Corinthians: Rota de colisão e falta de urgência: os bastidores da demissão de António Oliveira
Desligamento do treinador era estudado há algumas semanas pela diretoria corintiana, mas episódios recentes foram cruciais para a decisão
António Oliveira não é mais técnico do Corinthians. O profissional foi desligado na tarde desta terça-feira (2), dia seguinte à derrota corintiana no clássico contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasieiro.
A demissão do profissional já era encaminhada há, pelo menos, duas semanas, quando a diretoria do Timão começou a sondar o mercado de treinadores. Algumas respostas negativas e empecilhos para contratar nomes de agrado fizeram com que António se sustentasse por, pelo menos, dois jogos a mais do que o previsto no clube alvinegro.
No período, alguns atritos entre o treinador e a direção ficaram escancarados, principalmente após críticas públicas que o comandante corintiano fez à falta de opções no elenco e ausência de expectativas para contratações de reforços qualificados na janela de transferências do meio do ano.
O Sport Club Corinthians Paulista informa que António Oliveira não é mais o treinador da equipe principal masculina de futebol. Além dele, seus quatro auxiliares, Bernardo Franco, Bruno Lazaroni, Diego Favarin e Felipe Zilio, deixam o comando técnico do Alvinegro.
— Corinthians (@Corinthians) July 2, 2024
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Além dos maus resultados, que foi o principal fator para que António Oliveira fosse demitido, a falta de evolução técnica e ausência de senso de urgência frente a uma campanha na qual o Corinthians está afundado na zona de rebaixamento do Brasileirão, com apenas uma vitória em 13 jogos, foram pontos fundamentais para que a diretoria corintiana optasse por desligar o treinador.
Houve um grande incômodo internamente com o discurso do profissional de que não há desespero pela condição da equipe alvinegra na competição nacional.
– De 13 para 38 (jogos) ainda faltam muitos pontos. Vocês estão a olhar para outros objetivos. Impacta muito o Corinthians na zona do rebaixamento. Somos pessoas responsáveis e sabemos a responsabilidade de gerir uma equipe como o Corinthians – disse António na entrevista coletiva após a derrota para o Palmeira, nesta segunda-feira (1º).
Fabinho Soldado tentou segurar António, mas foi voto vencido
Diretor-executivo de futebol, Fabinho Soldado foi um dos grandes defensores da manutenção do trabalho de António. Foi ele, inclusive, um nome principal para que o comandante corintiano ganhasse um tempo maior do que o previsto no comando do clube.
O dirigente conseguiu, inclusive, aparar as arestas entre António e o restante da diretoria corintiana, que entraram em rota de colisão após o empate do Corinthians com o Cuiabá, na última quinta-feira (27). Incomodado com a exposição frente aos maus resultados do clube alvinegro, o treinador, que pensou até mesmo em pedir demissão antes do jogo, fez duras críticas às expectativas não atendidas pela direção na montagem do elenco e contratações de reforços.
Após o duelo, Fabinho conversou com António e mostrou o planejamento para reforçar o elenco para o segundo semestre através de uma boa janela de transferências no meio do ano. Tanto que o discurso do treinador após a derrota para o Palmeiras foi diferente, até mesmo com elogios à diretoria e departamento de futebol do Corinthians. Mas isso não foi o suficiente para que fosse dada continuidade ao trabalho e o revés no clássico foi a gota d’ água para o técnico no Parque São Jorge.
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Corinthians quer novo técnico rapidamente
Sem António Oliveira, Raphael Laruccia, técnico do sub-20, é quem comandará os treinamentos do elenco profissional. Mas a ideia da direção corintiana é anunciar o novo técnico rapidamente, para que ele fique já à disposição para comandar a equipe no duelo desta quinta-feira (4), contra o Vitória, pelo Brasileirão.
Laruccia assumiu até mesmo o time de base do Corinthians há pouco tempo. Ele, que estava no sub-17, passou para o comando do sub-20 há duas semanas, após o desligamento de Danilo.
Fábio Carille é o nome favorito da diretoria corintiana para assumir a equipe, mas como o profissional tem contrato com o Santos a situação pode ser dificultada. Cuca é uma opção vista com bons olhos, principalmente pelo presidente Augusto Melo e os seus pares.
A instabilidade emocional do profissional e possíveis protestos da torcida sobre situações extracampo envolvendo o treinador são fatores que ainda fazem o clube alvinegro ficar reticente em entrar em contato com o técnico, que recentemente deixou o Athletico-PR.



