Esportes da Sorte: seis clubes do Brasileirão vão ou não perder patrocínio?
Timão e outros clubes brasileiros têm acordo com a Esportes da Sorte ameaçado por imbróglio com o Ministério da Fazenda
O acordo entre Corinthians e a Esportes da Sorte está mantido mesmo com alguns impasses que colocaram em xeque a atuação da casa de apostas nos últimos dias.
Fora da primeira lista de bets autorizadas a atuarem no Brasil pelo Ministério da Fazenda, a patrocinadora máster do Timão tinha até esta sexta-feira (11) para se regularizar. Isso aconteceu nos últimos dias através de uma liberação via Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
Ainda assim, um ofício encaminhado na noite desta quinta-feira (10) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deixou novamente em aberto a continuidade da parceria.
A princípio, as empresas de apostas autorizadas por órgãos regionais só poderiam fazer divulgações das suas marcas nesses raios de atuação. Isso impediria a Esportes da Sorte de estampar o seu logo na camisa do Corinthians, já que as exibições das partidas do clube costumam extrapolar o âmbito estadual.
A atualização do ofício, no entanto, abre exceção às casas de apostas vinculadas à Loterj.
A Trivela teve acesso ao trecho do documento que aponta a ressalva.
– Por fim, à exceção das empresas autorizadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (LOTERJ), em razão do disposto no artigo 35-A, parágrafo 8º. da Lei nº 13.756/2018, na redação dada pela Lei nº 14.790/2023, e caso outras também venha a ter tal direito assegurado, em juízo ou pelo Ministério da Fazenda, as demais empresas autorizadas por outros Estados a explorar apostas de quota fixa somente poderão divulgar publicidade ou propaganda comercial nos limites de seu território, de acordo com o artigo 35-A, parágrafo 4º. da referida lei – aponta o parágrafo.
O Corinthians também confirmou a manutenção da parceria em nota divulgada às 13h (horário de Brasília) desta sexta-feira (11).
— O Sport Club Corinthians Paulista informa que, nos termos da legislação em vigor, está autorizado a seguir com a exposição da marca Esportes da Sorte, conforme contrato atual, que segue sendo integralmente cumprido pelas partes.
O Clube está amparado também por uma decisão judicial obtida pela parceira, que está sob segredo de justiça, ratificando a autorização para a publicidade da marca — diz o comunicado.

Seis clubes têm acordo com a Esportes da Sorte
Além do Corinthians o imbróglio entre Ministério da Fazenda e Esportes da Sorte afeta outro cinco equipes brasileiras. No total, seis equipes do Brasileirão, incluindo Séries A, B e Feminino, têm acordo com a empresa de apostas esportivas:
- Corinthians
- Athletico-PR
- Bahia
- Grêmio
- Ceará
- Palmeiras feminino
O Athletico anunciou, em 3 de outubro, a suspensão da parceria com a empresa pelo mesmo motivo. Nesta sexta (11), Nosso Palestra publicou que o Palmeiras removerá a marca da Esportes da Sorte de suas propriedades — o mesmo disse a GZH sobre o Grêmio.
Fora Corinthians e Athletico, nenhum outro clube se manifestou oficialmente.
Em tese, apesar do futuro incerto do acordo, todos estão respaldados pela mesma garantia relacionada à Loterj que foi dada ao Timão, graças ao ofício atualizado da CBF.
Bets que seguem irregulares e patrocinam clubes brasileiros
O caso é diferente de outras casas de aposta que seguem irregulares, aos olhos do Ministério da Fazenda, e não estão englobadas na exceção da Loterj.
Essas bets, até o momento, estão restritas a contratos com equipes da Série B do Brasileirão. São elas:
- Dafabet: parceira do Guarani, que já anunciou sua saída do Brasil;
- Betvip: patrocinadora do Sport;
- Reals: parceira do Amazonas e Coritiba

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Corinthians tem cartas na manga para evitar problemas
O acordo entre Corinthians e Esportes da Sorte é válido por três temporadas. O contrato total tem o valor de R$ 309 milhões destinados pela casa de apostas ao Timão.
No entanto, as duas pontas estão resguardadas juridicamente caso haja algum fator que gere o rompimento unilateral.
A empresa, além das dificuldades em ter a regularização nacional, é investigada pela “Operação Integration”, em Pernambuco, que avalia um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
Darwin Henrique da Silva Filho, dono da Esportes da Sorte, chegou até mesmo a ser preso.

Por outro lado, o Corinthians também tem um histórico negativo, já que a Vai de Bet, primeira patrocinadora máster do clube na temporada, rescindiu o contrato acionando uma cláusula anticorrupção. O clube é investigado por conta de um possível repasse irregular no acordo de intermediação deste contrato.
Por conta dos históricos, houve um grande trabalho jurídico das duas partes antes da oficialização da parceria, que ocorreu em julho.
Atual diretor de negócios jurídicos do Timão, Vinicius Cascone, que à época era secretário geral da equipe alvinegra, foi um dos profissionais que mais participaram do processo em que o acordo foi costurado.
A relação do advogado com a Esportes da Sorte segue ótima. É através dele, inclusive, que há a atualização de informações da patrocinadora ao Corinthians.
Ainda assim, a diretoria corintiana trabalha com um “plano B” caso os problemas recentes atrapalhem definitivamente a parceria.
Duas empresas já entraram em contato com o clube alvinegro interessadas em firmar um contrato de patrocínio nos mesmos moldes que a Esportes da Sorte.
Para a cúpula que administra o Corinthians, isso já é, por si só, uma espécie de seguro para que a instituição não sofra com desfalques financeiros.



