Brasil

A guerra de narrativas com a Arena que pode atrasar volta do Grêmio ao estádio

Arena argumenta que pedido de suspensão dos pagamentos do seguro, feito pelo Grêmio, tem potencial para retardar a reforma do estádio

Não bastasse a crítica situação dentro de campo, em que vem de cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro e está na zona de rebaixamento, o Grêmio também vive uma crise fora das quatro linhas.

Na noite de quarta-feira (19), em que o Grêmio perdeu por 1 a 0 para o Fortaleza, no Castelão, a Arena emitiu uma nota oficial informando que a diretoria gremista pediu a suspensão dos pagamentos do seguro da gestora do estádio, e com isso, está atrasando as reformas do local, que foi inundado pelas enchentes em Porto Alegre.

Nos causa enorme perplexidade a decisão do presidente do Grêmio e sua diretoria, pois tem potencial de atrasar por meses o retorno do Grêmio à Arena, com prejuízo imensurável ao futebol. O Grêmio em casa é imbatível, todos os gremistas sabem. E não há qualquer justificativa plausível para tal medida — diz, na nota, Mauro Araújo, presidente da Arena Porto-Alegrense.

Presidente do Grêmio, Alberto Guerra rebate Arena

Após a derrota no Ceará, o presidente do Grêmio, Alberto Guerra, que raramente concede entrevista coletiva depois dos jogos, falou com a imprensa para esclarecer a situação e repassar a versão do clube.

Alberto Guerra, presidente do Grêmio. Foto: João Vitor Rezende/IconSport

Essa terminologia ‘suspensão' é equivocada deliberadamente pela Arena, porque na verdade o que nós pedimos é que esse dinheiro do seguro fosse depositado em uma conta vinculada entre Grêmio e Arena, e que nós pudéssemos auxiliar e fiscalizar a aplicação desses recursos na reforma da Arena o mais rápido possível — explicou Guerra.

Atritos do Grêmio com a Arena perduram há anos

A relação atribulada do Grêmio com a Arena não é novidade. Outros temas, como dificuldade de acesso dos torcedores ao estádio, e gramado em más condições, já geraram polêmicas em outros momentos.

— É uma negociação de 11 anos, que só na minha gestão já estamos há um ano e meio, deve ter umas 60 notificações que o Grêmio fez de vários assuntos em relação à Arena, nenhuma respondida por eles. O Grêmio tem dois conselheiros lá, em cujas assembleias as contas não são prestadas. A gente tem uma série de motivos para ter chegado nesse ponto — justificou Guerra.

Grêmio dificilmente terá Arena à disposição para próximos jogos por copas

Por ora, a Arena não tem previsão para voltar a receber jogos do Grêmio. O presidente classificou como “praticamente impossível” que o estádio esteja pronto para o jogo contra o Operário, no dia 13 de julho, pela terceira fase da Copa do Brasil, e “improvável” para o confronto com o Fluminense, no dia 13 de agosto, pelas oitavas de final da Libertadores.

Confira a nota oficial da Arena Porto-Alegrense

Em plena crise no futebol, o presidente do Grêmio entra com ação cujo efeito pode retardar a entrega do estádio ao time. A pergunta que fica é: quem vai liberar esses valores para a Arena continuar com seu trabalho? Será o Grêmio? Qual o conhecimento técnico que o Grêmio possui para fazer essa liberação? As pessoas mais habilitadas para liberar esses valores são os engenheiros peritos da própria seguradora, em conjunto com os engenheiros da Arena, que já vem trabalhando em comum acordo e tomando todas as ações necessárias para entregar a casa dos tricolores o mais breve possível, questiona Mauro Araújo.

O presidente do Grêmio, Alberto Guerra, juntamente com a diretoria do clube, pediu judicialmente a suspensão dos pagamentos do seguro contratado pela Gestora para a recuperação da Arena do Grêmio. Essa decisão, tomada através de uma tutela cautelar antecedente a um procedimento arbitral, objetiva, conforme argumentação do Grêmio, assegurar que a indenização securitária seja destinada ao reparo dos danos causados pela enchente que atingiu o estádio. No entanto, essa medida, se mantida, pode atrasar em meses o retorno dos jogos do time ao estádio.

Suspender os pagamentos do seguro e depositá-los em juízo coloca em xeque a credibilidade da seguradora Zurich, uma das maiores do mundo, e sua auditoria, bem como a própria Arena Porto-Alegrense, que tem atuado incansavelmente de domingo a domingo para a célere reconstrução do estádio, como tem sido amplamente registrado. De acordo com as leis brasileiras, todo seguro pago deve ser auditado para garantir que os recursos sejam aplicados corretamente para os fins destinados. A Arena Porto-Alegrense, responsável pela administração do estádio, tem seguido rigorosamente esses procedimentos, prestando contas diariamente sobre as ações de reparo realizadas, demonstrando total transparência e compromisso com a recuperação do local.

Os torcedores gremistas têm acompanhado diariamente nas redes sociais e imprensa a evolução dos trabalhos que a Arena vem fazendo para a recuperação da casa da nação tricolor, mesmo antes de receber qualquer pagamento do seguro, utilizando recursos próprios para em nada retardar a retomada de jogos na Arena, desejo da torcida tricolor.

Mauro Araújo, presidente da Arena Porto-Alegrense, comentou sobre a decisão: ‘nos causa enorme perplexidade a decisão do presidente do Grêmio e sua diretoria, pois tem potencial de atrasar por meses o retorno do Grêmio à Arena, com prejuízo imensurável ao futebol. O Grêmio em casa é imbatível, todos os gremistas sabem. E não há qualquer justificativa plausível para tal medida, pois é do nosso total interesse ter a Arena em perfeitas condições o mais rápido possível, para que possamos retomar os jogos, que é a nossa atividade. Estamos absolutamente focados na recuperação da Arena e isso tem sido demonstrado diariamente pela imprensa. Inclusive, até agora utilizamos nossos recursos próprios para iniciar os reparos e estamos prestando contas diariamente do progresso feito. A opção do Presidente Alberto Guerra por impedir a recuperação da Arena não se coaduna com o interesse da torcida. O que está por trás não conseguimos entender. Deveríamos estar trabalhando juntos nesta hora, como toda a comunidade Gaúcha, que está dando um grande exemplo de solidariedade e união”.

O Grupo que controla a Arena Porto-Alegrense administra outras arenas no Brasil com sucesso, demonstrando uma gestão eficiente. Prova disto foi a constituição de um seguro que, diferente de muitos, abarcava expressamente danos por inundação. Esta visão proativa deveria ser enaltecida pelo presidente Alberto Guerra e sua diretoria, ao invés de questionada.

Os gremistas estão ansiosos pelo retorno do estádio, que é um ícone para o clube e seus torcedores. No entanto, a decisão de Alberto Guerra vai atrasar a total restauração da Arena do Grêmio, afetando o cronograma de obras e o uso do estádio.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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