Brasil

O efeito Luxemburgo

José Mourinho esteve no Chelsea por três temporadas e mais uns jogos, venceu dois títulos ingleses, e saiu com a sensação de que não fez um trabalho. Ser muito competente e ter dinheiro à vontade para gastar, muitas vezes, traz conseqüências ruins para treinadores e clubes assim. O sucesso absoluto se torna obrigatório e qualquer coisa que não se aproxime disso, naturalmente, passa a idéia de fracasso. Mourinho pagou por isso ao deixar os Blues. E Vanderlei Luxemburgo, na Vila Belmiro, viveu uma sensação idêntica.

Em dois anos de Santos, Luxa foi bicampeão paulista, 22 anos após o título de 1984. Foi quarto colocado em 2006 e vice em 2007, além de ter levado o clube à semifinal da última Libertadores. Ainda assim, e com certa dose de razão, Vanderlei recebe críticas e tem seu desempenho na última passagem pela Vila Belmiro como alvo de críticas. Agora, de volta ao Palmeiras, não será diferente: o clube, a torcida e as contratações feitas brotam a expectativa de títulos.

De cara, Luxemburgo já ofereceu um razoável upgrade ao bom papel que havia feito Caio Júnior em 2007. Escolado em razão do que fez em 2002, o treinador preferiu manter praticamente todo o plantel da última temporada e teve, ainda, alguns bons reforços para encorpar o time. Diego Souza é um legítimo match winner e Alex Mineiro garante algo em torno de 15 gols em um Campeonato Brasileiro, caso não se machuque. Granja pode recuperar o bom futebol de 2005, enquanto Lenny parece uma aposta muito interessante. Sobre Léo Lima, a coluna prefere não opinar.

Praticamente todos os reforços, ao aportarem no Parque Antártica, foram incisivos em destacar a motivação extra em trabalhar com o novo treinador. Além de ser algo que infla o ego do técnico, tal situação reproduz o prestígio que significa ter um Vanderlei Luxemburgo no banco. Vale lembrar que foi sua investida, no ano passado, que fez Kléber Pereira abdicar do Palmeiras e ir ao Santos. Com Diego Souza, a situação foi oposta e clubes como o próprio Santos, além de São Paulo e Grêmio foram desprezados pelo jogador.

Taticamente, Vanderlei também tem mais arrojo que a maioria de seus colegas, e isso é algo que sempre deve se destacar. No vestiário, o treinador venceu o duelo contra o Sertãozinho, por exemplo, ao investir na agudez do futebol do menino William, pouco lembrado por Caio. Leandro, outro motivado, parece afim de jogar muito mais em 2008. Taticamente, em pouco tempo, o Palmeiras já mesclou entre o 4-3-1-2, 4-2-3-1 e 4-2-1-3.

Como a temporada ainda se inicia, é difícil aferir até onde pode ir o Palmeiras com Vanderlei Luxemburgo. Mas é inevitável ligar sua chegada ao desejo de títulos, o que atesta sua competência e faz com que o clube se torne prioridade para muitos jogadores. Com dinheiro para gastar em razão do aporte da Traffic – jovens excelentes como Henrique e Leonardo podem ser confirmados a qualquer momento, o Verdão pode colher bons frutos do efeito Luxa. Mas precisará conter alguns ímpetos do ainda badalado treinador.

De olho em quem vem aí – Parte 3

Fechando a série iniciada na primeira coluna de 2008, apresentamos o que podem esperar, de jogadores vindos da Copa São Paulo, os torcedores dos principais clubes do país. Como o Botafogo não disputa o torneio deste ano, restam onze grandes, em uma série encerrada por aqui.

Grêmio

Eliminado pelo São Paulo nas quartas, o ótimo time gremista, porém, deixa a Vagner Mancini uma série de boas opções para compor o plantel de 2008. Aliás, serão os meninos os responsáveis por segurar a onda do Grêmio neste ano, já que os investimentos foram pouco expressivos. Nomes como o lateral Felipe Mattione, o zagueiro Wagner, o volante Adílson Warken e o meia Itaqui integrarão o elenco onde já são realidades Léo, Marcelo Gröhe, Thiego, Anderson Pico e Willian Magrão – todos formados no Olímpico.

A campanha na Copinha, aliás, deve oferecer ainda mais opções para Mancini. O lateral-direito Thiago é ótimo, Marcus Vinícius é um zagueiro de bom perfil, Rafael Carioca exerce um papel dominante à frente da área, Maylson é um multifuncional no meio e os atacantes Rafael Martins e Jhonatan têm qualidades. Juventude, no time do Grêmio, não deve faltar pelos próximos anos.

Fluminense

A estrutura para formação de atletas no Flu, em comparação a outras do país, destoa positivamente e já trouxe, de 2005 pra cá, nomes como Arouca, Marcelo, Diego Souza, além dos gêmeos Felipe e Rafael – repassados ao Manchester United, e também dos medianos Lenny e Rodrigo Tiuí, entre outros. Na Copa São Paulo, a campanha do tricolor carioca, eliminado nas oitavas, mostrou para Renato Gaúcho que também se deve olhar para a base nas Laranjeiras em 2008.

Daltro foi um dos melhores beques do torneio, enquanto João Paulo é um lateral de altíssima força física e qualidade técnica, capaz de seguir o caminho de Júnior César, Marcelo e Fábio, três ótimos nomes da posição. No meio, destaque para o cerebral Tarta, camisa dez firulento, mas talentoso. À frente, Léo Itaperuna e Alan decepcionaram. Mas, em contrapartida, Maicon se provou um futuro grande centroavante, enquanto Maurício encantou com um futebol absurdamente vertical de passadas largas, técnica e produtividade.

Vasco

Assim como o Corinthians, os vascaínos já subiram seus principais nomes da geração que deveria compor o plantel para a Copa São Paulo. Alan Kardec e Alex Teixeira, titulares no time de Romário, se enquadram dentro disso. Do que restou, destacam-se o lateral Edu e o meia Miguel. Sousa tem qualidades, mas lhe falta um pouco mais de humildade e personalidade para se impor. Ainda assim, este deve se juntar ao plantel do Vasco para 2008.

Palmeiras

Vanderlei Luxemburgo deixou a Vila Belmiro reclamando da qualidade que tinha na base, em uma versão extra-oficial. Pelo que se viu, terá muitos problemas nesse sentido enquanto passar pelo Parque Antártica. A geração comandada por Jorginho Cantinflas é fraquíssima e pouca ou quase nenhuma esperança ficou do time eliminado na primeira rodada de mata-mata.

Dida parece um bom goleiro, mas inferior a Bruno, terceira opção de Luxa. David é um volante de qualidades e Daniel Lovinho, tido como destaque da equipe, é mesmo um bom jogador. Mas talvez fosse banco em qualquer um dos outros três grandes de São Paulo.

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