O que desabafo de Hugo Souza ensina ao Corinthians após derrota
Goleiro, que é um dos líderes do elenco, deixou claro que os jogadores também precisam assumir a responsabilidade pelo momento ruim do clube
Foi notável ainda em campo que o atleta mais indignado com o desempenho vexatório do Corinthians na derrota para o Mirassol, no último sábado (10), pelo Campeonato Brasileiro, foi Hugo Souza.
E ainda que o placar de 2 a 1 para o time mandante não dê a dimensão do papelão apresentado pela equipe alvinegra, a atuação aponta a gravidade ressaltada pelo goleiro corintiano na entrevista após o jogo.
– Acho que a gente precisa repensar algumas coisas, repensar algumas atitudes dentro de campo, o que a gente tem que fazer de melhor. Repensar como atleta, com respeito ao clube que a gente defende. A gente precisa mudar o chip muito rápido – destacou o atleta à reportagem do Prime Vídeo.
Fato é que pelo segundo jogo consecutivo o Timão sequer entrou em campo na etapa final.
A situação já havia acontecido no empate com o América de Cali (COL), pela Sul-Americana, na última terça-feira (6), e foi ainda pior contra o Mirassol.
Excesso de desatenções defensivas e erros técnicos que, combinados com a ausência total de postura com a bola, foram cruciais para os pontos desperdiçados pelo Corinthians nos últimos dias.
E virar esse chip, como foi mencionado justamente por Hugo Souza, está necessariamente atrelado aos atletas assumirem, de fato, as suas responsabilidades.
– A gente tem um elenco que não precisa sofrer, a gente tem um elenco que não precisa passar por situações difíceis. E a gente precisa mudar o chip muito rápido para que a gente possa desenvolver o melhor do nosso futebol, porque a gente pode fazer muito mais, mas muito mais mesmo – destacou o goleiro, que também foi o capitão corintiano no vexame no interior paulista.
A culpa não é só do treinador
Menos de um mês após a conquista do Campeonato Paulista, o técnico Ramón Díaz foi demitido.
O motivo crucial para isso foi a ausência de evolução da equipe, sobretudo no aspecto defensivo, o que ficou gritante nas derrotas para o Huracán (ARG), pela Sul-Americana, e Fluminense, pelo Brasileirão – o último foi a gota d’água para o trabalho do antigo treinador.
Dorival Júnior, então, foi contratado com o status de ser um profissional capaz de fazer o “arroz com feijão”.
Nesse time do Corinthians isso significa ajustar a parte defensiva sem perder o bom desempenho criativo que era apresentado com Ramón Díaz.
Porém, os duelos seguintes mostraram que isso vai além, pois mesmo com o setor muitas vezes bem postado e sem sofrer sustos, os lapsos individuais costumam colocar tudo a perder.

No entanto, o que piora ainda mais o cenário, é a fragilidade defensiva do Corinthians ser tão grande que às vezes os vacilos individuais se tornam coletivos. São todos os atletas de defesa falhando ao mesmo tempo, como uma espécie de efeito borboleta.
Um exemplo disso é justamente o primeiro gol do Mirassol, em que Cacá estava marcando o lateral-esquerdo e, por consequência, Angileri tomou a bola nas costas completamente mal posicionado, no meio da área.
Assim, Dorival, ou qualquer outro treinador, pode até fazer um trabalho sólido de ajuste defensivo que nada adiantará se os próprios atletas não evoluírem em campo. E isso só reforça a declaração de Hugo Souza.
– O que a gente apresentou no jogo de hoje, o que foi apresentado no último jogo, está bem abaixo daquilo que a nossa equipe pode fazer. Então é a gente se cobrar. Se cobrar, dormir, botar a cabeça no travesseiro e pensar o que eu preciso fazer de melhor, cada um pensando um pouco mais nessa parte individual para que possa ajudar o grupo, para que a gente possa fazer o nosso coletivo sobressair da melhor forma. A gente não pode fazer o primeiro tempo da forma que foi e depois vir para o segundo tempo dessa forma, no último jogo a gente sofreu em parte também no início do segundo tempo, então a gente precisa rever algumas coisas para que a gente não possa sofrer mais – pontuou o goleiro corintiano.
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E nem o bastidor político conturbado pode servir de muletas
Ainda que a política corintiana esteja conturbada desde o início da atual gestão, que iniciou em janeiro do ano passado, o momento atual é um dos mais delicados neste sentido.
Nas últimas semanas, o presidente Augusto Melo depôs à polícia no “Caso Vai de Bet”, teve as contas reprovadas, mudou membros da diretoria e perdeu o apoio da principal torcida organizada do clube.
De toda forma, os relatos ouvidos pela Trivela apontam que o departamento de futebol é o único que passa ileso em meio ao momento institucionalmente conturbado no Corinthians.
Fabinho Soldado tem o trabalho bem avaliado até mesmo por opositores à administração, onde a maioria defende a permanência do executivo de futebol mesmo com o possível afastamento de Augusto Melo da presidência corintiana.
E a blindagem do dirigente ao elenco é algo crucial para essa impressão.
Outros departamentos, como as categorias de base, por exemplo, estão envoltos em brigas políticas e as pessoas que integram essas pastas estão diariamente incertas com o trabalho que realizam.
No futebol profissional, isso não acontece. Até mesmo a contratação do técnico Dorival Júnior foi respaldada totalmente por Fabinho Soldado.
O que aumenta ainda mais a responsabilidade do discurso colocado por Hugo Souza ser colocado em prática,
Com o elenco profissional blindado dos problemas políticos, a troca recente de treinador e a tentativa de evolução tática para corrigir os problemas, sobretudo defensivos, é tempo de justamente os atletas assumirem o compromisso de evolução e mudarem o cenário preocupante que o Corinthians vive neste momento.



