Brasil

Ressaca, interino, crise… Mas a noite estava marcada para o Corinthians vencer

No aniversário de 12 anos do título da Libertadores, Timão busca vitória no último minuto e encerra jejum

O dia 4 de julho é histórico para o Corinthians. Foi nesta data que, em 2012, o clube conquistou a inédita e, até então, única Libertadores da sua história.

Doze anos depois, a realidade corintiana é completamente diferente e longe das glórias. Mas no calendário, o destino se encarregou de fazer o Timão ganhar. E de um jeito que teve a cara do clube alvinegro. 

A semana até a partida contra o Vitória teve de tudo, até futebol. Começou com derrota no clássico contra o Palmeiras, que levou à demissão do técnico António Oliveira.

Na sequência, teve jogador supostamente embriagado se envolvendo em confusão e outros atletas pedindo a rescisão dos seus contratos na Justiça, alegando falta de recolhimento de FGTS. 

Para piorar, o adversário era direto na luta contra o rebaixamento no Brasileirão, no momento em que o Corinthians não vencia há mais de um mês e possuía somente um triunfo pela competição nacional. 

Mas como o dia 4 de julho é iluminado na história corintiana, nenhuma polêmica ou problema extracampo entrou no gramado da Neo Química Arena. E o incômodo jejum acabou com gol no último lance após o Timão sofrer um empate inexplicável nos minutos finais. 

O dia 4 de julho

Que em 2012 marcou o título da Libertadores, foi levado na camisa corintiana através de um patch e relembrado em uma declaração de amor à Fiel Torcida no intervalo do jogo. 

A memória de tempos mais felizes ajudou a embalar durante a partida uma arquibancada com mais de 37 mil corintianos que não arredaram o pé da Neo Química Arena e desfrutaram um gol improvável que garantiu uma vitória que até os 43 minutos do segundo tempo era provável, mas quase escapou pelas mãos do lateral Léo Maná, que usou elas para bloquear uma bola dentro da área. 

Alerrandro, que não marcava gols há mais de três meses e já havia feito o primeiro dos visitantes ainda no primeiro tempo, converteu a penalidade e fez mais um. 

Mas o espírito de Emerson Sheik encarnou em Giovane. E o garoto que nunca havia balançado as redes na arena corintiana aproveitou o bate e rebate na área adversária para marcar o gol da vitória no apagar das luzes. 

Atuação sóbria e sem barbeiragem de Pedro Henrique 

Protagonista de um problema policial no início da semana, quando, com sinais de embriaguez, se envolveu em um problema de trânsito ao atingir um portão, o atacante Pedro Henrique, mesmo assim, foi titular no duelo contra o Vitória. 

No anúncio da escalação, antes da bola rolar, vaias tímidas. Mas na sua saída, substituído por Romero, aos 15 minutos do segundo tempo, aplausos da torcida em reconhecimento a boa atuação.

Pelo lado direito, PH buscou o jogo com a bola no pé, deu a assistência para o primeiro gol do jogo, marcado por Rodrigo Garro, e muitas vezes ajudou defensivamente atuando como um assistente de lateral. 

Se o atacante estava de ressaca, não sabemos. Mas a atuação mostrou que o episódio extracampo não interferiu em absolutamente nada. 

Pedro Henrique - Corinthians x Vitória
Pedro Henrique teve atuação sóbria na semana em que participou de polêmica com sinais de embriaguez (Foto: Icon Sport)

Interino não inventa e é premiado com vitória

Caído de paraquedas no comando interino corintiano, Rafael Laruccia foi contratado para ser técnico do sub-20 no início do ano, mas passou a dirigir o sub-17 após o título do Timão na Copinha. Há duas semanas, com a demissão de Danilo, passou a comandar a categoria em que iria dirigir inicialmente. Mas quis o destino que ele fosse o treinador do Corinthians neste 4 de julho de 2024. 

Tímido nas celebrações dos gols, ele não teve papas nas línguas e quase foi a vias de fato com Thiago Carpini, técnico do Vitória, durante a revisão de uma possível expulsão de Yuri Alberto no VAR, ainda no primeiro tempo. 

Em campo, ele manteve uma ideia de jogo que já vinha sendo executada com António Oliveira e não quis inventar. Sem Breno Bidon, apostou em um meio-campo mais arrojado, com Rodrigo Garro e Igor Coronado, e bancou Pedro Henrique pela ponta direita, dando liberdade para Wesley na esquerda. 

Colocou a garotada no segundo tempo e um deles definiu a partida no minuto final. 

Raphael Laruccia - Corinthians x Vitória
Professor Laruccia assumiu a bronca no Corinthians em meio às indefições sobre quem será o novo técnico do clube (Foto: Icon Sport)

Um capítulo à parte para Rodrigo Garro

Que talvez nem soubesse o que era o Corinthians em 2012, mas que absorveu completamente o corintianismo na sua essência desde que chegou ao clube no início do ano. 

Um jogador que faz sinal de louco ao comemorar os seus gols, precisa ser considerado do bando. 

No início do jogo, uma série de erros nas tentativas de passes e conexões. Mas não se escondia do jogo. Tanto que apareceu. 

No primeiro tempo, foram dois belos chutes, principalmente o segundo, que abriram passagem para a vitória do Timão em Itaquera. 

Triunfo que encerra uma sequência de nove jogos sem ganhar do Corinthians no Brasileirão e, sobretudo, resgata a esperança de dias melhores e longe do Z4 para um clube que tem vivido no looping de um filme de terror.

Rodrigo Garro - Corinthians x Vitória
Contra o Vitória, Garro marcou os seus dois primeiros gols com bola rolando pelo Corinthians (Foto: Icon Sport)
Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue à São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é repórter na rádio 9 de Julho, comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília, e narrador freelancer.
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