‘Neymar não foi preparado emocionalmente para perder’
Atacante brasileiro não está na lista de convocados por Carlo Ancelotti para seleção brasileira
A convocação da seleção brasileira sem a presença de Neymar, justificada por Carlo Ancelotti por um pequeno problema físico, rende debate e agitou o Trivela FC, programa semanal no YouTube do site, desta terça-feira (26). Em pauta estavam as atuações do camisa 10 do Santos até aqui em seu retorno, sua capacidade física e se deveria ser chamado pelo treinador italiano.
Tim Vickery, colunista da Trivela, analisou, sem acreditar que o maior craque da geração brasileira deveria estar na lista de convocados, como o jogador de 33 anos tem dificuldades em lidar com as derrotas.
— O talento dele é extraordinário, é um gênio. Se ele ainda tem esse talento no nível mais top, a gente não sabe, é hipotético. Mas a impressão que eu tenho é que ele é uma pessoa que nunca ensinaram como perder. Você tem que perder, faz parte do processo — argumentou.
O jornalista relembrou a derrota na final da Champions League de 2020 para o Bayern de Munique, quando Ney ainda estava no PSG, como um exemplo da dificuldade psicológica do atleta em superar os revezes que fazem parte da vida do jogador de futebol. O choro após o 6 a 0 do Vasco pelo Brasileirão, em 17 de agosto, é outro caso.
— Eu lembro do maior jogo da carreira dele, a final da Champions no PSG — maior partida da carreira porque ele saiu do Barcelona para ganhar a Champions com o time francês. Se ganhasse isso, cumpriria uma grande missão. A partir do momento que o Bayern marcou o único gol do jogo, o jogo de Neymar despencou. Ele não foi mais capaz de fazer as coisas simples. Errou tudo porque emocionalmente ele não foi preparado para perder — disse.
— O choro depois do 6 a 0 do Vasco é totalmente sincero e é mais um exemplo de um cara que não sabe lidar com a derrota — completou.
A pior derrota da carreira de Neymar 😳
— Trivela (@trivela) August 17, 2025
Após o apito final, atacante desabafou, foi abraçado longamente por Fernando Diniz e deixou o gramado chorando copiosamente enquanto a torcida vascaína fazia a festa no Morumbishttps://t.co/HwzkNx31Eq
Ainda sobre as atuações do craque santista desde sua volta ao Brasil, Vickery se mostra preocupado também com a forma que jogador tem sido combativo contra árbitros e adversários, sempre procurando brigas.
— A coisa a se comemorar da volta dele ao Brasil é que ele está jogando. A que mais me decepciona é o comportamento dele dentro de campo. Eu vi ele no Maracanã e qualquer outro jogador teria sido expulso contra o Fluminense. Ele ficou brigando com os adversários e o juiz, até tocando nele. Eu tinha a esperança que depois de tanto tempo fora do país ele ia pensar e refletir no que precisava mudar dentro dele para atingir o potencial dele. Não melhorou em nada.
Neymar poderia ser reserva na Seleção?
Além do emocional, Tim Vickery também mostrou preocupação com a atuação de Neymar no jogo mais intenso que teve até aqui, a vitória do Santos contra o Cruzeiro. Na ocasião, o Peixe venceu por 2 a 1 com gols de Caballero e Guilherme, sem grande atuação do camisa 10.
— Ele tem grande qualidade de passe, não precisa driblar todo mundo. [Mas] o jogo contra o Cruzeiro, intenso, foi preocupante nesse sentido porque ele não apareceu e o Santos ganhou sem precisar dele. Isso mostrou a grande distância que ainda tem.
Segundo o comentarista do Trivela FC, isso é um dos indícios para apontá-lo como reserva da seleção brasileira, caso seja convocado no futuro. Ele usou como paralelo a Argentina, que deixou Lionel Messi no banco em duas oportunidades nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
— Vamos supor que Neymar ainda seja capaz de atingir um nível. Eu vejo ele no banco [da Seleção]. Participei de um debate e muitas pessoas dizendo que “não estamos preparados para ele no banco”. Isso é doente. Teve jogos que Messi ficou no banco na Argentina e só entrou no segundo tempo. Se com Messi isso não é drama ou problema, por que seria com Neymar? — indagou.
— Um dos grandes problemas de Neymar, além dos emocionais, é que a gente fala demais sobre ele e coloca em um patamar que, talvez, é cruel — finalizou.

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