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O Grêmio merece elogios pela maneira como se posicionou contra o preconceito social

Ainda que nem sempre assuma, todo clube de futebol tem o seu papel social. A própria representatividade para a sua torcida possui grande significado na maneira como influencia o seu entorno, da mesma maneira como se insere no cotidiano da região em que seu estádio e sua sede estão localizados. O Grêmio compreende plenamente esta função e, desde setembro de 2015, fomenta isso. Os tricolores lançaram o projeto Comunidade Tri, que busca integrar três bairros carentes nas proximidades da Arena, assim como trabalha para revitalizá-los. Um projeto louvável, em parceria com o poder público e com a iniciativa privada, para que o compromisso dos gremistas com a torcida e com a cidade se cumpra muito além do campo.

Assim, nada mais coerente do que a nota divulgada pelo Grêmio neste final de semana, após os comentários feitos por um cronista de rádio sobre as comunidades ao redor da Arena.  Os tricolores se posicionaram não apenas para defender o seu papel social, como também para combater a discriminação. Postura que merece os devidos elogios, não só pela afirmação como instituição, mas exatamente por ressaltar essa consciência sobre a realidade na qual o clube se insere e pela qual atua.

Abaixo, a nota completa do Grêmio:

Em resposta às repetidas manifestações do cronista Wianey Carlet, que com adjetivações trata todo o entorno da arena como “favela”, alegando que a Arena seria “mal localizada”, o Grêmio FBPA, pelo seu Departamento de Responsabilidade Social, tem a considerar:

1. Grêmio e sua torcida se orgulham e têm carinho pela comunidade que tão bem recebeu os gremistas desde 2012 na região da Arena. Por isso, o Clube está envolvido em processo multidisciplinar público-privado de relacionamento e melhorias para a comunidade que será continuado e duradouro.

2. Manifestações preconceituosas e desinformadas de profissional que integra um veículo de comunicação da importância de uma Rádio Gaúcha merecem a repulsa da coletividade e servirão para motivar ainda mais quem enxerga a nossa COMUNIDADE TRI como uma parceira e não um obstáculo às inúmeras oportunidades ali presentes.

3. A tentativa de relacionar um episódio de violência ao perfil sócio-econômico da vizinhança da Arena decorre de uma visão higienista e preconceituosa de classe com a qual o Grêmio não compartilha.

4. O Grêmio é um clube de massa, de todas as classes, credos e cores. Somos azuis, pretos e brancos.

5. Por fim, o Grêmio reafirma seu compromisso e orgulho de integrar a COMUNIDADE TRI na certeza de que esta sinergia de forças representará ao longo da história, conquistas fora e dentro de campo.

Sobre o ocorrido, a própria Rádio Gaúcha se manifestou de maneira contrária ao radialista. Ainda assim, torcedores do Grêmio organizam um boicote à emissora.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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