Brasil

Dorival faz o simples na estreia na Seleção e se dá bem

Novo técnico da Seleção é mais prático e direto na abordagem do jogo e conta com a estrela de Endrick

Dorival Júnior estreou na seleção brasileira com o triunfo da simplicidade. Sem fazer comparações com a capacidade dos profissionais, mas analisando os métodos, a abordagem de Dorival Júnior é bem mais simples e direta que a de Fernando Diniz.

O atual treinador procura quase sempre adaptar o sistema aos jogadores que tem. O anterior tem um sistema ao qual procura adaptar os jogadores que tem. São formas distintas de se fazer futebol. Ambas renderam resultados em clubes, mas pela característica do trabalho de seleção, a abordagem de Dorival tende a ser mais eficiente.

A vitória sobre a Inglaterra não significa dizer que o Brasil voltou, que somos favoritos e tem que respeitar a camisa pentacampeã mundial, como adoram vaticinar narradores ufanistas.

Não será surpresa se o Brasil perder para a Espanha e fizer um jogo abaixo do nível que apresentou diante dos ingleses. O início de trabalho tem oscilações, e o adversário é diferente e deve exigir do Brasil uma postura modificada.

Diante dos ingleses, Dorival até fez uma leitura perigosa do jogo em termos de sistema. Apostou num 4-3-3 que, se deu certo em algumas puxadas de contragolpe, deu muito errado no fornecimento de espaço para o meio-campo inglês ocupar e jogar, com atletas do nível de Rice e Gallagher. Os ingleses tinham cinco jogadores no setor na maior parte do tempo, sendo seis com os avanços de Stones. Após os 20 minutos da etapa inicial, a Inglaterra assumiu o controle tático do jogo.

As ausências de Kane e Saka, sejamos justos, facilitaram o trabalho da defesa brasileira, que se comportou muito bem.

Na segunda etapa, o destaque tático foi o desempenho de Bruno Guimarães. Ele se desdobrou em campo para compensar a inferioridade numérica do setor e com quatro desarmes, dois cortes e nove duelos vencidos deu a combatividade que o Brasil faltou ao time na primeira etapa. Jogou 79 minutos e saiu exausto, tamanha a entrega. Mas o que chamou mais a atenção foi a leitura de jogo do atleta do Newcastle.

O jogo talvez pedisse um Brasil no 4-4-2, com quatro meio-campistas que atuam na Inglaterra e Vinicius e Rodrygo à frente. Mas o resultado e o desempenho falaram a favor das escolhas de Dorival.

Quem destoou um pouco foi Raphinha. Não ajudou como poderia na marcação de Anthony Gordon e tampouco soube aproveitar o nervosismo evidente do lateral-esquerdo Chilwell, do Chelsea.

A jogada do gol brasileiro aconteceu quando o time tinha um meio-campo mais cheio e aproveitou um desenho de 4-4-2 para definir a partida, com passe longo de Andreas para Vini, e gol de Endrick no rebote.

Contra a Espanha, o Brasil deve ter alterações. Tanto para testes quanto para adaptação ao estilo do rival. A Espanha faz um jogo meio sonolento, mas que impõe situação difícil ao adversário quando encaixa, porque tem o controle da bola quase sempre. Mas é um time sem muita gana de vitória e sem grandes atacantes definidores. Luís de la Fuente poupou seus principais jogadores diante da Colômbia, dos quais destaco o excelente meio-campista Rodri e o talentoso Dani Olmo. Se deixarem Rodri tomar conta do ritmo do jogo, os brasileiros sofrerão.

O Brasil precisará ser mais agressivo na busca pela bola e deve ter paciência se a Espanha ficar com o controle da circulação de jogo.

Será mais um bom teste para a simplicidade e a sensatez de Dorival.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo