‘Um dos piores dias da vida’: Miguelito quer o título da Copinha para amenizar dor com rebaixamento do Santos
Um dos destaques do Santos na Copinha, Miguelito assistiu o rebaixamento no Campeonato Brasileiro do banco de reservas
Uma das principais promessas do momento das categorias de base do Santos, e uma das maiores esperanças do futebol boliviano, o meio-campista Miguelito tem comandado o sistema ofensivo do Peixe na Copa São Paulo de Futebol Jr., onde o time da Vila Belmiro enfrenta, nesta segunda-feira (15), às 19h15 (horário de Brasília), o Água Santa, pela terceira fase da principal competição de base do Brasil. A partida será disputada na Arena Inamar, em Diadema.
Já à espera do confronto eliminatório, o meia concedeu entrevista exclusiva à Trivela para falar sobre o presente e o futuro. Completamente adaptado ao país e à língua portuguesa, fazendo uso, inclusive, das nossas gírias, o jogador de 19 anos falou sobre os favoritos da competição, amizade e entrosamento com o compatriota Enzo Monteiro, experiência na seleção principal do seu país e a lembrança de ter assistido o rebaixamento do Santos no Campeonato Brasileiro do banco de reservas.
Essa é a sua primeira Copinha, um campeonato muito famoso no Brasil pelas diversas revelações de jogadores que já fez. É realmente uma competição diferente? É a Copa do Mundo da base?
Ah, com certeza. É realmente um dos maiores campeonatos de base que existem e estou muito feliz de poder vestir a camisa do Santos nesta competição. Eu sei que é a porta para um futuro que estou procurando há muito tempo. Então, estou focado para dar o meu melhor dentro de campo pelo Santos e também para tentar construir um futuro melhor para a minha carreira.
Esse Santos está entre os favoritos ao título?
Sim. O Santos é um time grande, time que sempre está disputando títulos, e a gente está trabalhando para conseguir esse troféu. A gente tem dado o nosso melhor para conseguir conquistar esse objetivo. Queremos muito chegar na final da Copinha e voltar para Santos com a taça no ônibus.
Quem são os outros times favoritos, na sua opinião?
Para ser sincero, eu não fico assistindo muitos os jogos dos outros times. Mas pelo que vejo na internet e televisão, acho que Flamengo, Corinthians e o próprio Palmeiras são os outros times favoritos. Eu não ligo muito para isso, fico mais focado no nosso time, nos nossos jogos e naquilo que podemos melhorar para conquistarmos os nossos objetivos.
Qual foi o melhor jogo do Miguelito nesta edição da Copinha até o momento?
Contra o Água Santa. Foi um jogo em que consegui me movimentar bem, fiz gol e dei assistência para ajudar o time.
E você prefere fazer gols ou dar assistências?
Fazer gol (risos)… fazer gol e ir comemorar com a torcida chamando a rapaziada para ir junto. Isso é a melhor coisa que tem, esquece (risos)
Você chegou ao Santos junto com o Enzo. Vocês jogam juntos desde que idade?
A gente chegou junto no Santos quando estávamos com 14 anos, mas a gente joga junto desde os 10 ou 11 anos na Bolívia. Por isso a gente já se conhece bastante. Estamos aproveitando esse entrosamento antigo para ir bem na Copinha.
São os Bolivianos da Vila! ??⚡ pic.twitter.com/ztdmzk5GAf
— Santos FC (@SantosFC) January 14, 2024
Essa amizade e entrosamento tem ajudado mesmo dentro de campo?
Sim, acaba ajudando um pouco. Hoje eu sei quais as principais características dele, sei que ele é um jogador que gosta de estar na área e que sabe se movimentar bem. Então, a gente está aproveitando todas as virtudes dele, que é um dos vice-artilheiros da Copinha.
Uma outra parceria que tem me chamado a atenção é entre você e o Hyan. Vocês realmente se completam no meio-campo? Como é a relação de vocês?
A gente se conhece bem também. Jogamos juntos há cinco anos e nos damos muito bem dentro e fora do campo. Essa amizade que temos ajuda nas partidas. O Hyan tem quase o mesmo estilo de jogo que eu. A gente gosta do jogo ofensivo e estamos cada vez mais entrosados no Santos.
Qual jogador do futebol brasileiro que te inspira?
Eu acho que o Paulo Henrique Ganso. É com ele que me identifico. Fico assistindo muitos vídeos dele na internet e vejo que temos algumas características parecidas.
Você já tem convocações para seleção da Bolívia e já disputou jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo. Isso te deixa mais à vontade para os jogos do sub-20?
Com certeza… ter passado pelas Eliminatórias da Copa Mundo com a seleção da Bolívia tem me ajudado bastante e me deixado mais confiante. Me sinto muito bem na seleção pela recepção que tive da comissão e dos meus companheiros, e fico muito à vontade dentro de campo, onde tento desenvolver meu estilo de jogo para ajudar a nossa seleção.
O seu nome é mais falado no Santos ou na Bolívia?
Eu acho que na Bolívia o meu nome é um pouco mais falado. O fato de eu estar jogando fora da Bolívia mesmo sendo tão novo traz uma expectativa muito grande no meu país. Eles colocam uma pressão a mais à espera de uma seleção forte no futuro.
Essa pressão que colocam te assusta?
É uma situação que tento levar da melhor maneira. Sei que as pessoas falam de mim, e falam porque acreditam no meu potencial. Vou continuar trabalhando ainda mais no Santos para tentar ajudar a Bolívia ainda neste ano durante as Eliminatórias.
Qual o seu maior sonho pela seleção da Bolívia?
Ganhar uma Copa do Mundo. Sei que é difícil, mas é um sonho.
Você entende bem o português e até faz uso das gírias que usamos no Brasil. Como é quando volta para a Bolívia? Os seus amigos entendem ou estranham?
Sim, estanham. Quando eu volto para a Bolívia às vezes sai uma palavra em português e os meus amigos ficam perguntando: ‘O que que você está falando? Está bêbado?’ Mas é legal, porque eu me adaptei muito bem em Santos e no Brasil.
Você estava no banco de reservas do Santos na última rodada do Brasileirão, em que a equipe foi rebaixada. Como foi e o que você lembra daquele dia?
Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Eu estava ali e tive que assistir um dos maiores clubes do mundo ser rebaixado. Foi um momento bem difícil. Bem chocante. Mas tirando de lado a parte negativa, tento pensar pelo lado positivo, que é a possibilidade de neste ano receber mais oportunidades. Então vamos tentar aproveitar ao máximo quando elas aparecerem para deixar o Santos onde ele merece estar.
Como está a sua cabeça para 2024? O Carille estava assistindo ao jogo contra o São Bernardo no estádio. Já aconteceu alguma conversa para você receber finalmente uma sequência nos profissionais?
A diretoria ainda não falou comigo. A única coisa que me pediram foi para ficar focado na Copinha, fazer uma grande campanha aqui e depois pensar no futuro, que são os treinos no profissional para tentar receber algumas chances.
E você está ansioso por essas chances?
Estou com aquela sensação de já querer jogar, de estar dentro de campo para poder fazer aquilo que mais gosto. Sei que isso depende do meu desempenho, então tento ficar bem tranquilo, porque sei que tenho bons companheiros e juntos vamos fazer por merecer as chances.



