Brasil

Mesmo com iminente bicampeonato brasileiro, ‘Fico’ de Abel seria o maior título do Palmeiras na temporada

Se Abel Ferreira escolher por ficar no Palmeiras, provável conquista do Campeonato Brasileiro terá um sabor extra

Os leitores mais carentes de conquistas sentirão raiva só de ler o título deste texto – em especial os botafoguenses. Mas estes leitores podem acreditar: Abel Ferreira é tão importante na história do Palmeiras que tratar seu “Fico” como maior do que o provável bicampeonato brasileiro não é desmerecer em nada o tamanho da façanha.

Em primeiro lugar, porque a continuidade de Abel Ferreira implica na continuidade de um projeto que está perto de levantar seu décimo troféu em três anos – lista que inclui duas Copas Libertadores, está perto de receber um segundo Campeonato Brasileiro e ainda tem uma Copa do Brasil, só para citar os maiores.

Em outras palavras, Abel Ferreira ficar significa o Palmeiras permanecer no trilho que o trouxe até aqui. Em palavras ainda mais claras, se Abel ficar no clube, outros títulos virão. E isso, quem ensinou foi o próprio Abel: “As vitórias só podem ser comemoradas por 24 horas”.

Se o Palmeiras for campeão brasileiro, assim que a última fita dourada da cerimônia de entrega da taça for recolhida do gramado do Mineirão, onde o time pega o Cruzeiro na quarta-feira (6), o palmeirense já vai estar pensando na próxima Libertadores. E com Abel, o palmeirense sabe que só algo fora do comum fará do Alviverde um coadjuvante no torneio.

Como sabe que o time vai jogar para ganhar uma possível Supercopa em cima do São Paulo, campeão da Copa do Brasil. Para levantar o tri-Paulista, para tentar voltar a ganhar a Copa do Brasil, e, com certeza, vai entrar no próximo Brasileirão para defender seu possível título e brigar por um possível tricampeonato.

A permanência do português é a garantia de que o Palmeiras vai preocupar seus adversários e se dedicar em tudo que disputar. De que a diretoria vai levar o futebol e o elenco a sério. De que vai buscar para o time, as melhores condições de trabalho possíveis.

Com ele, o torcedor e a diretoria sabem que o orçamento tão maior do Flamengo não vai ser tão sentido, já que Abel sabe extrair o máximo do time que comanda, a ponto de conseguir neutralizar grande parte do efeito dessa discrepância.

Em resumo, Abel Ferreira por si só é a garantia de que o Palmeiras vai ser o maior possível pelo tempo em que ele estiver no clube.

E isso não vale mais do que qualquer conquista?

Mistério Real

Ninguém que não seja de seu círculo mais íntimo sabe se Abel Ferreira vai cumprir seu último ano de contrato no Palmeiras.

Nos bastidores do Allianz Parque, funcionários do clube, pessoas próximas ao técnico e membros de seu estafe afirmam sob juramento não saber se Abel seguirá no Verdão.

Fontes consultadas pela Trivela em altos escalões da diretoria também estão às cegas. Os jogadores respondem com sinceridade que desconhecem o que vai ser do chefe deles.

Mas há muitas teorias sobre o que ele fará e por quê. A esposa e as filhas, que ele tanto protelou para trazer ao Brasil, estão felizes e completamente adaptadas ao Brasil.

No campo profissional, o cálculo é que o Qatar não oferece a ele o nível de competitividade que ele necessita para trabalhar. Os que partilham dessa teoria entendem que a Arábia Saudita, para citar outro país do Oriente Médio, já faria sentido, por exemplo.

Após a entrevista coletiva, em que Abel disse não ser ingrato e piscou para os jornalistas, quando indagado sobre o tema, a percepção de permanência cresceu.

Isso, aliado ao fato de que o técnico tem participado normalmente do planejamento de 2024, fazem com que a diretoria esteja confiante. Mas como o palmeirense não comemora nada de véspera, o compasso ainda é mesmo de espera.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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