Brasil

Flamengo: por que a SAF é um assunto tão sensível nos bastidores e na eleição

Rubro-negros aprovaram medida que dificulta a venda do clube carioca a investidores externos

O Conselho Deliberativo aprovou, na última quarta-feira (11), uma mudança no estatuto para dificultar a formação de uma SAF no Flamengo. A medida é compreensível para quem acompanha o clube com afinco, mas vai na contramão de diversas equipes não só do Brasil, como do mundo.

A emenda foi muito celebrada internamente e já era tratada como unanimidade nos bastidores, já que recebeu 217 assinaturas, bem mais do que as 50 necessárias para ser levada ao Conselho. No fim, foram 272 votos a favor e somente dois contra. Um conselheiro se absteve.

Apesar do movimento contrário, o Flamengo já recebeu uma proposta de assessoria financeira, com modelo de negócio e possíveis investidores para uma SAF que viria no horizonte. O presidente Rodolfo Landim, que terminará seu mandato em dezembro, se mostrou a favor do modelo em entrevistas recentes.

O que mudou no estatuto

O caminho de uma possível SAF está mais tortuoso no Flamengo. A mudança faz com que as propostas nem passem mais pelo Conselho Deliberativo e caiam diretamente em um pleito com os sócios do clube. Mais de 60% dos associados precisarão votar, ou seja, quase 4 mil rubro-negros. Desse número, 2.600, ou dois terços, teriam que aprovar. 

É importante frisar, também, que os dirigentes do Flamengo também não poderão se beneficiar da SAF. A nova implementação proíbe quem trabalha no clube de assumir cargo remunerado no modelo por seis anos.

Saf Flamengo
A proposta de mudança do estatuto que dificultou uma SAF no Flamengo (Foto: Reprodução)

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Como seria a SAF do Flamengo

O ambiente do Flamengo é extremamente contra a SAF. Poucos dentro do clube acreditam que o clube tenha a ganhar com a venda de uma porcentagem, mesmo que pequena. Curiosamente, como mencionado, o presidente Rodolfo Landim está entre eles.

— Criar uma empresa que é dona do futebol, e eu faço uma diluição dela a exemplo do que o Bayern fez, que vendeu 25% dessa empresa com aumento de capital. Então, se 75% valem R$ 4,5 bilhões, coloca R$ 1,5 bilhão do lado de cá e fica com 25%. Eu posso vender para três caras como o Bayern fez: um que queira o naming rights, um que queira se associar ao Flamengo por 50 anos pela importância que o Flamengo tem ou por algum aspecto estratégico que possa trazer. E aí eu tenho dinheiro para fazer o estádio — disse, em entrevista ao ge.

A fala de Landim, inclusive, caiu como uma bomba nos bastidores do Flamengo, que, na época, ficou em ebulição com a ideia de uma SAF. Atualmente, o quórum não aprovaria uma medida e a emenda é uma resposta importante também nas eleições.

Tanto que os três candidatos com mais intenções de voto estiveram na sessão do Conselho Deliberativo e foram favoráveis à mudança que dificulta a SAF. Luiz Eduardo Baptista, o BAP, Maurício Gomes de Mattos e Rodrigo Dunshee votaram pela aprovação. 

É importante destacar que BAP, durante o lançamento de sua campanha, na última segunda-feira (09), fez um discurso inteiro contra a implementação de uma SAF no Flamengo. O assunto, que já é sensível, deve ganhar proporções ainda maiores nessa eleição.

Por que a maioria é contra o modelo

As razões pelas quais o Flamengo não quer se tornar uma SAF parecem complicadas, mas são bem simples. Observando o exemplo de clubes brasileiros, os rubro-negros não querem que o institucional precise se vender, a fim de angariar investimentos, seja para o futebol, estádio e até na sede social.

Nem mesmo a medida sugerida por Rodolfo Landim, dentro do modelo do Bayern de Munique, que não tiraria a maior porcentagem das ações do Flamengo, teve coro positivo internamente.

Dunshee quer Landim como CEO do Flamengo em eventual mandato presidencial
Nem Rodrigo Dunshee, principal aliado de Landim, é a favor da implementação de uma SAF no Flamengo (Foto: Icon Sport)

Como o Rubro-Negro é um dos mais ricos da América do Sul e fatura mais de R$ 1 bilhão há pelo menos duas temporadas, os sócios entendem que o clube consegue ser autossuficiente no aspecto financeiro, sem precisa de uma SAF para se reerguer e pagar dívidas.

Ainda que o clube tenha potencial para ser autossustentável por muito tempo, o Flamengo precisará olhar com mais carinho para o modelo de SAF em algum momento. Não é só o que se está fazendo no Brasil, mas no mundo do futebol. A maioria dos gigantes, especialmente da Premier League, já adotou a medida.

As exceções, contudo, podem animar os rubro-negros. O Real Madrid, clube mais vitorioso da Europa, segue como uma agremiação sem fins lucrativos. Por enquanto, esse é o modelo que o Flamengo pretende seguir.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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