Brasil

100 vezes Felipe Melo: relembre momentos marcantes do jogador no Fluminense

Líder do elenco e absoluto na conquista da Libertadores, zagueiro se torna ídolo do clube do coração e alcança marca expressiva aos 40 anos

Felipe Melo completou 100 jogos pelo Fluminense na vitória sobre o Sampaio Corrêa, por 2 a 0, pela Copa do Brasil. O veterano de 40 anos chegou ao Tricolor em 2022 e participou de uma mudança de mentalidade no clube que culminou em grandes conquistas. Antes ocupando o posto sem faixa, o zagueiro agora é capitão da equipe e comemorou a marca em entrevista coletiva após o jogo no Maracanã.

— Não vou me aposentar (risos) — brincou Felipe Melo antes mesmo das perguntas.

— Orgulho define o momento que estou vivendo agora. Completar 100 jogos com o Fluminense perto dos 41 anos é motivo de muito orgulho e gratidão a Deus. Tudo que a gente tem vivido. Conquistas, choros, alegrias, em um clube que somos apaixonados, que é o Fluminense — afirmou.

Em sua chegada, Felipe Melo prometeu títulos — e cumpriu

Felipe Melo foi apresentado no Fluminense ainda no fim de 2021. Como já contou em diversas oportunidades, o jogador tinha um acerto com o Internacional, mas entraves nos últimos detalhes impediram a negociação. O Flu estava interessado, e o coração falou mais alto. De família tricolor, o zagueiro de 41 anos já disse que torcia para o clube na infância e, embora seja profissional, voltou a fazê-lo ao ser contratado.

— Eu chego aqui para brigar por Campeonato Brasileiro, Campeonato Carioca, Copa do Brasil, Libertadores… Porque o Fluminense é gigante e todo clube gigante, o mínimo que tem que fazer é brigar por esses títulos — afirmou Felipe Melo.

Felipe Melo foi apresentado no Fluminense com a camisa 52, em alusão ao título mundial conquistado em 1952 - Foto: Mailson Santana/Fluminense FC
Felipe Melo foi apresentado no Fluminense com a camisa 52, em alusão ao título mundial conquistado em 1952 – Foto: Mailson Santana/Fluminense FC

Na coletiva que comemorava seus 100 jogos, o veterano relembrou que algumas pessoas o ironizaram à época.

— Quando eu cheguei, na coletiva e na apresentação, os jornalistas estavam online por conta da pandemia, não era presencial. Eu falei que vinha para o Fluminense para construir uma história de brigar por todos os títulos, eu lembro do sorriso de canto nos rostos de alguns jornalistas, sabe? Eu aprendi, ao longo da minha vida, que sonhar é grátis, e o primeiro passo é sonhar, né? Tem pessoas que sonham pequeno, tem pessoas que sonham grande, e depois é correr atrás — disse.

 

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Desde 2022, Felipe Melo conquistou dois Campeonatos Cariocas, a Libertadores e a Recopa Sul-Americana pelo Fluminense. Em todas, levantou a taça como um dos capitães.

Decisões e provocações contra o Flamengo

Felipe Melo e sua família torcem para o Fluminense, mas o jogador começou sua carreira pelo Flamengo, com quem também criou identificação e relação de carinho. Até voltar ao Brasil. Como ídolo do Palmeiras e do Flu, ele não perdeu a oportunidade de provocar o rival.

Em seu primeiro Fla-Flu, pelo Carioca de 2022, Felipe chamou o meia Diego Ribas de “meu vice”, em alusão ao título da Libertadores do ano anterior, quando o Palmeiras bateu o Flamengo na decisão. O Fla acabaria vice mais uma vez naquele campeonato.

No ano seguinte, o Fluminense venceu o Flamengo por 4 a 1 e conquistou o bicampeonato carioca, ambos sobre o arquirrival. A goleada virou motivo de mais provocação de Felipe Melo, que citou “Amor de Chocolate”, música do funkeiro Naldo, em entrevista após o título.

Ao ser expulso em confronto pela Copa do Brasil, em 2023, o jogador saiu de campo ironizando a torcida rubro-negra. As vaias do lado norte do Maracanã foram respondidas com gestos de taças e o número 4, ainda em lembrança da decisão estadual.

— Vocês são todos meus vices — disse Felipe Melo ao deixar o campo.

 

Felipe Melo invade campo e comemora gol do filho pelo Flu

Outro episódio marcante de Felipe Melo no Fluminense envolve seus filhos. Dois deles, Davi e Luke, jogam pelas divisões de base do clube, em Xerém. Mais velho, o primeiro está no sub-20 e já treinou algumas vezes com o pai no CT Carlos Castilho.

Na final da Copa Rio sub-20, em 2023, Felipe não conteve a emoção e invadiu até o gramado para comemorar o gol de Davi sobre o Botafogo. O Flu já havia goleado no jogo de ida, fora de casa, e empatava por 0 a 0 na volta até que, aos 45 minutos do segundo tempo, Davi Melo aproveitou rebote para balançar as redes e sacramentar o título tricolor.

A emoção na conquista da Libertadores pelo Fluminense

Felipe Melo se emocionou antes mesmo da jogo em que o Fluminense conquistou a Libertadores - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Felipe Melo se emocionou antes mesmo do jogo em que o Fluminense conquistou a Libertadores – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Titular absoluto do Fluminense que conquistou a Libertadores em 2023, Felipe Melo viveu um 4 de novembro especial. Assim como aconteceu em outros momentos, o zagueiro chorou já no hino nacional, antes mesmo do jogo. Mas após o tão sonhado título, ficou difícil conter as lágrimas.

— O meu pai está ali, minha mãe, meus filhos e minha esposa. Eu prometi para eles que eu seria campeão da Libertadores com o Fluminense. Eu sou um homem de palavra. A família Fluminense não é feita só de jogadores. É feita do cara do vigia. Da tia da massagem. O sub-40 do Fluminense conquistou um título inédito — afirmou, emocionado.

Assim como fez no Carioca, o capitão Nino levantou a taça com Felipe Melo e Fernando Diniz. Era a terceira Libertadores do veterano, aos 40 anos.

 

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Felipe Melo vai de ‘capitão sem faixa’ a dono da braçadeira

Até 2024, Felipe Melo era a personificação da expressão “capitão sem faixa”, muito utilizada no futebol. Experiente e vencedor, dividia a liderança do elenco com diversos jogadores, além do então capitão Nino. A partir da atual temporada, ele se tornou o dono da braçadeira.

Mas mesmo antes disso suas digitais já estavam nas conquistas. Os discursos no vestiário antes dos jogos ficaram famosos e emocionaram os tricolores em muitos jogos importantes. Na Recopa Sul-Americana, ele chamou a palavra e pediu que os jogadores entrassem em campo também pelos torcedores que não estavam mais entre nós. Era a motivação extra para vencer a LDU, conquistar a taça e exorcizar seu último fantasma.

 

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Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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