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No clima do Super Bowl, Neymar deu uma de kicker e tentou quebrar recorde da NFL

Goste você ou não de futebol americano, é preciso admitir: o principal evento esportivo do final de semana foi a decisão do Super Bowl. A vitória do New England Patriots sobre o Seattle Seahawks movimentou bilhões de dólares e atraiu milhões de espectadores ao redor do mundo. E, de certa maneira, também reverberou entre alguns astros do nosso futebol que também apreciam o esporte da bola oval. Entre eles, Neymar.

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O craque do Barcelona participou de um desafio: qual a distância máxima que ele conseguiria acertar um field goal? Obviamente, a situação de pressão era bem diferente de uma partida na qual você corre o risco de levar pancada de 11 brutamontes adversários. Mesmo assim, com uma bola de futebol, o brasileiro passou perto do recorde da NFL. Acertou um chute de 60 jardas, apenas quatro a menos (cerca de 3,6 metros) da melhor marca, registrada em um estádio onde o ar é rarefeito.

Dúvida maior seria: de quantos metros Adhemar acertaria? Afinal, o antigo craque do São Caetano adora alimentar o folclore de que quase foi parar na liga. Com sua patada, provavelmente se daria melhor do que Neymar.

 

10 ‘boleiros’ notáveis do futebol americano

No embalo do vídeo do Neymar, resgatamos o box de uma matéria que fizemos em 2014. A história de 10 kickers da NFL com passado no “soccer”. Vale lembrar que, nesta temporada, a NFL ainda ganhou a presença de Cairo dos Santos, do Kansas City Chiefs, o primeiro brasileiro da história da competição – que desenvolveu sua habilidade com a bola oval chutando a redonda durante a infância no país:

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Horst Mühlmann
Com passagem pela base do Borussia Dortmund, o alemão era o goleiro titular do Schalke 04 na primeira edição da Bundesliga, em 1963/64. Foram quatro anos nos Azuis Reais, até passar a defender o Spurs Kansas City, da NASL, principal liga de futebol do país até a década de 1980. No ano seguinte, já estava atuando como kicker do Kansas City Chiefs. Sua franquia mais marcante foi o Cincinnati Bengals.

Bobby Howfield
O atacante inglês rodou por diversos clubes medianos de seu país, incluindo Fulham, Watford e Millwall. Já no fim da carreira, atuou por um ano nos Estados Unidos, pela ISL, liga secundária do país. O suficiente para que seu chute forte ficasse famoso e fosse convidado a se juntar à NFL. Teve contrato com a liga por seis anos, de 1968 a 1974, defendendo Denver Broncos e New York Jets.

Toni Fritsch
Nascido na Áustria, o atacante fez carreira no Rapid Viena, pelo qual foi tricampeão nacional. O sucesso no clube o levou à seleção, fazendo história ao marcar dois gols na vitória por 3 a 2 sobre a Inglaterra, em 1965 – depois disso, passou a ser conhecido como Toni Wembley. Técnico do Dallas Cowboys, Tom Landry estava à procura de jogadores com chute forte quando conheceu Fritsch, em 1971. No ano seguinte, faturou o Super Bowl.

Toni Linhart
Linhart seguiu os passos de Fritsch, seu compatriota. O defensor era destaque do Wiener durante a década de 1960 e disputou seis partidas pela seleção – ficando famoso por uma confusão com Dennis Law durante amistoso contra a Escócia. Em 1972, foi convidado a atuar pelo New Orleans Saints, antes de seguir ao Baltimore Colts, que o levou ao Pro Bowl de 1976.

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Matt e Chris Bahr
São filhos de Walter Bahr, meio-campista da seleção americana na Copa de 1950 e autor da assistência para Joe Gaetjens, na histórica vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra. Ambos atuaram na NASL, sendo que Chris foi o ‘Calouro do Ano’ em 1975. Entretanto, os dois optaram pela NFL com poucos anos de futebol. Chris conquistou dois Super Bowls pelos Raiders, enquanto Matt tem um pelos Steelers e outros pelos Giants – quando fez os pontos decisivos.

Tim Mazzetti
Um dos mais brasileiros que já passaram pela NFL, Mazzetti nasceu nos EUA, mas mudou-se para São Paulo aos dois anos. Quase passou pelas categorias de base do Corinthians durante a adolescência, mas preferiu estudar em seu país de origem. Conciliou os dois esportes na universidade e foi draftado pelo Atlanta Falcons, onde jogou por duas temporadas.

Gary Anderson
Lenda da NFL, é considerado um dos melhores kickers das décadas de 1980 e 1990. O sul-africano é filho de um ex-jogador e chegou a mudar-se para a Europa para tentar a carreira no futebol. Depois, migrou para os Estados Unidos, praticando os dois esportes na universidade. No entanto, o talento maior com a bola oval pesou e foi draftado pelo Pittsburg Steelers.

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Martin Gramática
O futebol argentino teve um campeão do Super Bowl em 2003, pelo Tampa Bay Buccaneers. Nascido em Buenos Aires, o torcedor do Boca Juniors fez fama ao celebrar seus field goals como se fossem tentos na Bombonera. Mudou-se aos EUA na infância e, do soccer, migrou para o futebol americano. Maradoniano, vestia a 10 na universidade e disse certa vez que “sonhava em ser uma estrela como El Pibe”. Seus dois irmãos mais novos também são kickers.

Sebastian Janikowski
Dono de um dos chutes mais potentes da história da NFL, o jogador do Oakland Raiders é filho de Henryk Janikowski, ex-futebolista que soma três jogos pela seleção polonesa. Sebastian seguiu seus passos e chegou a ser convocado para Polônia Sub-17. Pouco depois, mudou-se aos EUA. Praticava futebol no colégio, mas não demorou a virar kicker. Em 2000, tornou-se apenas o terceiro de sua posição na história a ser escolhido na primeira rodada do draft.

Observação: O jogador presente em uma Copa que ficou mais próximo de atuar na NFL foi Tony Meola. O folclórico goleiro dos EUA na Copa de 1994 fez testes como kicker do New York Jets logo após o Mundial, mas não foi além disso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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