Corinthians: Entraves em inquérito podem levar votação de impeachment para batalhão policial
Episódios de violência na segunda-feira (20) deixaram conselheiros corintianos temerosos com continuidade de reunião
A votação sobre o impeachment do presidente Augusto Melo no Conselho Deliberativo deve ter novos capítulos mais rapidamente do que o esperado.
A presidência do órgão estudou a possibilidade de retomar a reunião somente após o encerramento do inquérito policial do “Caso Vai de Bet”, que fundamenta o requerimento pela destituição de Augusto. Porém, isso não deve acontecer.
Nos bastidores, a informação é de que a investigação movida pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, através do Gaeco, não deve ser encerrada até o início de março.
Esse é o prazo para o término das oitivas, onde todas as pessoas chamadas pelos órgãos de Justiça serão chamadas para prestarem depoimentos.
Alguns personagens importantes no inquérito ainda não foram ouvidos. Entre eles, o próprio presidente Augusto Melo.
Com esse cenário, o prosseguimento da votação sobre o impeachment do presidente corintiano deve acontecer entre 15 e 20 dias no Conselho Deliberativo.
A tendência é que o pleito ocorra na primeira semana de fevereiro.
Se a maioria simples dos conselheiros for favorável ao processo de impeachment, Augusto Melo será afastado da presidência corintiana até a votação em última instância em assembleia de sócios.
Primeiro vice-presidente, Osmar Stábile assumiria o comando da diretoria do Corinthians com a responsabilidade de convocar a votação entre os associados em um intervalo de cinco dias.
No entanto, o estatuto social do Timão não prevê prazo mínimo para que o encontro entre os sócios aconteça. A tendência é que a data seja marcada em até 60 dias após a votação no Conselho.
Votação não deve acontecer no Parque São Jorge e pode ser até mesmo em um batalhão policial
Os episódios de confusão durante a reunião do Conselho na última segunda-feira (20) e até mesmo de violência após o término do encontro deixou muitos conselheiros temerosos.
Entre eles, o próprio Romeu Tuma Júnior, presidente do órgão.
No início da semana, Tuma deixou o Parque São Jorge por uma saída alternativa e escoltado pela Polícia Militar.
Imagens recebidas da confusão que suspendeu a reunião do Conselho Deliberativo. pic.twitter.com/pTVh7DAd8z
— Fábio Lázaro (@FabioLazaro_) January 21, 2025
Ainda assim, alguns conselheiros foram agredidos. Foram os casos do ex-diretor administrativo Marcelo Mariano (aliado de Augusto Melo) e o ex-diretor de futebol Sérgio Janikian (opositor da atual gestão).
O segundo vice-presidente Armando Mendonça também foi bastante intimidado.
– Tenho tido muitas ameaças, tem inquérito apurando. Minhas filhas têm sentido gestos de muita violência. Recentemente, uma filha minha foi ameaçada e eu tenho que buscá-la na escola. Sinto, sim, não só a minha segurança, mas da minha família e de vários conselheiros. Inclusive, um foi agredido lá fora hoje. Isso é muito preocupante. Acho que a Polícia e, principalmente, o Ministério Público precisam tomar providências – desabafou Romeu Tuma Júnior após a reunião da segunda.
Segundo a apuração da Trivela, os episódios fizeram as lideranças do Conselho Deliberativo considerarem a alteração do local da votação.
Levar para a Neo Química Arena é uma possibilidade considerada. Mas há uma frente que defende que a reunião seja transferida para um dos batalhões policiais de São Paulo.
As duas alternativas já haviam sido levadas ao presidente do Conselho para o encontro desta semana, mas ambas foram revogadas por Romeu Tuma Júnior.
A ideia do líder do Conselho é transferir a votação para a Neo Química Arena para não impactar negativamente a imagem do Corinthians.

No entanto, há uma frente grande que é favorável à realização da reunião em um batalhão policial, pois teme possíveis abordagens violentas no trajeto até o estádio corintiano e também no estacionamento.
Outra questão é que a segurança privada e o circuito interno do estádio corintiano é administrada pela diretoria.
A possibilidade de votação online não foi descartada, mas dificilmente será utilizada. Há grande temor de fraudes e interceptações na distribuição dos links no caso de eleição virtual.
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Presidente do Conselho explica motivo por processo de impeachment acontecer antes do fim de inquérito policial
Augusto Melo e os seus apoiadores defendem que a votação sobre o impeachment só aconteça depois do fim das investigações do “Caso Vai de Bet”.
Desde o ano passado, a Polícia Civil e MP-SP apuram um possível esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na intermediação do contrato de patrocínio máster do Corinthians e a casa de apostas no início de 2024.
Romeu Tuma Júnior alega que o Conselho Deliberativo corintiano não tem caráter investigativo criminalmente, mas se o estatuto do clube é respeitado ou se há dano moral, financeiro ou de imagem à instituição.
Romeu Tuma rebate acusações de Augusto Melo e explica continuidade do rito que vota o pedido de impeachment do presidente Augusto Melo no Conselho Deliberativo. pic.twitter.com/b8PHvw77xn
— Fábio Lázaro (@FabioLazaro_) January 21, 2025
– O processo administrativo interno do Corinthians não investiga crime, investiga se o Corinthians foi prejudicado, desvio de recurso, ação ou omissão de dirigente, danos à imagem do clube, prejuízo financeiro. É isso que o processo de destituição aborda. Se sim, a pessoa é destituída. Se não, não é destituída. Se houve crime ou não é problema da Polícia e da Justiça. Se alguém for preso, aí tem outro procedimento. O nosso tempo é diferente da Justiça, da Polícia e do MP. Não temos que esperar a ação da Polícia para fazer algo reativo – disse o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians em entrevista ao UOL.
– Processo policial pode durar 20 anos. Imagina ter que apurar em outra instância, todos poderiam cometer crimes e esperar 20 anos. Quem comete crime em ação transitada e julgado não pode ser candidato a presidente e conselheiro. Outra coisa é julgar ação interna administrativa previsto no estatuto, é disso que se trata. Não temos que apurar o que está sendo apurado no inquérito. Não devemos esperar, não é trabalho do conselho. Seria grave perseguir as pessoas. Nosso problema é o que fala no estatuto. Se houve infração tem que apurar, é o que acontece. Por isso não devemos esperar o inquérito policial, são coisas distintas – concluiu.
O pedido de impeachment de Augusto Melo foi assinado por um grupo de 86 conselheiros no dia 26 de agosto.
O presidente corintiano entregou a defesa à Comissão de Ética do Conselho Deliberativo um mês depois. O órgão recomendou a suspensão da votação do impeachment até o encerramento das investigações no “Caso Vai de Bet”.
Ainda assim, o Conselho optou por marcar a eleição interna para o dia 27 de novembro, data que foi posteriormente alterada para 2 de dezembro, por questões de segurança.
O encontro realizado no fim do ano passado foi suspenso cerca de 10 minutos antes do início por conta de uma liminar ingressada por Augusto Melo embasada pelo parecer da Comissão de Ética.
O mecanismo jurídico foi derrubado 10 dias depois e a retomada da reunião foi agendada já no início de 2025 para o dia 20 de janeiro.
Nesta segunda-feira (20) houve bastante confusão, principalmente por conta da votação de admissibilidade ao tema, que inicialmente aconteceria por aclamação, mas que foi retomada de forma individual e secreta.
Dos 240 conselheiros presentes, 126 foram favoráveis à continuidade da eleição sobre o impeachment de Augusto Melo contra 114 que eram contrários.
Porém, pelo avanço do horário, houve a decisão em comum acordo pela suspensão da reunião e a retomada em outra data, que ainda será decidida.



