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A lacuna que Ganso deixa no São Paulo não é de títulos, mas de uma qualidade rara

Depois de quase quatro anos de altos e baixos, o fim do ciclo de Paulo Henrique Ganso no São Paulo chegou. E, com ele, a oportunidade do meia esbanjar o que ele tem de sobra em um Sevilla que está em ótimas mãos e fazer seu nome em um mercado muito mais forte e atraente. A falta que ele fará no Morumbi é pela sua característica e pela sua qualidade. Uma lacuna que reflete exatamente como o jogador se despede do clube: como um jogador desejado escolhido a dedo por um dos treinadores mais alta do momento, Jorge Sampaoli.

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Grandiosa. Nenhuma outra palavra melhor descreve a forma como o camisa 10 encerra sua passagem pelo time tricolor. Não que ele tenha feito jus à característica o tempo todo desde que colocou os pés na capital paulista. Se tivesse, muito provavelmente não teria chegado a marca de 221 jogos defendendo as cores do São Paulo. Mas este ano Ganso foi Ganso. Este ano ele fez valer o investimento que o classifica como a sexta contratação mais cara do país, embora não seja a que mais custou no bolso do clube, e isso graças ao que o grupo DIS desembolsou para facilitar o negócio.

Especialmente nas últimas partidas em que atuou, o meia foi aquele que desenharam assim que deixou o Santos, mesmo com as dificuldades pelas quais havia passado no final de sua trajetória na equipe alvinegra. Aquele que colocaram em um patamar muito elevado de forma precoce. Nestes últimos seis meses, Ganso foi, finalmente, com constância, aquele que tanto cobraram. Aquele de quem esperavam mais empenho usando a mística camisa um dia usada por Pedro Rocha, Raí, Gerson, Pita e Leonardo.

Com a chegada de Edgardo Bauza ao Morumbi, muito do que estava apagado no jogador foi restaurado. Tanto a regularidade, quanto o ímpeto por vôos mais altos. Patón o prometeu que contribuiria para que seu desejo de voltar à seleção brasileira se concretizasse, e assim o fez. Mas, logicamente, com muito mais méritos do próprio atleta, que se esforçou intensamente para se tornar peça fundamental na caminhada de sucesso guiada pelo treinador na Libertadores.

Quem costumava assistir às partidas do São Paulo ano passado, deixou de o fazer por um tempo e ligou a televisão em alguns confrontos desta temporada não acreditava que era o mesmo Ganso de anos anteriores em campo. O camisa 10 foi de “morto”,  “ineficiente” e “sem vontade” a responsável por desarmes bastante seguros e excelentes recomposições de bola. Imaginar Ganso gritando “vamos, porra!” enquanto batia no próprio braço depois de dar um carrinho no adversário parecia impossível antes de Bauza. Aliás, o time todo melhorou no quesito defensivo e recuperou o perfil aguerrido. Mas com Ganso a reação foi muito mais intensa. E é por isso que o meia se despede do clube melhor do que como entrou.

O que ele deixa para o São Paulo? Bem, Ganso foi craque, mas passou longe de se tornar ídolo. Não só pela questão de títulos, já que o atleta conquistou apenas a Copa Sul-Americana de 2012 com a camisa tricolor, e, ainda assim, jogando em poucas oportunidades, mas também pela clara falta de identificação com o clube e com a torcida. Mas isso não quer dizer que sua passagem tenha sido insípida nesse sentido. Que a falta de Ganso não será sentida no São Paulo e pelos torcedores. Seu legado, embora não se trate de taças, pode ser definido pela enorme lacuna que ele deixará com sua saída, a qual será muito difícil de ser preenchida.

Depois de quase quatro anos, mais uma vez, a expectativa em relação a Ganso é grande. O meia é o tipo de jogador que não há como torcer contra, individual e profissionalmente falando. Contar com o brilhante armador que é na seleção brasileira seria maravilhoso, e, dependendo de que Ganso ele for no Sevilla, as chances da camisa 10 do Brasil esperar por ele e do resultado ser para lá de bom serão tudo menos remotas.

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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