Grupo pede que revisão orçamentária do Corinthians seja reavaliada com urgência
Coletivo que conta com Citadini e outras figuras políticas do clube pede a inclusão de uma alternativa em proposta que será votada pelo Conselho nesta segunda-feira (6)
Um grupo com conselheiros e associados do Corinthians enviou na última sexta-feira (3) um requerimento à presidência do Conselho Deliberativo solicitando que a revisão orçamentária de 2025 seja reavaliada com urgência.
Uma reunião para deliberar e votar o tema está marcada para acontecer na noite desta segunda-feira (6), no Parque São Jorge. A proposta do coletivo, portanto, é que, além das alternativas pela aprovação ou reprovação da revisão do orçamento, também seja incluída a opção pela reanálise.
Também é sugerido ao Conselho Deliberativo a criação de uma comissão específica para atuar em conjunto com o Comitê de Planejamento Estratégico e Reestruturação Financeira para analisar todos os documentos referentes a orçamento e identificar pontos onde podem ser feitos cortes, além de renegociar contratos e otimizar a estrutura financeira do clube sem afetar na performance financeira e na qualidade dos serviços oferecidos aos associados.
A revisão do orçamento e bastidores do Corinthians
A Trivela teve acesso ao documento, que foi encaminhado a Romeu Tuma Júnior na última sexta-feira (3) e contou com a assinatura do ex-vice-presidente corintiano e candidato derrotado na última eleição presidencial Antônio Roque Citadini.
Além dele, também aderiram ao requerimento os conselheiros Yun Ki Lee, que foi diretor jurídico do Corinthians no início da gestão do ex-presidente Augusto Melo, Fernando do Amaral Perino e Marcelo Kahan Mandel, e dos associados Cyrillo Cavalheiro Neto e Wilson Canhedo Júnior.
A proposta de redução orçamentária enviada ao Conselho pela atual diretoria financeira do Corinthians prevê que o clube feche o ano de 2025 com um déficit de R$ 83,3 milhões.
A diferença está na casa de R$ 120 milhões em relação à previsão feita para a temporada, no fim do ano passado, quando o Timão ainda era presidido por Augusto Melo.
No prognóstico da direção liderada pelo presidente destituído do cargo no início de abril, o Corinthians fecharia o ano com R$ 83,3 milhões em superávit.
Os pontos que levam a discrepância dos números estão, principalmente, na ausência de vendas de atletas, a eliminação corintiana na fase preliminar da Libertadores e nas despesas operacionais.
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Proposta de reavaliação da revisão orçamentária tem foco na redução de custos e despesas
A principal crítica do grupo que propõe a reavaliação da revisão orçamentária com a proposta original é a ausência de um programa para reduzir custos e despesas do clube, cuja dívida deve chegar a R$ 2,7 bilhões até o fim de 2025.
Segundo trecho do documento enviado a Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, “em um cenário financeiro que exige prudência e rigor, a manutenção ou o crescimento desproporcional de custos e despesas representa um risco considerável à sustentabilidade econômica do Sport Club Corinthians Paulista”.
De acordo com o coletivo, a ausência de um plano robusto de austeridade financeira, que se proponha a conter e otimizar os gastos do clube, pode:
- Comprometer a saúde financeira do Corinthians a curto médio e longo prazo;
- Dificultar o equacionamento das dívidas e os investimentos em futebol e infraestrutura, considerados áreas vitais para o clube;
- Prejudicar a manutenção das categorias de base;
- Afetar a credibilidade da instituição em diversas frentes como: associados, credores, parceiros e torcedores.

Para os conselheiros e associados que enviaram o documento ao Conselho, a proposta de revisão orçamentária da atual diretoria financeira do Corinthians não está alinhada com as boas práticas de gestão e governança.
Esse cenário vai de encontro com uma das primeiras medidas aplicadas por Osmar Stábile ao assumir a presidência do Corinthians, ainda de forma interina, que foi iniciar uma política ambiental, embasados nos princípios do ESG, para atrair o mercado multinacional.
A informação foi antecipada pela Trivela em 28 de junho e aplicada pela direção corintiana nas semanas seguintes.
Grupo que pede reavaliação da revisão orçamentária cita antecipação de recursos
O documento que solicita a opção de reavaliação da revisão orçamentária do Corinthians em 2025 também cita que há informações sobre a tentativa da diretoria corintiana em antecipar receitas previstas para 2026 referentes às cotas de televisão e patrocinadores.
Recentemente, o Timão recebeu a quantia de R$ 50 milhões referente a um adiantamento previsto pela Nike durante o acordo de renovação contratual entre o clube e a fornecedora de materiais esportivos.
Houve também uma tentativa de recebimento de R$ 57 milhões junto a Liga Forte União (LFU), onde R$ 27 milhões seria de adiantamento referente a performance no Brasileirão, valor que é de recebimento estimado em dezembro. O restante da quantia seria um empréstimo com taxa de juros de 17,9% ao ano.
Porém, o presidente Osmar Stábile recuou sobre o possível, pois o grupo condicionou a liberação da verba à prorrogação do contrato do Timão com o bloco até 2030.



