Brasil

De coração aberto, Filipe Luís e Rodrigo Caio fazem retrospectiva de anos no Flamengo

Flamengo e torcida se despediram de Filipe Luís e Rodrigo Caio neste domingo (03), depois da vitória para cima do Cuiabá, por 2 a 1, no Maracanã

A vitória contra o Cuiabá não foi importante apenas para o Flamengo manter vivo o sonho da vaga direta na Libertadores, mas, também, serviu para encerrar os ciclos de Rodrigo Caio e Filipe Luís no clube. A dupla não terá o contrato renovado pelo Rubro-Negro e, enquanto o zagueiro procurará nos ares, o lateral está pendurando as chuteiras. Depois do jogo, os dois deixaram as emoções falarem mais alto.

Nesta nota, você encontrará aquilo que Filipe Luís e Rodrigo Caio falaram sobre o fim da passagem pelo Flamengo, um ciclo amplamente vitorioso, de dez e onze títulos, respectivamente. Um de cada vez, a Trivela, que esteve presente no Maracanã, conta essa história.

O que Filipe Luís disse

  • Revelou os planos para ser treinador
  • Fez retrospectiva da despedida e dos anos de Flamengo
  • Agradeceu o apoio da família, amigos e companheiros
  • Se emocionou, viveu e soube aproveitar cada segundo da despedida

A relação de Filipe Luís com o elenco

— Eu fiz amigos verdadeiros. Eu fiz muitos. Não tenho nenhum problema em chamar de amigos. Gabriel ficou do meu lado quatro anos e meio, eu briguei, amei, ele é quem eu mais que convivi. Um mlk de 23 anos. Eu vivi coisas com ele que não vivi e com meus amigos de infância. Quando você participa de um elenco campeão ngm mais esquece. Eu vou encontrar ele daqui a anos. Foi uma bonita história juntos — disse Filipe, em resposta à pergunta da Trivela.

Filipe Luís também comentou sobre os próximos passos na vida, que já estão planejados. Segundo ele, o objetivo é mesmo ser treinador de futebol, e o lateral está estudando para se tornar um. Vale lembrar que ele tem a Licença B da CBF, que permite treinar categorias de base e, em dezembro, inicia o curso da Licença A, que abrange os profissionais.

— Mas o que vem aqui pra frente, eu sou apaixonado por esse esporte, essa é a realidade. Não queria jogar futebol de campo, meu pai me obrigou, mas eu me apaixonei pelo esporte. Eu tenho uma ideia tão clara na minha cabeça e um modelo de jogo, que eu ficar e continuar no campo, então o próximo passo é fazer o curso da CBF, na licença A, em dezembro e apartir daí entrar no mercado de trabalho. Com isso o jagador Filipe Luís ficou pra trás, não vale mais (risos). E como eu não gosto de falar do passsado, vai ficar pra trás e eu vou buscar um novo objetivo: ser treinador de fuitebol. Vou ter que conquistar o respeito de vocês, como treinador e não como jogaor. Isso é um desafio pra mim — disse, antes de concluir:

— Meu estilo é o Flamengo, é só vocês verem como a torcida quer que o Flamengo jogue, é assim que eu quero que meu time jogue. Tenho tudo planajado mas agora é colocar em prática. Como jogador eu conisgo influenciuar e influenciar alguns jogadores, mas como treinador eu não posso entrar lá no campo, então eu não sei se eu vou conseguir convercer, como é o começo, passar por esse momento… Mas vocês podem ter certeza que meu pensamento é esse — finalizou.

Filipe Luís é levantado pelos companheiros após o apito final (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O que Rodrigo Caio disse

  • Confirmou que se entregou de corpo e alma, até quando o corpo não aguentava mais
  • Compreendeu, totalmente, a responsabilidade de vestir a camisa do Flamengo
  • Agradeceu o carinho da torcida
  • Evitou falar sobre o futuro

Rodrigo Caio confirma que sai do Flamengo em paz

— Eu digo que todos os momentos vividos aqui foram intensamente da melhor forma, eu me entreguei de corpo e alma, independentemente das circunstâncias, e eu saio agradecido a Deus pela oportunidade de desfrutar desses momentos. E com o meu coração em paz porque eu entreguei o meu melhor, o máximo que eu pude, em todas as circunstâncias. Eu saio com o meu coração em paz, com a minha cabeça tranquila porque o dever foi cumprido

Rodrigo ainda fez questão de relembrar os momentos difíceis passados no Flamengo, especialmente no quesito lesões. O zagueiro esteve entre os melhores da posição entre 2019 e 2020, mas, a partir da pandemia, não conseguiu mais ter sequência como titular. Independente disso, assim como na resposta acima, ele deixa o Rubro-Negro de cabeça erguida.

— É só agradecer a Deus por ter me capacitado e segurado em todas as circunstâncias. Não foi fácil, foram muitos momentos de dificuldade. Sempre tive muita fé que eu voltaria independente das lesões e das dificuldades. Foram cinco anos especiais, independente de lesões ou desse último anos sem tantas oportunidades. O que fica é o trabalho de muita dedicação e respeito por essa camisa tão grandiosa. Espero que a Nação leve isso com eles para sempre — concluiu.

Assim como Filipe, Rodrigo também foi celebrado pelos companheiros no gramado (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O que a Trivela viu

É inegável que a emoção tomou conta do Maracanã nesta tarde de domingo (03). Filipe Luís e Rodrigo Caio fizeram parte de uma geração muito vitoriosa do Flamengo e ficaram marcados na história, não apenas pelo que fizeram dentro de campo, mas pelo exemplo deixado fora deles. Por isso, as homenagens fizeram tanto sentido no Maracanã.

Claro que o Flamengo, como clube, chegou primeiro e trouxe as taças, ídolos e placas comemorativas, mas a grande festa mesmo foi a da torcida. Foi muito difícil não se emocionar com os mosaicos, em especial o de Filipe Luís, que contava com uma famosa foto dele com o avô, Ivo Stinghen, que era um flamenguista doente. Os registros são impressionantes e coroaram a passagem da dupla da melhor maneira possível.

O Flamengo volta a campo na próxima quarta-feira (06), às 21h30 (de Brasília), para enfrentar o São Paulo, em jogo válido pela 38ª rodada do Brasileirão. O confronto é crucial para o Rubro-Negro, já que pode garantir vaga direta na fase de grupos da Libertadores do ano que vem.

Veja outros pontos abordados na coletiva de Filipe Luís

Sobre a despedida

— Eu sonhei muito com esse dia de hoje, chorei muito essa semana, me emocionei muito esses últimos dias. Recebi mensagens de pessoas que eu nem esperava receber, praticamente todos os treinadores que eu tive, muitos ex-comapnheiros, mas eu não sabia o quê esperar do Maracanã. Ai junta tudo isso ao componente emocinal, já estava até com dor de cabeça e dor de garganta de tanto chorar, isso abala, e tem um jogo importante pra jogar

— Eu foquei muito no jogo de hoje, queria fazer um bom jogo, queria sair com uma vitória, era a coisa mais importante pra mim. Mas aí entro em campo, vejo a foto do meu avô e eu desabo, não tem como. Eu já estou muito emociando, já estou sensível. Vi alguns companheiros chorando, mas aí já foquei no jogo e só posso dizer uma coisa: Estou muito emicionado, mas eu estou em paz.

— É o que mais me emociona (realação com o avô), porque eu sinto saudades dele, era um cara presente. Muito divertido estar com ele, e eu queria muito que ele visse essa homenagem. Mas só de ter meu pai e minha mãe e que eles possam viver isso que eu viv aqui é muito leagal. Mas assim, é tão simbólico essa foto com meu avô, ela tem tanto significado pra mim, meu tio também que me deu a carteira e me fez ser flamenguista, também faleceu. Então sou muito grato mas eu sou um cara que não olha muito pra trás não, sou um cara mais gelado.

O futebol sempre foi uma prioridade

— Minha esposa me fala: o futebol é uma prioridade. E isso é uma veradade, às vezes mesmo antes do que a família. Desde que eu era pequeno, desde que eu me entendo por gente eu jogo futebol. São 35 anos jogando, 20 anos de futebol, é muito tempo e o futebol é um prioridade na nossa vida. Porque um jogador não alcança a glória sem colocar o futebol acima de tudo. E nós jogadores temos uma vida muito boa, mas a gente abre mão de muita coisa.

— Às vezes eu estou longe do crescimento dos meus filhos, da minha esposa, muitas viagens ou até estou em casa, mas não estou, esses é o pior de todos. Porque eu estou em casa mas a minha cabeça não está lá, porque eu fico pensando na próxima partida ou no jogo ruim que fiz, que eu não consigo separar. Eu não consigo chegar em casa, deixar o futebol de lado e brincar com meus filhos, isso me afeta muitas vezes.

Os momento mais marcantes da carreira

— Tem muitos, obviamente que a final da Libertadores de 2019, uma coisa que marcou muita gente. Mas aquilo que eu vivi, de foco e concentração total, foi a semifinal contra o Grêmio (5×0) e o primeiro jogo contra o Inter (2×0). Esse foi meu primeiro jogo na Libertadores e o 5×0 foi o mais especial pra mim.

— O estado que eu sentia antes do jogo era ‘nós vamos amassar’, eu sentia isso nos meus comapnheiros e nós sabiamso que iamos ganhar. Esse estado de espítio, de ânimo sãp poucas vezes na carreira, aconceceu comigo no Atlético (de Madrid), aconteceu aqui no Flamengo mas especialente em 2019, eu sentia que a gente era soberano. ‘Pode até fazer gol mas vamos virar’ não vai ter caos, não vai ter xingamento, eu estava no CT antes do jogo pensando: ‘hoje vai ser 3×0 ou 4×0 ?’, é mais ou menos isso.

A chegada ao Brasil e ao Flamengo

— Bruno (Spindel) e o (Marcos) Braz foram até Madrid, a gente almçou, conversou, resenhou, falamos de ex-jogadores, jogadores atuais, quem eles estavam pensando em contratar, falamos tudo. E realmente eu senti esse carinho, minha esposa falou: ‘O Flamengo te quer, eles estão aqui te buscando’. E sentar 15 minutos com eles é um perigo, porque eles são bons em convencer. Só que eu também seguia os jogadores, eu via os protestos da torcida: ‘os jogadores tem que ter raça’ e tal. E eu não dou carrinho se não precisar. Eu não vou dar carrinho numa bola que está saindo só pra torcida falar que ele tentou até o final. Se eu estou vendo que a bola vai sair eu deixo sair, não vou lá. Então eu não sou esse jogador ‘vistoso’ que a torcida gosta, como um Cuellar por exemplo, e isso me preocupava.

O ano ruim de 2023

— Eu nunca tive um pré temporada tão grande como essa de um mês, na Europa. No máximo duas semanas. Não foi um problema físico, a culpa é nossa (jogadores). O Vitor Pereira chegou só em Janeiro, nós já estavamos treinando. Um treinador novo, que tava no Corinthians, chega aqui tem que se reinventar, com quatro finais, não é facil pra ele. Deu azar na primeira (Mundal contra o Al-Hilal), o grupo já sente, recuperar um grupo que perdeu um final. Porque, assim, na europa você começa a jogar jogos e no final da temporada você joga as finais. O cara começar assim com quatro finais é interesante pra você aprender. Eu aprendei muita coisa com eles (todos os treinadores que passaram aqui), mas na minha opinião como jogador, não teve nada a ver com o tempo de treinamento.

As maiores qualidades como jogador

— A minha maior virtude como jogador de futebol é potencializar os jogadores que estão ao meu lado. Não é o passe, não é o dominio, nada. Eu melhoro quem está ao meu lado. E se eu tiver que fazer o que eu fazia quando estava no Atlético do Madrid, eu jogava com o Arda Turan. Ele era o ponta-esquerda e eu precisava me concetar com ele. O que ele gosta muito ? religião, muçulmano. Eu fiu pra mesquita com ele, eu precisava me concetar com esse cara. Fui pra Turquia e fiz um amizade linda com ele. Se eu não me dou bem com o cara que está ao meu lado, eu nunca vou jogar bem com ele.

— Quando eu cheguei aqui vi Arrascaeta e não me custou nada. Primeiro jogo, viagem pra Bahia, jogo emblemátioc (risos), fui no voo do lado dele e tomei chimarrão com ele. Outro cara Cuellar, não vai me custar nada. Um cara que eu vou ter dificulade: Pablo Mari. E não tive, porque o Pablo era um cara que queria aprender em todo momento, escutava, nunca respondeu.

— Então voltando, como eu faço isso? Eu estudo. Eu estudo o cara que eu vou jogar contra, os caras que estão do meu lado, me vejo jogando, meus vídeos, meus erros. Como eu falei, o futebol é um prioridade, eu tenho que estar sempre melhorando. Eu vejo o Ayton (Lucas) jogar hoje, e eu fiz isso essa semana: vi um jogo meu no Atlético de Madrid de quando eu tinha 27 anos, e eu cometia os mesmos erros. Não tem como você comparar um jogador de 38 anos, com um de 23,24. É como eu falar de matemática com meu filho de 10 anos, eu sei mais que ele, não tem como. São 13 anos à mais de profissional que o Ayrton e ele tem que desenvolver isso, ele vai desenvolver. Ele é um jogador de talente, eu queria contratar ele pro meu time onde eu tivesse, um cara pra desenvolver ele, trabalhar esses erros, o mental, essa parte de tomada de decisão.

Comissão técnica com Rafinha?

— Eu tenho nome de preparadores físicos, axiliares e tem alguns que são caros, então vai depender do que vai acontecer. Primeiro vou fazer o curso e vou tirar férias. Depois vou decidir bem, mas primeiramente, obviamente que eu não vou estar treinando um Bragantino no Paulista, eles não vão me contratar. Eu preciso me preparar, isso é um processo. Eu não sei se eu vou conseguir trabalhar com o Rafinha, eu olho pra ele e começo a rir. Ele é muito gente boa, muito engraçado, eu amo ele. Mas temos que ver se ele vai estar disposto à trabalhar 8 horas por dia. Se ele quiser a porta está aberta, ele Diego Alves, os caras que jogaram comigo. As portas estão abertas, mas tem que trabalhar, etnão tem que ver se eles vão querer pagar o preço ou vão tirar uns dois anos sabáticos e depois vir. O Rafinha sabe muito, seria um privilégio ter ele ao meu lado.

Veja outros pontos abordados na zona mista com Rodrigo Caio

Ciclo encerrado com alegria

— As alegrias superam tudo. Tudo que eu vivi aqui nesses cinco anos foi especial, foi único em todos os sentidos. Não só pelas conquistas, as conquistas são maravilhosas, mas as amizades que eu fiz, o respeito que eu adquiri, não só dos meus companheiros de equipe, mas da instituição e dessa nação imensa. Isso para mim é o que fica

— A minha história aqui dentro foi maravilhosa, independente das dificuldades, que elas estão aí para nos mostrar que nós precisamos ser fortes em todos os sentidos. É difícil, a gente começa a pensar em um monte de coisa. Foram muitos anos, muitas alegrias e muitas coisas maravilhosas, mas o que fica é só o carinho, o respeito a admiração por esse clube gigantesco que eu aprendi a amar. Onde eu estiver eu vou estar torcendo e vibrando pelas vitórias do Flamengo.

A honra e a responsabilidade de representar o Flamengo

— É uma honra muito grande estar aqui. O que eu vivi aqui dentro foi extraordinário e eu nunca imaginei, nunca. Por mais que nos meus melhores sonhos eu pensava em chegar em um clube gigantesco como o Flamengo, conquistar tantos títulos e ter o carinho e o respeito de uma Nação eu não imaginava”, disse, antes de completar:

— Primeiro é saber a responsabilidade que é vestir essa camisa. Temos grandes jogadores, um elenco muito qualificado e em 2024 com certeza virão jogadores com muita qualidade. A mensagem que eu deixo é que eles estejam cada vez mais unidos. Para vencer e conquistar é preciso ter um grupo muito forte, unido e focado somente no que eles têm que fazer

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
Botão Voltar ao topo