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‘Se fod…’: auditor relata xingamento de Gabigol durante coleta de urina

Acórdão da suspensão de dois anos de Gabigol, publicado pelo Ge, mostra divergência entre auditores e relato de xingamento do jogador do Flamengo

Em 25 de março, uma votação no Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD) decidiu pela condenação de dois anos do atacante Gabigol, do Flamengo, por tentativa de fraude um exame antidoping. A definição veio por votação de nove auditores e terminou em placar apertado de 5 a 4 em favor da penalização. Quase um mês depois, a decisão dos profissionais do TJD-AD, chamada de acórdão, foi divulgada pelo Ge e, em 42 páginas, mostra como votou cada um, a favor e contra da sanção contra o jogador, com argumentações divergentes.

Chamou atenção o relato do auditor Vinicius Loureiro Morrone, que detalhou como Gabriel Barbosa teria sido agressivo com o Oficial de Controle de Dopagem no momento que tentou enxergar a coleta da urina do jogador.

– Em razão da tentativa de cumprir sua obrigação, o Oficial de Controle de Dopagem buscou formas de visualizar a coleta, momento em que o atleta proferiu as seguintes palavras: “Porra, você quer ver meu p…?”; em seguida, atirou o recipiente, vazio, sobre a pia, deixando o banheiro e se dirigindo à estação de coleta; nesse momento, o atleta mandou todos “se f…”, e disse que iria para um quarto que existe no centro de treinamento – escreveu Morrone, no acórdão.

Vinicius Loureiro Morrone foi um dos cinco auditores que votaram a favor da condenação de Gabi. Todos favoráveis seguiram como base o que o presidente do TJD-AD argumentou, de que o jogador do Rubro-Negro “não deixa dúvidas sobre uma intenção de impedir a coleta e de afetar ou impossibilitar a análise da amostra” por quatro atitudes de desconformidade dos processos de controle de doping.

Dentre os quatro contra a penalização, destacou-se como a vice-presidente do TJD-AD, Selma Fátima Melo Rocha, acusou os coletores da Associação Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) de mentirem em depoimento e apontou contradições. Ela ainda disse que os profissionais tiveram “comportamento malicioso para incriminar o atleta qualquer custo”.

– [Os oficiais da ABCD] Ora afirmam que foram impedidos de escoltar o Atleta, ora negam este fato. Cada DCO imputa ao outro a responsabilidade de escoltar o Atleta ao quarto. O DCO tem a obrigação de acompanhar o Atleta. Era responsabilidade deles, independentemente de qualquer situação apresentada. Ressalta-se que eles sequer tinham número suficiente de DCOs para acompanhar todos os atletas que foram testados naquele dia. Fica evidente, portanto, que eles estão mentindo, devendo o depoimento deles ser totalmente descartado. Vislumbro um comportamento malicioso por parte dos DCOs para incriminar o Atleta a qualquer custo. Mas para ser incriminado, devem ser apresentados fatos gravíssimos, o que não houve no caso em tela. – escreveu Melo.

Até quando é a pena de Gabigol?

A punição de dois anos do atacante leva é considerada a partir de 08 de abril de 2023. Ou seja, ele já cumpriu mais da metade da pena, podendo retornar aos gramados no quarto mês de 2025.

Após a penalização no TJD-AD, a defesa de Gabigol entrou com pedido de efeito suspensivo na Corte Arbitral do Esporte (CAS) no início de abril. Inclusive, em informação confirmada pela Trivela após publicação do Ge, o tribunal com sede na Suíça definiu quem serão os três árbitros que julgarão o jogador.

A previsão é que a definição aconteça entre o fim desse mês e o começo de maio, e a defesa está confiante para obter o efeito suspensivo que permitiria que o atacante vestisse novamente a camisa 10 do Rubro-Negro.

Sem Gabi, o Flamengo joga na noite desta quarta-feira (24) a terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores contra o Bolívar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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