Ex-diretor justifica perda de Vitor Roque pelo Cruzeiro: ‘Tinha que colocar para jogar’
Pedro Martins, ex-diretor de futebol da Raposa, também comentou saída de Estevão, que aconteceu um ano antes de sua chegada
Pedro Martins, ex-diretor de futebol de Cruzeiro e Vasco da Gama, concedeu entrevista ao Charla Podcast e, dentre diversos assuntos, comentou sobre dois dos assuntos mais polêmicos dos últimos anos no clube celeste:
As “perdas” dos atacantes Vitor Roque e Estêvão, que tiveram formação na base da Raposa, mas que foram estourar em outras equipes.
Segundo ele, a saída de Vitor Roque se deu pela necessidade de o Cruzeiro, que passava por um transferban, ter jogadores para atuar no Campeonato Mineiro.
O jogador tinha uma multa rescisória baixa e, de acordo com o próprio Pedro, neste tipo de situação, os clubes não colocam o atleta em campo.
A necessidade fez com que o clube celeste tivesse que utilizar o atleta mesmo que seu contrato tivesse uma multa rescisória muito baixa, o que poderia atrair interesse de outro clubes.
— Imagina um clube em que você chega e tem um transferban e não consegue colocar o time para jogar e estrear no Campeonato Mineiro?! O Vitor Roque ainda foi logo no início ali que a gente estava, mas foi porque a gente tinha que colocar o jogador para jogar no campo.
O segundo passo foi estruturar os contratos, organizar a casa, fazer a gestão de maneira sólida. Hoje o Cruzeiro está muito bem estruturado com todos os seus contratos, consegue ter ferramentas administrativas para prever qualquer cenário. Normalmente, num caso como o do Vitor Roque, você não põe para jogar — justificou Pedro Martins.
A resposta pode ser assistida a partir do minuto 34:56 do vídeo abaixo:
As saídas de Estevão e Vitor Roque
Estevão, hoje com 17 anos, foi o primeiro a deixar o Cruzeiro, ainda em 2021, antes da gestão de Ronaldo Nazário, na qual Martins trabalhou, comprar a SAF do clube celeste.
A saída do jovem jogador foi polêmica, já que ele já trazia muita expectativa consigo desde muito novo e era conhecido como “Messinho” na base do Cruzeiro.
Quando os escândalos de corrupção estouraram no clube celeste, em 2019, o nome do pai do jogador foi envolvido. Dois anos depois, ainda aos 14 anos, o garoto foi defender o Palmeiras e o Cruzeiro não recebeu nada por isso.
No Palmeiras, Estêvão tem brilhado e é a revelação da atual edição do Campeonato Brasileiro, já tendo sido negociado com o Chelsea, da Inglaterra, por um valor que pode chegar a 65 milhões de euros (R$ 360 milhões) entre montante fixo e variáveis. Ele irá à Europa assim que completar 18 anos.

Já Vitor Roque, hoje com 19 anos, deixou o Cruzeiro rumo ao Atlético-PR, que se aproveitou da multa rescisória baixa do jogador e o comprou por R$ 24 milhões em 2022, quando ele começava a estourar pelo time celeste, já na gestão Ronaldo.
A transferência rendeu uma briga judicial, que ainda acontece, na qual Ronaldo acusou o Athletico e Alexandre Mattos, hoje no Cruzeiro e então CEO de futebol do Furacão, de se aproveitar de informações privilegiadas que teve em outro período de trabalho na Toca da Raposa 2, para tirar a joia do time celeste por um valor mais baixo.
Já Mattos e André Cury, empresário de Roque, afirmam que Ronaldo ofereceu o jogador por R$ 40 milhões e mais dois jogadores por empréstimo, sem se atentar que a multa era mais baixa, algo que não poderia ser ignorado pelo Athletico.
Depois disso, Roque brilhou no Furacão e foi vendido ao Barcelona por 74 milhões de euros (R$ 394,8 milhões), juntando valor fixo, bônus e custos com impostos.
As duas vendas, se feitas pelo Cruzeiro, certamente resolveria as pendências financeiras da Raposa, que passou por graves problemas nos últimos anos, tendo chegado a ficar três anos na Série B do Campeonato Brasileiro.
Como o Cruzeiro perdeu duas das maiores promessas do futebol brasileiro?
Durante o Charla Podcast, Pedro Martins foi questionado sobre as razões que levam um clube como o Cruzeiro a perder duas promessas tão grandes e raras, e o dirigente apontou a “fragilidade da instituição” como causa.
— É uma instituição que estava fragilizada. É óbvio que tiveram essas duas marcas, Estevão e Vitor Roque, tiveram outros problemas tão complexos quanto que não apareceram. Um clube deste tamanho não fica três anos numa Série B à toa, não é de graça.
É natural que você acabe tendo dificuldades para montar um time, para convencer jogadores, treinador. Foi um processo de reconstrução muito complexo. Quando você para, chega e olha os contratos que estavam sendo praticados, você se assusta. Não tem padrão contratual nenhum, você está fragilizado — argumentou Martins.



