Ciente da burocracia, Flamengo se movimenta para tirar estádio próprio do papel
Presidente do Flamengo nomeia dirigente com bom trânsito entre políticos para tratar do assunto de maneira exclusiva
Mesmo com a concessão do Maracanã, que deve ser renovada novamente em outubro, a diretoria do Flamengo nunca escondeu o sonho de ter um estádio próprio. Nos últimos dois anos, o Flamengo se movimentou nos bastidores, mas encontrou muita burocracia para tirar o projeto do papel, especialmente na questão do local. Nesta semana, contudo, o planejamento avançou.
A gestão do presidente Rodolfo Landim, que anteriormente tentou aproximação com o Governo Bolsonaro para viabilizar a construção, está otimista que conseguirá no Governo Lula. O mandatário, inclusive, já nomeou um membro de sua diretoria para tratar exclusivamente desses assuntos, embora o nome ainda não tenha sido revelado. Se tudo der certo, o projeto deve começar a sair do papel em três anos.
O imbróglio do terreno
Inicialmente, o Flamengo tinha outros locais sendo especulados para a construção do estádio, como um terreno em Deodoro e o Parque Olímpico, localizado na Barra da Tijuca, mas nenhum teve o apelo do Gasômetro. Por lá, os rubro-negros teriam acesso à diversos meios de transporte, além da proximidade com vias expressas, bastante próximo da perfeição, em resumo. No entanto, nem tudo são rosas.

A diretoria enfrentava grande dificuldade para avançar nas negociações com a Caixa Econômica Federal, detentora do terreno. Por se tratar de um órgão público, as tratativas tinham que passar pela política, algo que, no Brasil, é considerado um teste de paciência, além de lidar com a Vinci Partners, consultoria privada contratada para viabilizar o projeto. Por isso, as conversas esfriaram desde o ano passado e estavam estacionadas.
O otimismo aumentou para o Flamengo graças às mudanças que serão realizadas no comando da Caixa Econômica Federal. Os cargos mais altos do banco estatal estão em negociação com o Centrão, e existe a promessa que os novos mandatários acelerem o processo. As licitações a serem emitidas por Governo e Prefeitura do Rio estão em estágio avançado.
A Trivela apurou que esse nome apontado por Landim, ainda não revelado, trabalha incessantemente nos bastidores para viabilizar o projeto. A pessoa foi escolhida a dedo pelo mandatário, que o vê com bom trânsito entre políticos.
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Os planos do Flamengo
Sendo no Gasômetro, o Flamengo espera que o projeto comece a sair do papel, com a compra do terreno e viabilização de licitações, mais para o fim do Governo Lula, ou seja, no fim de 2025 ou início de 2026. O clube prepara um aporte superior a R$ 2 bilhões, com uma carta na manga: a venda do Naming Rights do novo estádio. Essa é só mais uma maneira do Flamengo arrecadar.
A partir do momento em que a construção começar, são esperados mais de dois anos para que esteja tudo pronto. Landim, inclusive, já comentou sobre alguns modelos para o novo estádio, como o Signal Iduna Park, local onde joga o Borussia Dortmund, da Alemanha. A ideia é fazer uma arena com capacidade superior a 60 mil torcedores do Flamengo.
— Nenhum presidente deste clube pode pensar pequeno. Borussia Dortmund. Lá tem a muralha amarela, o torcedor fica em cima. O estádio tem que ser grande. Não podemos pensar pequeno. O terreno foi encontrado, mas é um problema porque não é nosso — disse, em fevereiro.
E o Maracanã?
Ainda que seja uma solução considerada positiva pela ampla maioria, ainda existe uma ala da diretoria do Flamengo que prefere o Maracanã. A verdade é que sempre se falou em um estádio próprio para o clube, mas o projeto jamais saiu do papel. Com essa possibilidade, algumas figuras entendem que o local deve ser construída em capacidade reduzida, para que os jogos de maior apelo sejam realizados no Mário Filho.

Uma dessas figuras é Zico, maior ídolo da história do Flamengo que, nesta quarta-feira (13), comentou que prefere um estádio para 40 mil torcedores.
— Eu acho que o Flamengo deveria ter um estádio seu, de menor capacidade, 30, 35 mil para esse tipo de jogos e aí sim cobrar mais caro em algumas situações para ter menos público e mais renda e, lógico, ter o Maracanã para as grandes situações — analisou, em entrevista ao portal GOAL.
Até lá, a diretoria rubro-negra ainda terá bastante tempo para pensar no projeto e alinhar as melhores ideias. Por enquanto, o Maracanã segue como a casa do clube e, neste domingo (17), retorna depois de 20 dias fechado para melhoras no gramado, justamente na final da Copa do Brasil. O jogo entre Flamengo e São Paulo será realizado às 16h (de Brasília).



