Brasileirão Série A

O terror não parou no rebaixamento: tentativas de invasão, bombas e violência marcam a noite do Santos

Torcida do Santos reage com desespero, raiva e violência ao inédito rebaixamento no Campeonato Brasileiro

O Santos está rebaixado no Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história. Acostumada às glórias de Pelé, dos Meninos da Vila e de Neymar, a torcida santista teve, nesta noite de 7 de dezembro, de aprender a conviver com uma dor que nunca haviam sentido. Com esse sentimento, veio a raiva e, com a raiva, a irracionalidade: cenas de filme de terror tomaram conta do entorno da Vila Belmiro após o apito final de Leandro Vuaden e a consolidação da vitória por 2 a 1 do Fortaleza em cima do Peixe.

‘Time sem vergonha' e tentativa de invasão: o que fez a torcida do Santos ao ser rebaixada?

Desespero. Esse foi o primeiro ato da torcida do Santos em relação ao rebaixamento. A bola de Lucero ainda viajava por cima de João Paulo e algumas bombas já podiam ser ouvidas nos entornos da Vila Belmiro. Quando a bola que marcaria o segundo gol do Fortaleza estufou as redes de um dos estádios mais icônicos do mundo, o que se viu foi um mar de choro — de criança a idosos, todos choraram com e pelo Santos.

Raiva. O segundo ato da inconformada torcida santista foi xingar. Os presentes, que fizeram sua parte lotando a Vila Belmiro, não se conformaram. O brado de ‘time sem vergonha' ecoou pelo estádio santista e se misturou com as bombas que explodiam em maior número do lado de fora. Logo a tristeza e a raiva deram lugar à preocupação de como sair do estádio. Mas o pior da noite ainda estaria por vir.

Irracionalidade. Desesperada e raivosa, parte da torcida do Santos tentou invadir o gramado da Vila Belmiro. Não conseguiram por ação da polícia, que quase uma hora após o apito final seguia com bombas de gás lacrimogêneo para tentar invadir. Entre os principais alvos que estavam em campo, jogadores como Marcos Leonardo. Atletas de Santos e de Fortaleza correram para os vestiários e fugiram ilesos, evitando o pior. O alvo então passou a ser o presidente Andrés Rueda.

Camarote de Rueda foi um dos principais alvos

Os torcedores que seguiam, quase uma hora após o jogo, em confronto com a polícia, tinham objetivo claro: Andrés Rueda. Policiais ouvidos pela equipe de reportagem da Trivela afirmaram que bombas de efeito moral estavam sendo lançadas periodicamente para impedir que a torcida chegasse até o camarote do presidente santista ou a algumas de suas saídas.

A noite que nunca vai sair da mente do torcedor santista pelo desempenho pífio em campo, que rendeu uma vergonha inédita, tem mais cenas de filme de terror do que gostaríamos de relatar. Até o momento, ninguém foi ferido.

Carros e ônibus queimados pela torcida do Santos

Logo após o apito final, muita fumaça também foi vista nos entornos da Vila Belmiro. Foi confirmado que ao menos quatro carros e um ônibus foram queimados pela torcida do Santos após a consumação do rebaixamento.

A reportagem da Trivela também constatou diversas calçadas no entorno da Vila Belmiro completamente destruídas por torcedores para que os pedregulhos fossem usados como arma contra a polícia.

Veja o momento em que funcionários apagam fogo de carros no entorno da Vila Belmiro:

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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