Brasil

‘Com a tecnologia de hoje, Ronaldo teria alongado a carreira e não teria sofrido tanto como sofreu’

Fisioterapeuta relembra tensão para recuperação do craque antes da Copa do Mundo de 2002

O Brasil embarcou para a Copa do Mundo de 2026 após uma convocação com ausência de jogadores devido a lesões. Foi o caso de Rodrygo, Estêvão e Éder Militão.

Neymar foi para o Mundial, mas deve desfalcar a Canarinha na partida de estreia contra Marrocos, devido a uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita.

Historicamente, a seleção brasileira viveu momentos de tensão, com jogadores importantes que se lesionaram antes da Copa. Como foi o caso de Ronaldo, após passar por um dos momentos mais dramáticos da sua carreira ao sofrer uma ruptura total do tendão patelar do joelho direito, nos anos 2000.

Em entrevista ao “Charla Podcast”, o fisioterapeuta Nilton Petrone, conhecido como “Filé”, que trabalhou nos tratamentos das lesões de Ronaldo, explicou como a fisioterapia preventiva para lesões alinhada com a tecnologia atual poderiam ter diminuindo as dores e prolongar a carreira do Fenômeno.

— O que se sabe de tecnologia hoje? Sim, teria alongado e não teria sofrido tanto como sofreu. Quando ele faz a segunda cirurgia, que o joelho explode, a patela foi parar no meio da coxa. Ele operou, foi uma cirurgia grande demais, passou quase oito dias no hospital — afirmou.

Entre questionamentos se conseguiria retornar ao futebol e o drama com a proximidade da Copa, Fenômeno viveu um processo doloroso de recuperação, que resultou em mais de 15 meses de inatividade.

Ronaldo deixa campo após lesão grave na  patela do joelho direito, em partida contra a Lazio (Foto:  Aldo Liverani / Icon Sport)
Ronaldo deixa campo após lesão grave na patela do joelho direito, em partida contra a Lazio (Foto: Aldo Liverani / Icon Sport)

— [Foram] mais de 90 fios de nylon passando naquele joelho porque ele é obrigado a reinserir de novo o tendão patelar na patela. Só que, como é que você faz se aquele tecido praticamente já se perdeu? Ele fraturou aquilo que a gente chama de ápice da patela. Fez quatro buracos e passava tendão, fio de nylon, tendão, fio de nylon […] Por isso que no final [da carreira] ele sente tantas dores e aí desiste de jogar — explicou.

O processo de recuperação não foi simples, envolvendo diferentes narrativas e abordagens para o tratamento da lesão, passando por médicos renomados de Estados Unidos e França, além do acompanhamento do próprio Filé.

— Em uma reunião que fomos, eu, o presidente da Inter [Massimo Moratti], o assessor de imprensa e os médicos o Dr. [Piero] Volpi e o Dr. [Gérard] Saillant. Naquela reunião ele disse: olha, voltar a jogar futebol talvez, voltar a jogar em alto nível, muito difícil. Então assim, a gente tinha um problema: não existia praticamente nenhum protocolo. O Saillant tinha operado o Paulo Futre com o mesmo problema, e o Futre não conseguiu voltar. A gente não tinha um caminho — relembrou.

Em entrevista ao jornal “La Repubblica”, em 2025, Volpi também reforçou como “foi doloroso para nós também lidar com a lesão do campeão brasileiro. Hoje, campeões como ele ou Van Basten teriam tido carreiras mais longas”.

Recuperação “milagrosa” traçou roteiro histórico de Ronaldo no penta

Entre as incertezas se Ronaldo conseguiria estar 100% recuperado para o Mundial de 2002, após o histórico de lesões, o técnico Luiz Felipe Scolari decidiu levar o craque, que já contava ao seu lado com com um Rivaldo no auge e um Ronaldinho em ascensão.

Naquela edição do torneio, que o fez protagonista na campanha do penta, o camisa 9 marcou logo na estreia do Brasil na vitória sobre a Turquia. Começo que fez com que toda a campanha do jogador fluísse em uma das maiores histórias de redenção do futebol.

Ainda naquela Copa, o Fenômeno encerrou a participação na competição com o pentacampeonato e a artilharia isolada do torneio, com 8 gols.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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