Fica? Abel encerra coletiva após vitória do Palmeiras com piscada e crava: ‘Eu não sou ingrato’
Em coletiva que deixou muitas dúvidas, Abel Ferreira serviu mensagens diferentes sobre permanência no Palmerias e cobrou troca de gramado do Allianz Parque
Abel Ferreira enviou mensagens dúbias durante toda a entrevista coletiva concedida após a vitória sobre o Fluminense (1 a 0), que praticamente garantiu a conquista do bicampeonato brasileiro ao Palmeiras. Como, por exemplo:
– É desfrutar da jornada. Não sei até quando essa viagem vai durar… Eu tenho contrato e tem coisas no contrato que devem ser cumpridas.
Mas, no final, após muita insistência dos repórteres sobre o tema, o técnico encerrou a entrevista com uma frase e um gesto emblemáticos:
– Eu não sou ingrato – disse Abel, antes de dar uma piscada na direção da imprensa, bater com a caneta na mesa e deixar a sala sorrindo.
O fim da sessão contrastou com algumas de suas frases. Em muitos momentos, a clara impressão era de que Abel estava se despedindo.
Como quando disse que não sabia se encontraria outro clube mais organizado em sua trajetória. Ou quando falou de Anderson Barros, dizendo que era o melhor diretor com quem ele já trabalhara.
Fúria contra o gramado
Por outro, Abel falou com fúria do gramado do Allianz Parque, ajeitado às pressas para que a partida contra o Flu pudesse acontecer na casa do Palmeiras – na madrugada de sábado para domingo, o Allianz recebeu o show “Amigos”.
– Gosto desse estádio. E já que dizem que sou exigente… Vocês dizem outra coisa. Chato? Já digo que esse gramado tem que ser trocado urgentemente. Não quero saber quem vai pagar. WTorre, Palmeiras. O gramado não está em condições! É um risco para as lesões. Eu, se estivesse no lugar do Diniz, faria o mesmo. Que deixem como estava quando eu cheguei – bradou.
– Segundo dizem, o gramado tinha 10 anos de garantia. Mas isso na Alemanha e Holanda, onde jogam de 15 em 15 dias. E, desculpe dizer, mas não tem a poluição de São Paulo, não tem os shows, não tem os jogos. Não tem garantia de 10 anos.
Essa não é a declaração de alguém que não vai usufruir do gramado na próxima temporada.
– Atrás de uma exigência (crítica sobre o gramado), tem que vir um elogio. Agradecer à nossa direção e WTorre por encontrar uma solução para nos deixar jogar na nossa casa, aqui é o nosso chiqueiro. Eu só me sinto em casa aqui. Em qualquer outro lado, é como jogar fora.
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Orgulho dos jogadores
Abel também falou muito dos seus atletas, e cheio de elogios. O que, de certo modo, engrandeceu a ideia de despedida.
– Não conseguem criar rótulos a essa equipe, não conseguem só dar um destaque. Essa equipe, se tirar a camisa que vestimos com muito orgulho, vocês sabem quem está jogando. Não conseguem ver o nome. Weverton, Lomba, Fabinho, Zé, Breno, Dudu. Se tirarem a camisa, não sabem quem é. Mas olhando para a forma de jogar sabem que é o Palmeiras. Isso é o que mais me dá orgulho – disse.
E também revelou como foi a conversa com o grupo no sentido de reverter o abatimento com a queda na Libertadores e ajeitar a rota para a provável conquista do Brasileirão.
– Nós temos identidade, nós temos caráter. Essa equipe tem uma história nesse clube – reforçou.
– O importante agora é o jogo de quarta-feira, o mais importante do ano. Queremos carimbar o título, não somos campeões ainda e queremos muito ser.



