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Allianz pode ‘voltar para o Palmeiras’? Clube vai receber bolada? Entenda a questão judicial

Em meio à disputa pelo Brasileiro, Palmeiras obtém aceno da Justiça para receber cerca de R$ 150 milhões da WTorre

Wtorre deve e não nega. Mas também não diz como e nem se vai pagar.

A vitória do Palmeiras contra a construtora na Justiça, obtida na quinta-feira (9) ainda é só um passo no sentido de solucionar a questão envolvendo os calotes dados pela construtora no clube, desde julho de 2015.

Abaixo, a Trivela explica o que de fato está acontecendo entre as partes e quais podem ser as consequências para ambos.

O que não muda  é o fato de o estádio continuar sendo a casa do Palmeiras. A CBF confirmou na noite de quinta-feira que o Alviverde vai receber o América no local, conforme a Trivela já adiantara com exclusividade. E O clube ainda acredita que também poderá enfrentar o Fluminense em casa, e não em Barueri.

O que o Palmeiras conquistou na Justiça?

A Justiça determinou que a Real Arenas, braço da construtora que administra o Allianz Parque, apresente garantias idôneas para pagar cerca de R$ 150 milhões que deve ao clube, além de permitir que o a dívida e seu valor fossemm revelados publicamente. A Wtorre vai recorrer da decisão.

Na prática, a decisão significa que a Real Arenas tem que provar que, se for condenada, terá como pagar o que deve ao clube, acrescido de correção monetária cabível. O Palmeiras já pediu bloqueio de bens e ativos da construtora, como salvaguarda.

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A que se deve a dívida?

Os R$ 150 milhões são referentes à falta de repasses ao Palmeiras de percentuais de tudo que o Allianz Parque arrecadou desde junho de 2015 – exceto as bilheterias de jogos, que já são 100% do clube.

O Palmeiras tem direito a percentuais das receitas geradas por tudo que há no Allianz Parque. Do hot dog vendido no dia de jogo ao show da Taylor Swift: de tudo que o Allianz arrecada, o Palmeiras, atualmente, tem direito a 10%.

Pelo contrato, a partir da inauguração, o clube passou a ter direito a 5% de tudo que a WTorre ganhar no estádio. A cada cinco, anos, esse percentual sobe 5%, até chegar a 45% entre o 25º e o 30º e último ano do contrato.

A WTorre pode “perder” o Allianz Parque para o Palmeiras?

Aqui, é importante fazer uma explicação adicional: o Allianz Parque não é da WTorre. O Palmeiras cedeu à empresa o direito de explorar comercialmente a superfície do estádio por 30 anos, mas segue sendo o único dono do estádio. A Wtorre é “superficiária”.

A melhor maneira de explicar o modelo de negócio é compará-lo com estradas. A Rodovia dos Imigrantes não é da Ecovias, tampouco o Sistema Anhanguera-Bandeirantes pertence à CCR Autoban.

Ambas pertencem ao Estado de São Paulo. As duas concessionárias do exemplo são responsáveis pela manutenção das vias, arrecadando o pedágio e repassando uma fatia de seus ganhos ao Palácio dos Bandeirantes. Mas não são donas.

Isso posto, a WTorre pode, sim, perder a concessão.

“A receita em questão é central no negócio entre as partes, não é um ganho adicional. Desse modo, estando comprovado que há um descumprimento de repasses, em última instância, isso pode acontecer”, explicou à Trivela o advogado Fernando Karamm, especializado em questões criminais e contratuais.

“Se estivéssemos falando de uma renda secundária, uma utilização de uma área do estádio sem pagar, ou de valores mais baixos, na casa de R$ 1 milhão anual, não haveria esse risco. Mas a renda em questão é central no acordo entre as partes, e o valor é altamente significativo”, explicou Karamm.

O Palmeiras quer tomar a concessão da WTorre?

Não. Na visão do Palmeiras, se os pagamentos estivessem acontecendo, o funcionamento da parceria estaria próximo do ideal.

Contudo, apesar de nunca ter falado do tema, Leila Pereira pode ter um entendimento diferente. A presidente do Palmeiras recentemente conquistou a concessão da Arena Barueri.

Conhecendo seu ímpeto nos negócios, não seria total surpresa se um dos planos futuros de Leila fosse administrar a arena obtendo sua concessão, tendo o estádio de Barueri como um balão de ensaio. No momento, porém, uma ruptura não está na mesa do Verdão.

Já a WTorre nem cogita deixar de ser superficiária do Allianz. O investimento para a reforma do estádio e do clube social foi enorme, e ainda está longe de ter se pagado.

O que diz a WTorre?

Na quarta-feira, a companhia emitiu nota oficial sobre a questão:

“A Real Arenas esclarece que não foi intimada da decisão. Confirmamos que, quando intimada, a Real Arenas irá interpor os recursos cabíveis. Reforçamos ainda que a questão apresentada aqui foca apenas na necessidade ou não da apresentação de garantias”, diz o comunicado da empresa.

A Wtorre nunca escondeu que tem a dívida, mas discorda de seu montante, alegando não ter recebido repasses devidos a ela pelo Palmeiras também.

Inicialmente, a questão referente aos repasses estava no âmbito da arbitragem entre as partes – uma espécie de mediação sem juiz, na qual Palmeiras e WTorre tentam chegar a um acordo fora da esfera judiciária. A mediação surgiu para esclarecer o ponto relativo à comercialização das cadeiras do estádio.

A companhia afirmou que tinha direito a “negociar” todos os assentos do estádio nos moldes de um programa de sócio-torcedor, com renda revertida a ela e repassada percentualmente ao Palmeiras. Já o Palmeiras entendia que a empresa só tinha direito a 10 mil assentos.

Hoje, o estádio funciona nos moldes do que o Palmeiras entendeu, mas a questão segue em discussão. E a falta de repasses foi tirada desse bolo, além de ter sua exposição pública permitida.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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