Brasil

Corinthians não jogava nada com Mano, mas demissão não será solução

Trocar de treinador é a transferência de responsabilidade favorita dos dirigentes. Boa sorte a quem assumir o Timão, porque vai precisar.

Em meio a uma das maiores crises de sua história o Corinthians vê sua nova administração adotar medida antiga na busca por uma solução: demitir o treinador. No caso, Mano Menezes, que não era o favorito do grupo que venceu a eleição, mas foi mantido e, pior, bancado após a derrota para o Novorizontino pelo Campeonato Paulista. No futebol brasileiro não tem erro: técnico “prestigiado” pode passar no RH.

Sem nenhum padrão na busca por treinadores, o Corinthians tentou todo tipo de perfil nas últimas temporadas e se deu mal. Fala-se agora em Márcio Zanardi, jovem treinador do São Bernardo. Convicção? Nenhuma. O Corinthians foi atrás de Vítor Pereira, um português, porque um português estava dando certo no Palmeiras. Agora vai atrás de um jovem treinador porque há um jovem treinador começando bem no São Paulo.

Trabalho de Mano no Corinthians era péssimo como é a gestão do clube

Mano Menezes fazia um péssimo trabalho no Corinthians, registre-se. Por mais que o time seja tecnicamente fraco em valores individuais, há equipes com menos valores individuais que praticam um futebol coletivamente muito melhor que o corintiano.

A derrota para o Novorizontino foi um show de horrores. Erros técnicos grotescos, falta de sincronia de movimentos e posicionamento defensivo caótico. Por meros 15 minutos, durante a primeira etapa, o Corinthians praticou futebol associado. Fora isso, foi um Deus nos acuda de chutões de zagueiros, passes errados e um bando de jogadores correndo sem direção ou coordenação pelo campo. Falta muito para o Corinthians se aproximar de algo que se possa chamar de time.

As últimas gestões foram desastrosas e a atual começa desastrada.

Novo treinador do Corinthians, seja quem for, terá muito trabalho

Zanardi, se aceitar o convite, estará em busca de uma oportunidade. Talvez a torcida tenha mais paciência com ele do que com Mano, um velho conhecido com seus defeitos e virtudes. 

As dúvidas que ficam sobre o elenco são muitas. A única argumentação justificável de Mano Menezes pode ser a saída de Lucas Veríssimo, o melhor zagueiro que ele tinha à disposição, às vésperas da estreia. Isso desmonta um treinador cujo perfil foi construído com base no futebol defensivo. Mas é onde as coisas se pensam e se resolvem que o Corinthians mais sofre: meio-campo.

Raniele, exposto desnecessariamente por Mano numa entrevista, é o único que se salva no setor. Maycon parece ter esquecido o futebol em algum armário na Rússia. Rojas é uma versão paraguaia do chuta-chuta Bruno César.: pega a bola e cruza ou chuta. Fausto Vera simplesmente não acerta nada do que tenta. Matheus Araújo não pode ser cobrado como solução para problemas que ele não criou. Assim como o time não cria praticamente nada com a bola nos pés.

Não há fórmula mágica. Trabalho em silêncio parece ser a única receita para o momento grave que um dos times mais populares do Brasil enfrenta. Problema criado por péssimas gestões recentes. Pena que a nova pareça estar seguindo a mesma toada.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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