Decisão questionável da CBF pode tirar metade do time titular do Flamengo durante a Copa América
CBF rejeitou pedido de Flamengo e outros oitos clubes, que visava a paralisação do Campeonato Brasileiro durante a disputa da Copa América
Ao publicar a tabela oficial do Campeonato Brasileiro, na última quinta-feira (29), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também recusou o pleito dos clubes pela paralisação do torneio durante a disputa da Copa América. A entidade máxima do futebol nacional respondeu com um ofício de sete páginas explicando suas razões. As equipes, portanto, sairão prejudicadas.
É no mínimo curioso a CBF não manter o princípio da isonomia para sua principal competição de clubes. Ainda mais porque quem sairá prejudicado nessa história são justamente os melhores times, aqueles que mais movimentam e deixam a competição emocionante. O Flamengo, por exemplo, pode ficar sem metade do seu time titular por nove rodadas.
Flamengo amplamente prejudicado
O Rubro-Negro, sem dúvida, deve ser a equipe mais prejudicada durante o período da Copa América. Tite conta com quatro estrangeiros que certamente serão convocados — Viña, Pulgar, De La Cruz e Arrascaeta —, além de Varela, que pode pintar na lista de Marcelo Bielsa. Só aí são cinco titulares, fora os que ainda podem aparecer na chamada da Seleção Brasileira.
Ayrton Lucas foi convocado nesta sexta-feira (01) por Dorival Júnior para integrar o elenco que disputará os amistosos contra Inglaterra e Espanha. Ele não é o único que está no radar do treinador, já que Pedro e Léo Pereira, por exemplo, estiveram na pré-lista, enquanto Gerson também é bem quisto. O número de baixas do Flamengo defenderá da boa vontade do comandante da Seleção Brasileira.
É importante frisar que a Copa América será disputada entre os dias 20 de junho e 14 de julho. Apesar disso, é de senso comum que os atletas devem ser liberados a partir do dia 10 de junho, a fim de que se preparam fisica e taticamente com suas respectivas seleções. Dessa forma, os convocados podem perder até nove rodadas do Campeonato Brasileiro, caso cheguem à decisão.
- Flamengo x Bahia — 10ª rodada — 12 ou 13 de junho
- Fluminense x Flamengo — 11ª rodada — 15, 16 ou 17 de junho
- Juventude x Flamengo — 12ª rodada — 19 ou 20 de junho
- Flamengo x Cruzeiro — 13ª rodada — 22, 23 ou 24 de junho
- Atlético-MG x Flamengo — 14ª rodada — 26 ou 27 de junho
- Flamengo x Cuiabá — 15ª rodada — 29 ou 30 de junho, ou 1º de julho
- Flamengo x Fortaleza — 16ª rodada — 3 ou 4 de julho
- Internacional x Flamengo — 17ª rodada — 6, 7 ou 8 de julho
- Flamengo x Criciúma — 18ª rodada — 10 ou 11 de julho
*Em negrito, os jogos de maior importância da sequência
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CBF ‘debocha’ dos clubes
O pior de tudo não foi nem a decisão em si, já que existem argumentos a favor, mas a maneira com que a CBF redigiu o documento. Na nota oficial, divulgada no site da entidade, Julio Avellar, diretor de competições, frisa que os clubes deveriam ter se preparado mais e que havia tempo hábil para montar um elenco coeso, a fim de manter o nível técnico.
“Sobre esta questão, importante ressaltar que, para garantir aos clubes que possam manter um elenco suficiente sólido para toda a temporada, é assegurado pela CBF a inscrição de até 50 (cinquenta) atletas, podendo substituir até 8 (oito) atletas desta lista. Ou seja, perfeitamente viável aos clubes o planejamento de seu elenco evitando eventuais impactos gerados por convocações de seleções nacionais, não se tratando de fato imprevisível, o que foi objeto, inclusive, de recente manifestação pública de renomado treinador brasileiro e de profissionais de imprensa”, escreveu.
Esse argumento é absurdo, por razão óbvia e simples: custa muito dinheiro manter dois times que consigam se equivaler e, por mais que os prejudicados sejam os mais ricos do Brasil, o time titular é sempre um pouco superior ao reserva. Faz pouco sentido a entidade máxima do país utilizar tal esclarecimento, já que prejudica, diretamente, o nível da sua própria competição.
No fundo, isso só prova o quanto a CBF está em completo despreparo. Não entender a situação dos próprios clubes é algo que assusta, mas não surpreende. Para acessar o documento completo, clique no link.
Veja o trecho síntese resposta da CBF aos clubes:
“A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em resposta ao ofício enviado em 15 de fevereiro por clubes da Série A, solicitando alteração do Calendário Nacional do Futebol Masculino de 2024, em função da 48ª edição da Copa América de Seleções, vem a público prestar os esclarecimentos necessários.
A entidade agradece e considera essencial este diálogo amplo e permanente entre Clubes, Federações e CBF para melhoria e desenvolvimento do Calendário e de todo o Futebol Brasileiro e suas competições. A elaboração do calendário brasileiro de competições é de extrema complexidade, precisando ser adequado e harmonizado com os calendários divulgados pela FIFA e CONMEBOL, e, também, por exigências específicas da legislação brasileira (Lei Pelé e Lei Geral do Esporte).
Ao receber a proposta e em respeito aos envolvidos, a CBF imediatamente acionou diferentes áreas internas da entidade para a realização de estudos e simulações, demandando tempo. Também consultou os parceiros comerciais envolvidos na competição, entre eles a principal empresa detentora dos direitos de transmissão da Série A da Copa do Brasil.
O calendário para as competições de futebol masculino de 2024 foi divulgado em outubro de 2023, há quatro meses, e conseguiu-se, pelo segundo ano consecutivo, evitar conflitos com datas FIFA, honrando assim o compromisso com seus filiados e clubes.
Assim, em resposta ao pleito de parte dos Clubes da Série A, destacamos os seguintes pontos:
- Não foi considerado pelos clubes a alteração do modelo de disputa da Fifa Intercontinental Cup (Mundial de Clubes). Os times da América do Sul, para chegarem à final, terão que disputar três partidas, diferente dos anos anteriores. Caso o vencedor da Copa Libertadores seja uma equipe brasileira, o que ocorreu nas últimas cinco edições, e se o clube for também finalista da Copa do Brasil 2024, a proposta apresentada não seria viável;
- A Copa do Brasil 2024, teria um intervalo de 4 (quatro) meses entre as quartas de final e as semifinais, gerando profunda perda de interesse dos espectadores, desvalorizando a competição e podendo causar prejuízos aos clubes, patrocinadores e detentores de direitos;
- Haveria prejuízos à dinâmica das competições enquanto acarretaria um intervalo de praticamente um mês entre rodadas da Série A do Campeonato Brasileiro;
- A CBF teve todo o cuidado de consultar a principal empresa detentora dos direitos de transmissão da Série A e da Copa do Brasil. Infelizmente, mudança pretendida afeta diretamente o cumprimento dos contratos, bem como dos contratos celebrados com os patrocinadores que fizeram todo o planejamento com base nas datas previamente divulgadas pela CBF;
- A proposta de alteração do calendário de 2024 foi enviada após o início de diversos campeonatos estaduais e regionais e às vésperas do início da 1ª fase da Copa do Brasil, o que poderia gerar ajustes desiguais e que não envolveriam a integralidade do calendário do futebol nacional e todas as suas competições;
- A alteração geraria o prolongamento da temporada para 2 (dois) clubes, impactando em datas definidas de férias dos atletas e comissão técnica, o que poderia acarretar graves problemas envolvendo direitos trabalhistas, e geraria impactos para o Calendário de 2025;
- Na proposta apresentada, as fases de oitavas e quartas de final ocorreriam exatamente durante a Copa América 2024, ficando os clubes igualmente desfalcados, mas em campeonato de fases eliminatórias e com alta premiação financeira;
Diante destas e de outras razões expostas na íntegra do ofício anexo, a CBF informa que não é possível acolher o pedido de alteração do calendário de 2024. Porém, permanece aberta ao diálogo, como sempre aconteceu, para debater de forma ampla com Federações, Clubes, parceiros e atletas a melhoria das competições e do calendário nacional.”



