Entenda o processo do Vasco contra a 777 Partners, dona da SAF do clube
Vasco associativo, comandado por Pedrinho, entrou com ação para ter garantias sobre a saúde financeira da 777 Partners
A já conturbada relação entre o Vasco associativo e a 777 Partners, dona da SAF do clube, ganhou mais um importante e polêmico capítulo. A associação, presidida por Pedrinho, entrou com uma ação cautelar contra a empresa americana. O caso corre em segredo na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde o Vasco busca ter garantias sobre a saúde financeira da empresa da 777 e entender situação da empresa, acusada de fraude em um processo nos Estados Unidos. A informação foi dada pelo ge.
Ainda de acordo com a ESPN, o Vasco também pediu o afastamento de Josh Wander, sócio fundador da 777 Partners, e Steve Pasko, sócio da empresa, do conselho de administração da Vasco SAF. Recentemente, os dois foram afastados do “777 Football Group”, braço da empresa que cuida dos clubes de futebol no portifólio dos americanos.
A diretoria da associação, comandada por Pedrinho, não teria a intenção, no momento, de retomar o controle do futebol do Vasco. O objetivo do presidente seria garantir que ações da SAF não sejam penhoradas ou dadas como garantia em um possível caso de falência ou insolvência da 777 Partners. Para isso, o Vasco indicou o artigo 477 do Código Civil.
“Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”, diz o Artigo 477 do Código Civil.
A ação da associação, vale ressaltar, não é contra a Vasco SAF, e sim contra a própria 777 Partners, dona da SAF. Atualmente, com os aportes já feitos, a 777 controla 31% das ações da Vasco SAF. Os outros 39%, para completar os 70% aos quais tem direito, serão transferidos após os aportes previstos para setembro de 2024 e setembro de 2025.
🚨 VASCO ENTRA NA JUSTIÇA CONTRA A 777!
A ação tenta resguardar o Vasco em caso de possível penhora das ações da SAF vascaína e para o caso de a 777 colocar a SAF como garantia em caso de falência ou insolvência da 777.
Pedrinho e seus pares entendem que o grupo americano não… pic.twitter.com/tSC0ER36lj
— NewsColina (@newscolina) May 15, 2024
Vasco apreensivo por aporte de setembro
Este processo do Vasco também revela uma certa apreensão do clube sobre o aporte que a 777 Partners deve fazer em setembro. Pelo contrato, a empresa americana deve fazer um pagamento de R$ 270 milhões neste ano. Este é o maior aporte da 777 no Vasco. Até o momento, a empresa de Josh Wander já investiu R$ 310 milhões no clube, divididos em um empréstimo e outros dois aportes.
Em 2023, a 777 atrasou o pagamento do aporte de R$ 120 milhões. Além disso, o dinheiro também caiu de forma “parcelada” na conta do Vasco, ao longo de quase uma semana. Dessa vez, com as notícias vindo do exterior sobre a situação financeira do grupo, a diretoria do Vasco associativo teme pelo que pode acontecer em setembro.
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Processo do Vasco é só mais uma polêmica para a 777
O processo do Vasco contra a 777 Partners chegou uma semana após a revista norueguesa Josimar Football informar que a empresa americana teria contratado especialistas em falência da B. Riley Advisory Services, empresa de gestão de crise, após Josh Wander e Steve Pasko serem afastados do conselho da Nutmeg Acquisitions LLC, que administra todas as operações no futebol. Agora, quem comanda as equipes é Don Dransfield, ex-funcionário do Grupo City.
Além disso, recentemente a Bloomberg noticiou que a 777 está sendo processada por pegar US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão na cotação atual) e dar como garantias supostos fundos que não lhe pertencem ou sequer existem. A Leandenhall, empresa inglesa responsável por fazer o empréstimo à empresa americana, colocou o caso na Justiça dos EUA.
A 777 Partners também tem encontrado problemas para conseguir efetivas a tão sonhada compra do Everton, da Inglaterra. As negociações estão em andamento desde 2023, mas justamente as polêmicas em que a empresa está envolvida e a falta de garantias financeiras tem impedido a aprovação da Premier League. Nesta semana, o empresário britânico-iraniano Farhad Moshiri, dono do clube de Liverpool, aumentou o prazo para a 777 efetivar a compra do Everton.



