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Como os jogadores do Grêmio retornaram após 15 dias sem treinamentos?

Depois de duas semanas sem treinar por conta das enchentes no Rio Grande do Sul, elenco do Tricolor Gaúcho retomou atividades no CT do Corinthians

Depois de 15 dias sem treinar por conta das enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul, e inundaram a Arena e o CT Luiz Carvalho, em Porto Alegre, o Grêmio retomou as atividades na última sexta-feira (17), no CT Joaquim Grava, do Corinthians, em São Paulo. Ainda sem a presença do técnico Renato Portaluppi, que chegou na segunda-feira (20), os primeiros dias foram voltados para a parte física.

Mesmo sem poder treinar em campo, os atletas não estavam totalmente parados durante as últimas duas semanas. Enquanto não ajudavam as vítimas das enchentes com resgates ou doações, os jogadores realizavam atividades orientados pelo Departamento de Ciência, Saúde e Performance do Grêmio, conforme o local que tinham à disposição.

— A gente procurou ofertar para eles uma gama de treinos, divididos em quatro, de acordo com as possibilidades que eles teriam para treinar. Quem estaria em apartamento, quem estaria em condomínio com acesso à academia, quem estaria em algum acesso restrito, mas tinha uma quadra ou algum local para desempenhar o treino. Foi bem importante, bem legal, eles deram feedback, conversavam com a gente, quem estava executando, quem não estava podendo. Oferecemos alternativas para eles — contou o preparador físico Mário Pereira à Grêmio TV.

— No início dessa parada a gente entendeu que até poderia ser interessante pelo desgaste e pela sequência de jogos que vinhamos tendo. Depois, em um certo momento, quando começou a aumentar o número de dias, começamos a nos preocupar também com a parte física, parte de performance mesmo. No início era necessário mesmo dar um descanso, mas depois começamos a nos precaver vendo esses treinamentos para eles não perderem tanto a performance — acrescentou o auxiliar de preparação física Gabriel Alves.

Aspecto mental dos jogadores também virou preocupação do Grêmio após as enchentes

Além do aspecto físico, outra preocupação da comissão técnica do Grêmio foi com o psicológico de seus jogadores. Afinal, não há quem tenha algum envolvimento com o Rio Grande do Sul que não tenha ficado abalado com a tragédia climática que assolou o estado.

— Um dos problemas foi que afetou a parte mental deles também. Deles e nossa. A gente com entes queridos, família sempre em perigo, alguns sem saber para onde teriam que ir, onde iriam ficar… Isso deixa o atleta muito nervoso. Então isso tudo a gente tem que lidar, conversar bastante — destacou Pereira.

Preparador físico destaca que jogadores voltaram em bom nível

Apesar da brusca e inesperada parada de duas semanas, com impacto para o corpo e para a mente, o preparador físico do Grêmio ressaltou que o processo pelo qual os jogadores passam agora, em São Paulo, não é igual ao de uma pré-temporada. Tampouco, de uma intertemporada.

— Tivemos um período parado, mas não é igual a férias. A gente teve parada de 14 dias, mas eles executando tarefas, o que facilita a volta. Não saímos de um ponto zero. Agora temos que retomar o nível que estávamos antes, é menos complexo e mais rápido. Estamos muito satisfeitos, estão dando uma resposta muito boa. Conseguimos fazer uma mescla dos trabalhos, elevar o nível de carga deles e acho que isso é significativo na progressão do trabalho — frisou Pereira.

Com essa evolução, a expectativa é que o Grêmio chegue forte para a retomada das partidas, que será no dia 29, às 19h, contra o The Strongest, no Couto Pereira, em Curitiba. Válido pela Libertadores, o confronto com os bolivianos é decisivo para o Tricolor Gaúcho, que é o lanterna do Grupo C, com três pontos em três jogos.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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