Palmeiras: Quando o ‘personagem’ Abel abandona coletivas, é o torcedor quem fica sem saber
Em seis jogos pós-Mundial, Abel abandonou a coletiva em três
O Palmeiras jogou seis partidas desde a volta dos Estados Unidos, onde disputou a Copa do Mundo de Clubes: Mirassol (1 a 1), Fluminense (2 a 1), Atlético-MG (3 a 2), Grêmio (1 a 0), Corinthians (0 a 1) e Vitória (2 a 2).
Dessa meia dúzia de jogos, em três deles o técnico Abel Ferreira abandonou a entrevista coletiva sem se despedir, levantando abruptamente no meio de uma resposta. Aconteceu depois dos jogos contra Mirassol, Corinthians e no domingo (3), contra o Vitória.
Em Salvador, ele levantou após cinco minutos, depois de dizer que a preparação para o Derby da próxima quarta-feira (6) iria começar “agora”. A parte um da resposta, sobre o jogo que acabara há pouco, ele deu sem maiores problemas.
(Segundo informações do clube, havia cinco jornalistas na sala, dos quais dois não fizeram perguntas. Isso explica a brevidade da sessão. A pergunta respondida pela metade, antes de Abel deixar a sala, havia sido sinalizada como sendo a última).
Abel Ferreira não gosta do contato com a imprensa. Exceto pelo período de preparação nos EUA, antes do Mundial, os jornalistas jamais viram seus trabalhos com o time. E, mesmo por lá, em Greensboro, Carolina do Norte, o que mais se viu foi corrida em torno do gramado.
Mas, e parece bizarro que isso precise ser dito, a entrevista coletiva não é apenas para os jornalistas. Até porque, o jornalista que estiver trabalhando certo, não está ali para satisfazer seu ego, mas para trazer respostas ao seu leitor, espectador, ouvinte e ou seguidor.
Abel generaliza os jornalistas
Abel generaliza os jornalistas. Menospreza, na totalidade, o nível de conhecimento tático de todos os profissionais que o interpelam, sem exceção. Mas, se considera que há pouco conhecimento, duas alternativas para além da corriqueira grosseria se apresentam como opções:
- Abrir o treino e mostrar seus hábitos
- Explicar para a imprensa o errado nas análises
Porque se o jornalista especializado em futebol, e especialmente no Palmeiras, os vulgos “setoristas”, não estão qualificados para tratar de questões relativas à parte tática dos jogos — e muitas vezes não estão mesmo –, que dirá os torcedores.
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A coletiva é para os torcedores
A coletiva é o único contato que o torcedor tem com o pensamento de seu técnico. Torcedores que, aliás, foram dormir, talvez até satisfeitos com o empate salvador. Mas sem entender:
- Era mesmo necessário trocar o time inteiro para este jogo?
- Por que o Raphael Veiga jogou como segundo volante? Para um jogador mal fisicamente, não é pior ter que marcar mais?
- Por que Thalys e Flaco López se revezaram como “10” e “9” no jogo?
- Depois desse jogo, você obteve respostas ou pensa em mudanças para o Derby?
- Depois desse jogo, sua avaliação sobre o elenco se altera? Precisa de mais peças?
Mais uma vez, vale a ponderação: Abel só não respondeu uma das cinco perguntas que lhe foram feitas em Salvador. De modo que a falta de respostas também é responsabilidade dos jornalistas que estavam no local.
Quase todos que trabalham no entorno de Abel dizem que ele se transforma em frente às câmeras, que fica sempre nervoso no pós-jogo, devido à sua sanha de vencer e vencer. Ou está eufórico com uma vitória, ou muito puto com uma derrota. Pode explodir em ambos os casos. Mas que, no dia a dia, ele é um cavalheiro.
Abel mesmo já disse que vai para a coletiva encarnando um personagem, para mudar foco, dar recados, rebater críticas feitas por jornalistas que não estão na coletiva. Então, já que é tudo uma encenação, talvez valha a dica em português brasileiro bem direto. Para que ele possa considerar reescrever o roteiro: este personagem já encheu.



