Brasil

Leonardo faz alerta ao Campeonato Brasileiro e afirma: ‘Poderia ser a NBA do futebol’

Ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira disse ver problemas envolvendo a formação dos atletas no Brasil

O Brasil é popularmente conhecido como país do futebol. Com uma seleção pentacampeã mundial, torcida apaixonada e um histórico repleto de craques, o país tem o esporte como símbolo, no entanto, nosso principal torneio nacional, o Brasileirão, é pouco visto em países estrangeiros, fato que o ex-jogador e atual dirigente, Leonardo, lamenta muito.

Em entrevista ao “Charla Podcast”, o dirigente, com passagens por Milan e PSG, defendeu que o Campeonato Brasileiro tinha tudo para ser a “NBA do futebol”, numa referência ao potencial não aproveitado do torneio. No entanto, não é o que acontece, e nossa liga acaba ficando muito restrita ao público local.

Estamos muito fechados no que acontece aqui. É polêmico, mas o futebol brasileiro não é visto em lugar nenhum. Por uma série de motivos, sendo um deles o domínio dos direitos televisivos. Inclusive os direitos televisivos internacionais, que ficaram muito tempo parados. Ninguém trabalhou para que isso acontecesse. Talvez o Brasil seja autossuficiente, mas infelizmente hoje você tem que ser visto, você tem que estar conectado. Então, assim, o futebol brasileiro hoje, ele é muito concentrado aqui. Os jogadores até vão (para a Europa), mas quem observa são os agentes ou quando eles jogam na Seleção — começou o ex-jogador.

— Eu sempre achei que o Brasil é um dos poucos países que têm condições de ser a ‘NBA do futebol’. Porque o Brasil tem dimensão, tem riqueza, tem qualidade, tem estádio, tem tradição, tem formação. As pessoas amam o Brasil, temos uma reputação enorme no mundo, só que nós temos um campeonato, que está fechado aqui — seguiu.

Em 2022, Leonardo, ex-jogador e diretor do PSG quase viabilizou a contratação de Rashford ao clube francês
Leonardo foi jogador de futebol e hoje atua como dirigente Foto: Imago

Formação de jogadores estaria sendo comprometida

Leonardo, que disputou as Copas do Mundo de 1994 e 1998 com a seleção brasileira, também abordou formação de nossos atletas. O ex-jogador do São Paulo alertou para as consequências que a ida precoce de jovens à Europa possui. Para o dirigente, há um risco à identificação dos atletas com o seu país natal e também com a Seleção.

— Hoje a formação dos atletas, na minha opinião, ela é comprometida. Os garotos hoje vão embora. Se você analisar, temos Martinelli, Rafinha, Rodrygo, Vinicius Junior, Endrick… O Estevão, mas ele até que fez um pouquinho mais aqui. O Vinicius Junior, por exemplo, jogou no segundo time do Real Madrid para se formar. Então assim, a formação deles acabou sendo lá — opinou.

— Ele [Vinicius Junior] poderia estar aqui dando um valor ao campeonato nacional até o momento que fosse se transferir, que ele estivesse pronto. Então assim, esses cinco [Martinelli, Rafinha, Rodrygo, Vinicius Junior e Endrick] foram formados fora, sem contar com a não identificação com a própria Seleção. Eu não quero dizer se está certo ou errado, mas eu acho que a gente deveria ter uma atenção e tentar construir algo mais competitivo aqui, porque parece que precisa de uma etapa a mais para o cara se formar — completou.

Leonardo também deu sua opinião sobre Neymar. O craque fez toda a sua formação no Brasil e atraiu os olhares mundiais durante sua primeira passagem pelo Santos, que durou de 2009 até 2013. Mas, para o ex-jogador, o camisa 10 do Peixe só permaneceu por mais tempo em terras brasileiras devido à disputa da Copa do Mundo no país em 2014.

— Ele só ficou mais tempo porque Copa do Mundo no Brasil, então fizeram de tudo para ele ficar aqui. Todo mundo se movimentou para ele ficar. Ele foi embora um pouquinho antes da Copa (para o Barcelona), mas ele ficou mais do que o esperado, porque o Real Madrid queria ter contratado antes — completou.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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