Brasil

Diego Viana, craque de um real troca gols por um novo contrato

Duas meias e papel por dentro da chuteira. Cucas, bermuda e calça de moleton. Camiseta térmica, camiseta de moleton, jaqueta com capuz e outra jaqueta, bem mais grossa. Luvas à prova dágua. Touca e um protetor de pescoço, quase um cachecol, protegendo do queixo ao peito. Toda secreção ou até mesmo suor congelando imediatamente. A barba, preta, fica branca, pela ação da neve.

Vinte graus negativos e treinos com dez quilos aproximados de roupa e jogos em grama congelada. Uma combinação nada agradável que ajudou o brasileiro Diego Viana a começar a planejar sua volta ao Brasil, depois de oito anos pela Dinamarca, Áustria e Alemanha, jogando em equipes como Greuterfurt e Vinerneustad. Não foi o motivo principal, mas ajudou. “Saí do Brasil com 21 anos em 2004, depois de jogar na base do Juventude, no Avaí e no Metropolitano de Blumenau. Já havia conseguido uma boa situação financeira e comecei, juntamente com minha mulher a lamentar aniversários, casamentos e até velórios que não pudemos comparecer. Então, resolvemos pensar na volta”.

A falta de um currículo de alto nível atrapalhava. Era preciso lutar pelo sonho. E, em julho de 2010, a chance apareceu. O Al Jazira, dirigido por Abel Braga, foi fazer amistosos na Europa e enfrentou o Vienerneustad. Gostou de Diego Vianna, a quem foi cumprimentar após o jogo. “Convidei o Abel para ver outros jogos meus. Ele foi e disse que me ajudaria quando eu estivesse no Brasil. Acreditei nele”

E no meio do ano passado, Diego Viana, já de volta ao Brasil, procurou Abel. O treinador disse que não poderia ficar com ele no Flu, por já contar com outros atacantes, mas o indicou para a Portuguesa. “Fiz alguns treinos e assinei contrato de um ano. Estava cumprindo um sonho de disputar a primeira divisão do Brasileiro, sempre lutei por isso”. O resultado, porém, não foi bom. Ele fez apenas um gol e perdeu espaço com a chegada de Bruno Mineiro, que marcou 14 no Brasileiro.

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A desconfiança da torcida aumentou na série B do Brasileiro, quando a pólvora continuou molhada. Nada de gols. Um torcedor, mais revoltado, colocou anúncio em um site de vendas, ofertando Diego Viana por um real. No dia seguinte, ele fez dois gols. E mais três nos três jogos seguintes. Garante que tudo foi apenas uma coincidência. “Só fiquei sabendo do anúncio quando os gols já estavam saindo. Não me motivei por isso porque nem sabia. Na verdade,o que eu tive foi sequência de jogos. Isso é importante para todo jogador”.

Diego não é do tipo que busca explicações fáceis para seus erros. O fato de ser chamado de Diego Batistuta, pelo cavanhaque, não foi pressão alguma. “Se eu estivesse bem, faria gols com qualquer apelido. Sempre pedi para não me chamarem assim, mas todos continuaram a dizer e não vou dizer que isso atrapalhou.” Também é honesto quando analisa seu futebol. “Olha, eu sei que não existe termo de comparação entre a primeira divisão do Brasileiro e a segunda do Paulistão. Sei que é mais fácil fazer gols no Paulistão. Mas tenho certeza que os gols que estou fazendo agora faria no Brasileiro também. Se a bola chegar, eu faço. O problema é que no Brasileiro as boas oportunidades são em menor número”.

A meta é jogar bem e conseguir renovar o contrato em julho e disputar novamente o Brasileiro. Não se assusta com a concorrência argentina, personificada nos atacantes Lucero e Arraya recentemente contratados. “O Lucero é um atacante de beirada, podemos jogar juntos. O Arraya é de área, como eu. Vamos disputar a posição. O importante é que a Portuguesa tem dois laterais muito bons, o Luís Ricardo e o Marcleo Cordeiro, tem o Correa que é volante e apoia bem e tem três meias que são o Henrique, o Moisés e o Souza. Isso é bom para o centroavante. Vamos aproveitar”

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