Fluminense perde a chance de decidir o confronto, e o Palmeiras sobrevive
O Fluminense teve em suas mãos a oportunidade de fazer um placar que dificilmente seria revertido no Allianz Parque, semana que vem, mas não conseguiu construir uma vantagem maior do que 2 a 0 em um primeiro tempo que viu apenas um time jogar futebol no Maracanã. Após o intervalo, com as alterações de Marcelo Oliveira e principalmente uma mudança de postura, o Palmeiras conseguiu descontar com Zé Roberto, de pênalti, e marcou o gol fora de casa que o mantém respirando nas semifinais da Copa do Brasil.
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Antes da partida começar de fato, por volta dos 10 minutos do primeiro tempo, Leandro Vuaden aproveitou para fazer as suas atrapalhadas, duas vezes. Primeiro, deu cartão amarelo a Breno Lopes por uma falta cometida por Wellington Silva em Fernando Prass. Apenas alguns lances depois, corrigiu o erro. Em seguida, aprovou o pedido dos capitães das duas equipes para trocar o uniforme porque o cinza do Palmeiras confundia com o tricolor do Fluminense. Um problema que ele poderia ter percebido antes do apito inicial.
Com essas distrações superadas, as deficiências do Palmeiras, as mesmas de sempre, começaram a ficar escancaradas. O ataque não pressionava a saída de bola adversária, o meio-campo também não apertava e todas as bombas explodiam na defesa. Quando a bola era retomada, a transição era sempre feita com chutões e lançamentos ansiosos que permitiam a rápida recuperação do Fluminense. Não havia respiro porque o time paulista trocava poucos passes, principalmente no ataque. Em nenhum momento, o visitante conseguiu controlar o primeiro tempo.
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Isso foi deixando o Fluminense cada vez mais confortável, embora o Palmeiras tenha tido duas boas chances para abrir o placar, com suas jogadas mais fortes. Victor Hugo deu uma puxeta após cobrança de falta que passou perto da trave de Cavalieri; e Allione escapou nas costas de Breno Lopes antes de cruzar para Gabriel Jesus aparecer como um raio para cabecear para fora. Exceção desses dois lances, o jogo se resumiu aos atletas de calção cinza e camisa branca, verde e vermelha perseguindo o Fluminense em campo, principalmente Victor Ramos a Fred.
Em um escanteio, o camisa 9 da seleção brasileira na última Copa do Mundo ficou sozinho dentro da área e cabeceou para linda defesa de Fernando Prass. Mas o rebote caiu nos pés de Marcos Júnior, que estufou as redes e fez 1 a 0 para o time da casa. Alguns segundos depois de levar cartão amarelo por falta no meio-campo, Victor Ramos estava na marcação a Fred, na ponta esquerda, e resolveu fazer a falta justamente no momento em que o atacante estava de costas para o gol e levava a bola em direção à bandeira de escanteio. Correu um sério risco de ser expulso. A cobrança foi realizada em uma jogada ensaiada: rolada para a entrada da área, Gustavo Scarpa pegou de primeira e Gum desviou para as redes.

O Palmeiras teve 37% de posse de bola e trocou apenas 68 passes nos primeiros 45 minutos. Quem mais ficou com a bola dominada foi o goleiro Prass, o que reforça a dificuldade que o time de verde teve para mantê-la nos pés. Praticamente não jogou antes do intervalo e seria natural se o placar estivesse mais dilatado. A única boa notícia para o visitante na etapa inicial foi a saída de Fred, com torções no joelho e no tornozelo, e preocupando para a partida de volta. Mas o Fluminense também não fazia uma grande partida: controlou as ações da partida, não errou muito atrás e esperou os erros do Palmeiras aparecerem. Serviu para fazer 2 a 0. Não serviu para matar o jogo.
Marcelo Oliveira fez duas alterações no intervalo, uma delas a costumeira saída de Andrei Girotto para a entrada de Egídio, colocando Zé Roberto na meia cancha. Ajudou a aprimorar a saída de bola, a armação e a paciência. Também saiu Victor Ramos, amarelado, desesperado e perdido, para a entrada de Jackson, o que deu um pouco mais de segurança para o Palmeiras na defesa, acredite se quiser. A melhora foi ligeira, mas perceptível, e diante do que foi apresentado no primeiro tempo, o visitante parecia uma equipe renovada e confiante.
Como o Fluminense também não estava em uma grande noite, o Palmeiras equilibrou a partida, a príncipio, e em seguida, tornou-se o melhor time em campo. Manteve a inclinação exagerada de buscar os cruzamentos antecipados e acelerar o ataque com lançamentos errados, mas teve o cuidado de trabalhar a bola um pouco melhor. Em uma dessas jogadas, Barrios recebeu de costas para o gol, fora da área, e deu um passe de calcanhar para Zé Roberto, que se infiltrava. Gum encostou levemente no veterano, uma trombada normal de jogo, mas evidentemente Leandro Vuaden discorda de mim: pênalti para o Palmeiras. Zé cobrou com tranquilidade e fez 2 a 1.

O gol foi marcado no primeiro quarto de hora do segundo tempo e praticamente tivemos apenas mais 20 minutos de jogo. Neles, o Palmeiras ainda marcou com Amaral, de cabeça, após cobrança de falta frontal à grande área, mas foi marcado impedimento. O tira teima mostrou mesma linha com o último homem do Fluminense, mas era um lance dificílimo para o auxiliar. O anfitrião teve duas boas chances para ampliar. Aos 31, Marcos Júnior aproveitou a lentidão de Egídio, saiu nas costas do lateral esquerdo, mas esbarrou em Prass, que saiu bem do gol. No finalzinho, Scarpa fez boa jogada pela esquerda e chutou cruzado, rente à trave.
Nos últimos 15 minutos, ninguém quis se arriscar. Consideraram o resultado de bom tamanho para uma noite de futebol. O Fluminense joga no Allianz Parque por um empate. Fica um gosto amargo na boca porque teve diante de si um time batido no primeiro tempo e não soube aproveitar a oportunidade para fazer um placar que decidisse o confronto. O Palmeiras precisa de uma vitória simples por 1 a 0, mas também tem que ter a plena consciência de que precisa jogar muito melhor para consegui-la.



