Brasil

Relembre cinco momentos marcantes de Paulo Henrique Ganso em seus cinco anos no Fluminense

Cinco anos depois, camisa 10 faz história e já pode ser lembrado como Paulo Henrique Ganso, do Fluminense

Paulo Henrique Ganso completa cinco anos de Fluminense nesta quarta-feira (31). Desde a chegada ao Rio de Janeiro até 2024, o camisa 10 passou por altos e baixos, conquistou títulos, se envolveu em polêmicas e voltou a figurar entre os grandes nomes do futebol brasileiro.

A Trivela relembra cinco momentos marcantes da passagem de Ganso pelo Fluminense. O meia teve muitos mais nos 216 jogos em que vestiu a camisa tricolor.

A passagem de Ganso pelo Flu começa em 2019, ainda em tempos de vacas magras e sob a gestão de Pedro Abad. Foi o então presidente que aprovou a contratação do jogador que vivia maus momentos na Europa, por onde não repetiu o mesmo brilho de Santos e São Paulo.

O técnico Fernando Diniz, também em primeira passagem, teve papel fundamental na contratação efetuada pelo diretor de futebol Paulo Angioni, outro fã confesso do “Maestro”. A primeira temporada foi de altos e baixos, e coletivamente, o Flu esteve mal. Os dois anos que se sucederam foram de críticas e banco de reservas, o que só mudaria em 2022, com Abel Braga.

Foi o técnico-ídolo do Fluminense quem apostou em Ganso quando o jogador já era tido como página virada no clube. O camisa 10 foi importantíssimo na conquista do Campeonato Carioca de 2022, e já com Fernando Diniz a partir de maio, teve a melhor temporada após seu retorno ao Brasil, não só pelos nove gols e nove assistências, mas pela recuperação do futebol, do status de titular absoluto e do carinho da torcida.

Ganso é recebido com festa no aeroporto em chegada ao Fluminense

O pequeno Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro, tinha mais de 300 torcedores do Fluminense na noite de domingo, 3 de fevereiro, para receber seu novo camisa 10. Ganso apareceu no saguão já com um uniforme branco que estampava o programa de sócio-torcedor do clube. Ele falou pouco na chegada, já que tinha apresentação oficial agendada para a terça-feira (5), em coletiva de imprensa no Maracanã.

— Quero fazer bem meu trabalho para alegrar essa torcida toda. Essa recepção maravilhosa, só tenho que entrar em campo e fazer o melhor para dar alegrias — resumiu.

O meia, então com 29 anos, estava no Amiens, da França, emprestado pelo Sevilla, e queria voltar ao Brasil. Ele recebeu com felicidade o contato do Fluminense, já com uma ligação de Fernando Diniz — com quem já havia conversado no passado.

Cinco anos depois, bicampeão carioca e campeão da Libertadores, ele cumpriu a promessa.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Primeiro gol de Ganso no Fluminense é de barriga

Ganso não demorou a balançar as redes com a camisa do Fluminense. Foram só três jogos, e a bola na rede chegou em um estilo diferente, mas especial para os tricolores. Bem posicionado no segundo pau, o camisa 10 aproveitou cruzamento e fez um gol de barriga.

 

A torcida, empolgada com seu novo craque, apoiou o jogador em todo o ano, mesmo nos piores momentos na péssima campanha no Campeonato Brasileiro. A relação foi boa até o fim do ano, quando o meia conviveu com algumas vaias.

De lá para cá, Ganso marcou mais 21 gols e deu 24 assistências. Em 2019, foram cinco bolas na rede e apenas um passe para gol.

Nem tudo são flores: Ganso briga com Oswaldo no Fluminense

O ano de 2019 foi irregular para o Fluminense dentro e fora de campo. Pressionado pelas temporadas ruins em sequência, o presidente Pedro Abad adiantou as eleições e deixou o comando do clube, que foi assumido por Mário Bittencourt, vencedor do pleito em parceria com Celso Barros. A campanha no Brasileirão era ruim, e mesmo que o presidente gostasse de Fernando Diniz, ele acabou demitido.

No meio da roda gigante do Flu em 2019, Ganso citou “Tropa de Elite” em uma entrevista após eliminação na Copa do Brasil.

A saída de Diniz mexeu com o principal nome do elenco naquele momento: Paulo Henrique Ganso. O camisa 10 era um jogador talhado ao esquema do treinador, que era um dos motivos para o seu retorno ao Brasil e chegada ao Fluminense. Em seu lugar, o Tricolor contratou Oswaldo de Oliveira. A passagem fugaz teve uma briga com o camisa 10.

Em um empate com o Santos, já em setembro, a placa subiu na beira do gramado do Maracanã e estampou um 10. Ganso deixava o campo quando começou a discutir com Oswaldo. O meia chamou o técnico de burro, e já na área técnica, os dois precisaram ser contidos por funcionários para não chegarem as vias de fato.

Ganso renasce com Abel e ganha primeiro título no Fluminense

O ano de 2022 começou com o Fluminense classificado à Pré-Libertadores. Ganso, contundido desde a eliminação na Libertadores de 2021, voltava aos gramados aos poucos. O Tricolor tinha um velho conhecido como novo técnico: Abel Braga. De início, o camisa 10 seguiu relegado à reserva. Mas ao seu estilo, Abelão conseguiu recuperar o meia.

— Eu não fiz nada pelo Ganso. O que fiz foi simplesmente chegar para ele e falar: “Você está com percentual X, com esse percentual esquece”. Ele tinha vindo das férias, tido lesão no ano passado… Ou vai melhorar muito ou não vai jogar. Ele trabalhou, foi entrando e agora é quase que unanimidade. Ele conseguiu juntar as estações da equipe — opinou o treinador à época.

Depois de virar titular, Ganso deu três assistências e foi um dos grandes nomes de um Fluminense que saiu da fila após 10 anos sem taças. Para o treinador, o meia foi a chave de uma mudança tática que fez o time melhorar.

— A virtude é dele, capacidade dele individual e coletiva, ele se preocupa muito com coletivo. Estou muito contente que a contusão do ano passado ficou problema zero até agora. Desde que começou está trabalhando, percentual hoje está lá embaixo, o que é bom para mim (risos). Todo mundo está muito contente com ele.

Ganso reencontra Diniz e faz melhor ano pelo Fluminense em 2022

Abel Braga deixou o comando da equipe em maio. Para o seu lugar, o Fluminense contratou Fernando Diniz. Ganso não poderia ter ganho um presente melhor. Era visível a alegria do camisa 10 em campo como o Maestro de um time que jogava bonito e encantava o torcedor.

O 2022 não teve mais taças, já que o Flu, eliminado na pré-Libertadores, caiu também na primeira fase da Copa Sul-Americana e ficou nas semifinais da Copa do Brasil e parou no terceiro lugar do Campeonato Brasileiro. Mas individualmente, Ganso teve seu melhor ano com a camisa tricolor.

A temporada foi incrível. Ao todo, nove gols e nove assistências, aproveitamento perfeito da marca do pênalti como batedor oficial, titularidade absoluta e lances plásticos.

— Independente do lado individual, do momento, o mais importante é mantermos a força do grupo como equipe do Fluminense, com mais jogadores, isso é o mais importante — opinou, ao fim do ano, em entrevista à Globo.

Faltava uma grande conquista para coroar a passagem de Ganso no Fluminense, e ela ainda estava por vir.

O maestro de um Fluminense mágico: cinco atos de Ganso em 2023

O ano de 2023 foi mágico para o Fluminense. E de magia, Paulo Henrique Ganso entende. A temporada, embora tenha tido números piores que em 2022, pode ser dividida em outras cinco grandes atuações.

A primeira delas foi contra o Flamengo, na final do Campeonato Carioca. Assim como todo o time, Ganso esteve em um dia iluminado e, com uma elegante sutileza, deixou sua marca com um passe genial para Cano marcar o segundo e igualar o confronto, já que o Rubro-Negro vencera por este placar no jogo de ida. A volta acabou em 4 a 1 e a taça está em Laranjeiras com grande contribuição do Maestro.

O segundo ato foi uma noite histórica no Maracanã. O Fluminense aplicou a maior goleada já sofrida pelo River Plate na Libertadores, e Paulo Henrique Ganso promoveu um recital no 5 a 1 impiedoso do Tricolor.

A terceira partida marcante de Ganso em 2023 também foi contra o arquirrival Flamengo. Com um a menos, o Flu segurou empate no jogo de ida das oitavas da Copa do Brasil, fase em que acabaria eliminado. O camisa 10 se desdobrou, foi o melhor em campo e recebeu um dos maiores aplausos da temporada no Maracanã.

A grande atuação de Ganso em 2023, para muita gente, veio em uma vitória sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo com um a menos por boa parte do jogo, o Flu fez bom jogo em uma noite de gala do camisa 10.

Paulo Henrique Ganso só faltou fazer chover no Mineirão em confronto contra o Cruzeiro - Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC
Paulo Henrique Ganso só faltou fazer chover no Mineirão em confronto contra o Cruzeiro – Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC

Mas a noite mais especial de Paulo Henrique Ganso foi também inesquecível para o Fluminense. O dia 4 de novembro de 2023 marcou o nome do jogador na história do clube para sempre. O Tricolor deu fim à obsessão e conquistou a Libertadores da América — a segunda da carreira do camisa 10, que já vencera com o Santos em 2011.

 

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo