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O Brasília está a um triz de terminar o ano fora dos torneios nacionais, mas na Sul-Americana

O calendário do futebol brasileiro tem suas particularidades e suas incongruências óbvias. O “planejamento” (bota muitas aspas aí) das federações deixa a maioria dos pequenos à mercê do desemprego na maior parte do ano. E prejudica até mesmo quem deveria atravessar um ano especial, como o Brasília. O Colorado viveu um ano de sonho em 2014, ao bater o Paysandu nos pênaltis, vencer a decisão da Copa Verde e conquistar uma vaga para a Copa Sul-Americana… de 2015. Um ano depois do feito histórico, agora o clube da capital federal corre sérios riscos de terminar o ano apenas no torneio continental, precisando de um milagre na final do Campeonato Brasiliense para ter alguma competição nacional para jogar.

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A final do Candangão começou (inteligentemente) no sábado e contou com um show do Gama. O Mané Garrincha estava cheio de cadeiras vazias, mas mesmo assim recebeu o seu melhor público do ano para o futebol local: 8,3 mil pagantes quase todos empurrando os alviverdes. E o Periquito ficou muito próximo de recuperar o título após 11 anos de jejum, atropelando o Brasília por 3 a 0: Rafael Grampola, Hericles e Daniel anotaram os gols, que permitem o time perder por até dois gols de diferença no reencontro, agendado para o próximo sábado. Resultado que, além da taça, garantirá o Gama na Série D. E deixará o Brasília em uma situação delicada para o segundo semestre.

A sinuca de bico do Colorado foi muito bem lembrada pelos amigos do Impedimento no twitter. Se não reverter a situação na final do Candangão, o Brasília terá o seu calendário a partir de maio limitado à Copa Sul-Americana. Isso mesmo: um time disputando competição continental, mas nenhum nacional. Já tinham passado por algo parecido no último ano, quando foram vice-campeões distritais e ficaram de maio a janeiro deste ano sem jogar partidas oficiais. Além das categorias de base, o clube se limitou a disputar o imbróglio judicial pela final da Copa Verde no  STJD.

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Além disso, eliminado nas quartas de final na Copa Verde de 2015, os alvirrubros se livraram de um aperto ainda maior na Copa do Brasil. Afinal, se passasse até as oitavas, o clube da capital viveria um conflito de datas com a Sul-Americana que, em teoria, não é permitido pela CBF. Para sua “sorte” caiu logo na primeira fase diante do Náutico.

Agora, se o Brasília não reverter mesmo o resultado contra o Gama, terá que atravessar três meses inativo até fazer sua estreia na Copa Sul-Americana, prevista para o final de agosto. O que era para ser uma temporada histórica poderá se reverter em pesadelo, com um elenco inteiro bancado para se preparar à competição continental. Sairá bastante caro. E fica difícil de esperar a sobrevivência sudaca diante de tamanha falta de ritmo. De qualquer maneira, a diretoria promete a montagem de uma equipe forte para a competição.

A solução poderia ser simples: dar ao campeão da Copa Verde a vaga na Copa Sul-Americana do mesmo ano, além de reservar um espaço também na Série D – cujos participantes já são definidos em cima da hora. Mas tudo o que é simples parece não funcionar entre os que regem o futebol brasileiro. E não duvide se o filme se repetir em 2016, caso o Remo conquiste a Copa Verde e continue vivendo o seu caminho errante no Brasileirão. Não dá nem para comemorar muito.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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