Neymar deve sair do Santos. Aliás, se depender da imprensa espanhola, ele já saiu faz tempo. Tanto tempo que deve ter realizado umas dez partidas nesta temporada e recebido parte do bicho barcelonista pelo título espanhol (e ainda pode arrematar parte do bicho madridista pelo eventual título da Copa do Rei). Mas, dessa vez, parece que vai mesmo. O Santos já deixou de lado o discurso irredutível, a DIS já comunicou que o craque deve mesmo sair e o estafe do jogador fica com sorriso de orelha a orelha quando fala do assunto, ainda que negue oficialmente.
O negócio deve sair não apenas porque as partes querem, mas também porque todos sabem que precisam dele neste momento. E os resultados das semifinais da Liga dos Campeões têm muito a ver com isso. Bom para o Santos e para Neymar.
O clube brasileiro já percebeu que precisa vender o jogador. Negociando neste ano, consegue mais de € 30 milhões. Se esperar mais um ano, Neymar sai de graça. E, nesses 12 meses que restam para seu contrato se encerrar, o craque não vai gerar esse dinheiro ao Peixe. Nem se levar o time ao título brasileiro e, no primeiro semestre do ano que vem, ao tetra da Libertadores (e, pelo modo que a equipe de Muricy tem jogado neste ano, essas duas conquistas parecem improváveis).
No entanto, os milhões da Europa fariam uma boa diferença ao Santos. O clube poderia reforçar seu elenco como um todo e ainda ficar com um troco para algum projeto mais complexo que tenha em mente. Isso tornaria o time mais competitivo do que manter Neymar. Considerando que haverá parada para a Copa das Confederações, o Peixe teria tempo para buscar e integrar esses novos jogadores ao esquema do técnico.
Neymar, porém, já foi um objeto de desejo maior pelos grandes da Europa. As atuações discretas pela Seleção nos Jogos Olímpicos e nos amistosos contra Inglaterra, Itália e Rússia deixaram dúvidas em muitos analistas se ele realmente é um candidato a rival de Messi e Cristiano Ronaldo como melhor do mundo na segunda metade desta década. Além disso, o Santos não teve um grande Brasileirão – muito pelos desfalque e não disputou a Libertadores, o que tirou o jogador das competições de clubes com mais destaque internacional.
Só que o cenário mudou. Entrou um fator novo, que aumentou o poder de barganha do estafe do jogador e de seu clube atual: a Liga dos Campeões. Real Madrid e Barcelona foram eliminados com derrotas contundentes na Alemanha, e a necessidade de saciar a torcida aumentou rapidamente. As duas diretorias precisam mostrar serviço para apaziguar a pressão de torcida e imprensa. E, na tradição de Real e Barça, “mostrar serviço” normalmente significa “contratar um reforço bombástico”. E não falta dinheiro aos dois gigantes espanhóis para fazer isso.
Caso passasse pelo Bayern de Munique, o Barcelona podia perfeitamente alegar ao Santos que já tem um time finalista de Champions e pode esperar mais um ano pelo craque brasileiro. O Real Madrid também. Agora, não. Ambos têm obrigação de responder à torcida rapidamente. E não precisa ser um negociador da divisão antissequestro da Swat para saber que pressa, necessidade de dar satisfação a outros e medo de perder para um rival não resultam em preços baixos.
Isso deve alçar o preço de Neymar, e torna ainda mais apetitosa a ideia da venda imediata. Ainda mais considerando que o desempenho claudicante nos amistosos pela Seleção reforçou a percepção de que experiência europeia será muito útil para o craque brilhar na Copa de 2014. Ou seja, é o melhor momento possível para o Santos faturar alto, para Neymar faturar e ainda ganhar rodagem antes da Copa, para a Seleção ter uma evolução de seu maior craque e para Barcelona (mais provável) ou Real Madrid de saciar a sede de sua torcida.



