Brasil

O clássico meia brasileiro que virou lateral na Holanda — e hoje sonha com a Seleção

Em entrevista exclusiva à Trivela, Mauro Junior fala sobre futuro e expectativas para a próxima temporada

A cada temporada que se inicia, Mauro Junior pega a sua caderneta e escreve os objetivos que pretende alcançar ao longo do ano. É um ritual que ganhou proporções maiores para 2024/25. O brasileiro gravou no papel um sonho ambicioso: ser convocado pela seleção brasileira.

A função que passou a exercer no futebol holandês certamente ajuda. O jogador que chegou ao PSV com 18 anos como um camisa 10 se transformou em lateral-esquerdo — ele, inclusive enche a boca para dizer que hoje é lateral.

Justamente a posição mais aberta na equipe de Dorival Júnior. Tanto que o treinador revezou entre Wendell e Guilherme Arana na campanha frustrante do Brasil na Copa América.

— Eu sempre tenho uma caderneta por temporada de alguns objetivos. Nas últimas temporadas, eu tive algumas lesões. Essa temporada é ficar bem, tentar ser campeão, jogar os jogos de Champions League e ir para a Seleção — Mauro Junior, em entrevista exclusiva à Trivela.

O hoje lateral-esquerdo trata 2024/25 como a temporada para dar um salto na carreira e já sabe bem os caminhos para isso. Mauro Junior quer estar 100% fisicamente para ser titular do PSV na disputa da Champions League.

Mauro Junior, lateral-esquerdo do PSV
Mauro Junior, em ação pelo PSV (Foto: IconSport)

— Eu acho os dois (Arana e Wendell) muito bons. Nenhuma posição na Seleção está fácil, porque temos muitos bons jogadores, mas eu sempre sonhei em chegar à Seleção.

— Esse talvez seja o ano que tenho que me preparar melhor para chegar a esse nível de Seleção. Principalmente na situação em que estamos como clube. Vamos jogar a Champions League na fase de grupos. Tenho que batalhar pela minha posição para jogar esses jogos e chegar a esse nível — Mauro Junior.

Pensa em voltar ao Brasil? Internacional tem interesse

Mauro tem contrato com o PSV apenas até o final da próxima temporada e já faz planos para o futuro. Aos 25 anos, ele nunca atuou como profissional no futebol brasileiro. Fez as categorias de base pelo Desportivo Brasil e assim que completou a maioridade, se transferiu para a Holanda.

O lateral sonha com atuar profissionalmente no Brasil. E ele inclusive esteve na mira do Internacional recentemente. O América do México, comandado por André Jardine também sonha com sua contratação. Mas ele ainda não pensa em deixar a Europa.

— Na minha cabeça, é um passo mais à frente. Claro, meu sonho é jogar no Brasil também. Sentir essa atmosfera do jogo brasileiro, que é diferente do da Europa.

Com o Inter, na verdade, não teve conversa nenhuma. Eu sonho em voltar ao Brasil, sim, um dia. O momento não é agora. Não vai ser daqui um ou dois anos. Meu foco é no PSV no momento. Mas tenho o sonho de jogar no Brasil em algum momento — Mauro Junior.

As ambições do lateral-esquerdo vão além de chegar à Seleção. O brasileiro tem o desejo de se transferir para uma liga mais competitiva no futebol europeu. Um movimento pensado também para estar mais à vista das observações de Dorival júnior.

— Sem dúvidas, eu penso em ir para uma liga maior. Mas meu foco hoje é no PSV, porque tenho mais um ano de contrato, e temos Champions League pela frente. É meu objetivo maior. Quero lutar pela minha posição e poder jogar a Champions League. Isso ajuda muito numa futura transferência. Mas também se tiver que fazer o resto da minha vida aqui no PSV, ficaria tranquilo — Mauro Junior.

Mauro virou lateral-esquerdo por acaso

Mauro chegou ao PSV como camisa 10. E isso não é apenas uma alusão a sua posição em campo. Aos 18 anos, o brasileiro foi apresentado pelo clube com este número, à época para o time B.

Mas os dias de meio-campista fazem parte do passado. Ainda na equipe inferior, o brasileiro virou extrema. Atuava normalmente pela ponta esquerda, mas também pela direita. E foi assim que ele subiu para o time principal.

A mudança para a lateral esquerda, aliás, foi quase por acaso. Ou melhor, por necessidade.

— Faz parte. A pessoa tem que ser humilde e ver o nível maior que pode chegar na posição. Se acha que atacante, pode chegar a um nível maior, tem que fazer essa escolha — Mauro Junior.

Era novembro de 2021, e o PSV ficou sem jogadores da posição devido a problemas médicos e a um caso de Covid-19. Na emergência, o então técnico Roger Schmidt, hoje no Benfica, perguntou a Mauro Junior se ele estaria disposto a atuar na lateral esquerda.

À época, o brasileiro estava sem jogar há quatro meses, após se recuperar de uma lesão no joelho. Ele não pensou duas vezes ao acatar o pedido do técnico.

— Eu falei que sim, porque estava sem jogar em lugar nenhum. Foi assim que começou minha trajetória como lateral. Desde o primeiro jogo, eu respondi muito bem. Para mim, foi um pouco difícil de querer mudar do meio para a lateral.

— Mas depois do primeiro jogo que fiz e me senti bem, coloquei na cabeça que poderia ser um lateral melhor do que meia. Poderia chegar a um nível melhor. E agora, eu sou lateral (risos) — Mauro Junior.

A mudança de posição demandou tempo de adaptação, especialmente nas movimentações em fase defensiva. Mauro precisou aprender a se posicionar como defensor e a executar movimentos de cobertura.

Mauro Junior, campeão holandês pelo PSV
Mauro Junior festeja título holandês pelo PSV (Foto: IconSport)

Temporada histórica pelo PSV

Mauro acaba de viver uma temporada histórica pelo PSV. O clube conquistou seu 25º título do Campeonato Holandês com apenas uma derrota na competição.

A equipe fez um total de 91 pontos e ficou a dois de igualar o recorde do lendário Ajax de Johan Cruyff em 1971/72. No saldo de gols, o PSV estabeleceu a maior marca da história — 90.

— Foi uma temporada histórica. Claro. A gente queria terminar sem perder nenhum jogo, mas acabou não acontecendo. Depois de ser campeão, a gente deu uma tropicada. Mas foi uma temporada que o treinador conseguiu tirar o máximo do nosso grupo. E os jogos, os números falam por si mesmos — Mauro Junior.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
Botão Voltar ao topo