Brasil

Flamengo já estima data para ter o novo estádio

Presidente do Flamengo avisou que o projeto do novo estádio sairá do papel mesmo sem uma SAF

O projeto do novo estádio do Flamengo ganhou um novo capítulo neste domingo (31). O presidente Rodolfo Landim, principal arquiteto desse sonho, abriu de vez o jogo sobre a construção no terreno do Gasômetro e explicou os passos que estão ao alcance do clube nesse momento. O mais importante, contudo, foi o comentário sobre uma possível SAF no Rubro-Negro.

— O estádio (do Flamengo) sai com ou sem SAF. A discussão é: qual a forma de fazer isso mantendo o controle do futebol? Eu sou um defensor, talvez o maior no Flamengo, que o clube não mantenha a associação desportiva controlando o futebol. As pessoas quando associam a imagem da SAF como solução para salvar os clubes da falência… você vê o Botafogo, Cruzeiro e Vasco vendendo % e perdendo totalmente o controle do futebol. Entendo que o Flamengo não tem a menor razão para isso — disse, em entrevista à CBN.

O modelo da possível SAF

Ainda que tenha confirmado o modelo com ou sem a SAF, Landim nunca escondeu sua preferência de atrair parceiros para formalizar o aporte. O presidente do Flamengo, inclusive, esteve na Alemanha para conversar com dirigentes do Bayern de Munique, que serve como modelo para o clube. Nesses moldes, o Rubro-Negro venderia cerca de 30% das suas ações, em parcerias pontuais.

Perguntado sobre as SAF's que estão no Brasil, Landim afirmou que não tem interesse no modelo de Botafogo, Vasco e Cruzeiro, por exemplo. O mandatário também foi questionado sobre o contrato do Palmeiras no Allianz Parque, junto à WTorre, e foi incisivo ao apontar os rombos no processo. Para ele, o Alviverde fica à mercê da empresa e de seus interesses.

— As pessoas me perguntam muito dizendo o seguinte: mas por que não fazer uma sociedade de propósito específico para o estádio? A resposta que dou é: gente, é o modelo que o Palmeiras fez, e a gente vê o que está acontecendo lá. No dia seguinte, o cara que é o teu sócio já está brigando com você porque vai querer aumentar a receita do estádio, diminuindo a receita do clube. Esse modelo acho ruim — analisou.

E o terreno no Gasômetro?

Ainda que tenha sondado outros locais, como o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, o Flamengo quer mesmo é o terreno localizado no antigo Gasômetro, que pertence à Caixa Econômica Federal. Landim citou que a construção do Terminal Gentileza ajuda ainda mais no caso, já que os torcedores poderiam vir dos mais diferentes cantos da cidade para acompanhar o Rubro-Negro.

A imagem é ilustrativa, uma suposição do projeto do Flamengo para seu estádio (Foto: Prefeitura do Rio)

— O desafio hoje do estádio é ter acesso a um bom terreno. É fundamental ter um local onde tenha mobilidade da população para chegar ao estádio. A vantagem hoje do Maracanã é que tem grandes vias, chegadas de ônibus, trem, metrô, transportes públicos. A quantidade de pessoas que vai com seus carros ao Maracanã é muito pequena. A ideia é procurar um terreno relativamente próximo, e o do Gasômetro é o único terreno ali disponível — comentou, antes de prosseguir:

— Com a construção do Terminal Gentileza em frente fica com terminal de BRT, de VLT, uma rodoviária em frente, e mesmo para quem vai de trem ou metrô fica uma distância de 1km e pouquinho da estação Cidade Nova. Ou seja, para local de transporte de massa, é perfeito para se colocar um estádio. Essa é a razão principal para lutarmos tanto por aquele terreno ali. E sabendo do enorme impacto positivo que daria para uma área que hoje é degradada — frisou.

Vice de marketing confirma estimativa

Além de Landim, Gustavo Oliveira, vice-presidente de marketing do Flamengo, também esteve presente na entrevista e confirmou as estimativas da Trivela sobre o aporte. Segundo o dirigente, o Rubro-Negro precisaria gastar cerca de R$ 2 bilhões entre o terreno do Gasômetro junto à Caixa Econômica Federal, nos moldes da negociação atual, e as obras de construção.

— Estamos falando de fazer um investimento nesse terreno de R$ 1,5 bilhão, R$ 2 bilhões. Acho que em qualquer cidade do mundo um investidor privado colocar R$ 2 bilhões numa área como aquela, que vão dinamizar toda aquela área, seria muito bem-vindo. Isso que nós estamos propondo para a cidade do Rio de Janeiro — confirmou.

É importante frisar, ainda, que o Flamengo está disposto a pagar mais do que a Prefeitura do Rio cedeu ao banco estatal pelas obras do Terminal Gentileza. Na ocasião, as obras renderam R$ 40,8 milhões à Caixa, por cerca de 26 mil metros quadrados, que totaliza R$ 1.533 por metro quadrado. Nas primeiras sondagens, o Rubro-Negro apresentou R$ 250 milhões pelos 87 mil metros quadrados restantes, sendo R$ R$ 2.873 por metro quadrado.

Fica pronto quando?

Landim ainda teve tempo de se esquivar de uma estimativa para o fim das obras, com toda a razão, já que o Flamengo sequer adquiriu o terreno junto à Caixa. A torcida, contudo, começa a se sentir ansiosa por tudo que vem aparecendo na mídia, seja verdade ou não.

— Isso é uma discussão para o Flamengo ter depois. Primeiro, nós vamos ter o terreno? Depois, como vamos financiar esse estádio? Podemos abrir mão de usar esse dinheiro (SAF)? Podemos, só que a gente vai endividar o clube e vai ser muito mais penoso para a gente porque vai ter um custo de capital para pagar esse dinheiro que é necessário para a construção e que poderia ser revertido para o clube, para investimento em jogadores, formando uma equipe cada vez maior e melhor — finalizou.

Landim é nome forte do Flamengo para viabilizar a construção do estádio no Gasômetro (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

Apesar disso, a Trivela conversou com fontes ligadas ao pelotão que toca as negociações e recebeu uma primeira previsão: a reta final de 2026. Por enquanto, o Flamengo segue jogando no Maracanã, a sua casa desde sempre, ainda que traga muitos custos. O próximo jogo do Rubro-Negro no local será no domingo (07), diante do Nova Iguaçu, pela final do Campeonato Carioca.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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