tem a concessão de exploração do estádio por mais 20 anos, em contrapartida por sua reforma, vivem em pé de guerra.
A empresa deve mais de R$ 150 milhões ao Palmeiras em repasses previstos no contrato entre as partes. É devedora confessa e não paga, querendo levar o tema a debate na Arbitragem extrajudicial, que discute outros desacordos. Já o Palmeiras levou a cobrança para a Justiça Cível, que acatou a petição.

O Palmeiras não mudou de postura à toa. A manutenção do piso que só é sintético para viabilizar os diversos shows e eventos que acontecem no local, com arrecadação total para a WTorre, é responsabilidade da construtora. E levar tais declarações a público é uma maneira de pressionar pela substituição.
Mas o que há de verdade quanto aos riscos do Allianz? Se de fato há um incremento no risco de lesões, urge o Palmeiras ser transparente e explicitar o problema. Permitir que jogos sigam acontecendo no local é uma irresponsabilidade com seus atletas e dos adversários, se o clube acreditar mesmo nessa hipótese.



