Brasil

Especialistas opinam: o que o Cruzeiro precisa fazer para ser campeão?

A Trivela ouviu especialistas em Cruzeiro, entre eles torcedores, para saber o que, na opinião deles, a Raposa precisa fazer para levantar o título mineiro

O Cruzeiro pode voltar a ser campeão mineiro após cinco anos! O time celeste entra em campo neste domingo (7), às 15h30, em um Mineirão lotado de cruzeirenses, com a vantagem de levantar o caneco mesmo empatando com o Atlético-MG, grande rival do clube estrelado e adversário da vez. No primeiro jogo, disputado na Arena MRV apenas com atleticanos nas arquibancadas, um empate heroico dos comandados de Nicolás Larcamón, que após saírem perdendo por 2 a 0, buscaram o 2 a 2.

A preparação do Cruzeiro para a grande final estadual será finalizada neste sábado (7), após o único treinamento da equipe desde o último jogo, o empate em 0 a 0 contra a Universidad Católica, na altitude de Quito, no Equador, pela primeira rodada do grupo B da Copa Sul-Americana. Tanto o time celeste quanto o Atlético-MG terão o desafio de superar longas viagens internacionais a menos de três dias da decisão.

Apesar de o Campeonato Mineiro ser um objetivo menor para o Cruzeiro na temporada, conquistar o título seria importante tanto para recolocar o clube celeste no patamar mais alto de seu estado, quanto para a autoestima do torcedor celeste, que irá lotar o Mineirão e poderá voltar a gritar “É campeão!” em uma partida contra o maior rival. Os últimos anos, em que a Raposa esteve afundada em uma crise sem precedentes, ficaram marcados por uma diferença quilométrica entre as realidades dos dois principais clubes de Minas Gerais e tal conquista marcaria, de vez, o fim desta distância, que já foi colossal, mas que hoje é bem mais modesta.

Pensando nestes fatores, a Trivela ouviu alguns especialistas em Cruzeiro, incluindo torcedores, para saber o que, na opinião deles, a equipe de Nico Larcamón precisa fazer para levantar o caneco no domingo. Confira!

Alberto Rodrigues (@maisvibrante) — Narrador

— Acho que é a grande chance do Cruzeiro se sagrar campeão mineiro de 2024. O seu adversário, o Atlético, tem, no momento, um elenco superior ao Cruzeiro. Não tanto, mas superior ao Cruzeiro. Mas o Cruzeiro jogará pelo empate. Pode vencer ou empatar que será o campeão e terá uma grande torcida a seu favor. São mais de 60 mil pessoas. Isso pode fazer algum efeito. Eu tenho impressão que faz algum efeito a favor do time do Cruzeiro. Cruzeiro e Atlético já se enfrentaram três vezes, ultimamente. E a vantagem foi do time celeste, mesmo jogando no estádio do rival. Então, o Cruzeiro está levando uma vantagem realmente extraordinária. Duas vitórias e um empate no campo do Atlético. Um clássico pode acontecer de tudo, né. Então, ultimamente, o Cruzeiro está com mais garra de ganhar o título. O Atlético já foi campeão algumas vezes, depois que o Cruzeiro saiu do holofote, estava fora do holofote. E tem que jogar com muita inteligência e com uma vontade muito grande, muito grande mesmo, e muita intensidade. E não ter medo, partir para cima, marcação cerrada, e o título poderá vir. Esse é o meu pensamento no momento.

Samuel Venâncio (@samuelvenancio) — Jornalista

— Bom, eu acho que o Cruzeiro tem uma vantagem que é importante, que é jogar pelo empate, né? Mas isso só tem que ser levado em consideração caso esteja ficando empatado nos minutos finais do jogo. Porque todo mundo sabe como é clássico, não dá pra entrar pensando nesta vantagem. O que eu penso que o Nico tem que fazer é entrar com o time que vinha jogando antes, com o Marlon fazendo uma função ali de terceiro zagueiro, mas na lateral, com dois zagueiros de ofício, normalmente. É utilizar o time que vinha atuando, com jogadores descansados, porque ele preservou contra a Universidad Católica (EQU), e fazer o jogo do Cruzeiro. Diante de sessenta mil torcedores, o Cruzeiro tem uma grande chance de voltar a ser campeão estadual depois de cinco anos.

João Vítor Castanheira (@jvfcastanheira) — Jornalista

— Quantas vezes o Cruzeiro conseguiu jogar bem uma partida inteira neste ano? A resposta beira a zero. Apesar de estar na final, o time de Nicolás Larcamón ainda se mostra um pouco bagunçado, por vezes engessado. Na ida, um primeiro tempo exatamente assim quase custou o título. Na volta, o Cruzeiro precisa defender bem a sua área e ter mecanismos prontos para ferir o Atlético no contra-ataque. O time de Gabriel Milito precisa se sentir ameaçado durante o jogo todo, ao contrário, vai se plantar na área ofensiva e colocar o Cruzeiro contra as cordas. É difícil imaginar outro tempo tão ruim do Atlético como o segundo do primeiro jogo.

Stefano Poke (@stefano_poke) — Jornalista

— Antes de tudo, o Cruzeiro tem que entender que tem uma vantagem na mão. E que, embora a gente queira um jogo bonito, um clássico pegado, que tenha diversos gols, o Cruzeiro tem que entender que tem uma vantagem e saber jogar com essa vantagem. A pressão está com o adversário. Então, o Cruzeiro vai ter espaços e a opção de jogar de um jeito onde valorize o que quer. Se é controlar a bola, se é jogar de forma um pouco mais reativa, se é propor o jogo. Enfim, o estilo de jogo, o Cruzeiro determina. E isso já é, por si só, uma vantagem. Dito isso, é óbvio que talvez esse seja o clássico mais importante em muitos anos, pelo menos em termos de decisão, de reestruturação. Vencer esse clássico determina para o Cruzeiro que pode estar voltando para a normalidade, que o caminho está sendo bem feito. É um clássico que dá tranquilidade, não só para a diretoria e para os jogadores, mas para a torcida, que ainda tem algum pé atrás com a realidade do clube, com a SAF.

Acredito que o Cruzeiro tem sim condições de ser campeão e o futebol sempre abre espaços para esse tipo de retomada, não é? Mas, eu acho que o cruzeiro precisa entender que, antes de tudo, tem que jogar futebol, que tem hoje um bom time para isso, consegue se equilibrar com o Atlético em diversos pontos, meio campo, laterais, defesa. O time tem sim seus pontos fracos, mas entendendo o peso do jogo e a vantagem já é um caminho importante para conseguir se sagrar campeão, voltar a levantar a taça de maior prestígio no cenário estadual e ter um ano mais tranquilo principalmente para o Larcamón.

Paolla Pity — Torcedora

— Para mim, o Larcmón deveria manter a escalação dos últimos jogos, pois é um time entrosado e que já conhece a forma de jogar do rival. Sem mudanças igual no primeiro jogo da final. E entrar em campo com sangue nos olhos, jogar com raça, que é o que clássico pede. Foco e vontade de ganhar. Se o Cruzeiro entrar assim, esse título será nosso.

Pedro Ferreira — Torcedor

O Cruzeiro precisa se impor com a força da torcida, jogando em casa, pressionando. Precisa jogar para ganhar do Atlético e não colocar o regulamento debaixo do braço, como ficou subjetivo que o Larcamón fez no jogo de ida. E, além disso, depende do técnico não inventar demais na escalação. Escalando o que tem de melhor, com o esquema tático que jogou durante todo o campeonato, com a força da própria torcida em casa, é difícil bater esse Cruzeiro. E o Cruzeiro jogando dessa maneira, aproveitando esse fator casa, aproveitando que está em vantagem, eu acredito que possa ser campeão mineiro.

Maic Costa (@omaiccosta) — Jornalista

Acredito que a postura é o principal ponto para o Cruzeiro conquistar o título mineiro. O time celeste joga melhor com a bola nos pés, controlando o jogo, buscando trocas de passe envolventes e não dando oportunidades para os adversários. Por isso, penso que a equipe tem que manter esse padrão de jogo, com uma escalação que facilite isso. Chamar o Atlético para cima pode ser perigoso, principalmente pelo poder de finalização de alguns jogadores, como Hulk, Paulinho, Arana, Zaracho e Scarpa, tanto em bola rolando, quanto nas paradas. O Cruzeiro já mostrou que não precisa se retrair nos clássicos, portanto, é preciso jogar com inteligência, mas sem abrir mão do estilo que melhor se encaixa com o grupo.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
Botão Voltar ao topo