Brasil

Caixa disse não ao Corinthians sobre dívida, mas time não desistirá de renegociação

Andrés Sanchez afirmou que quitação seria aceita e o estádio estaria pago já em janeiro, mas essa não foi a primeira afirmação a dar errado

Durante anos o Corinthians mandou seus jogos no Parque São Jorge, no Estádio Alfredo Schürig, a Fazendinha. Com o passar do tempo e o crescimento gigantesco do clube, a nova casa passou a ser Pacaembu, chamado carinhosamente até hoje por parte da torcida corintiana como Saudosa Maloca, uma referência a composição de Adoniran Barbosa, e foi lá o palco de grande parte das conquistas do Timão.

Porém, com a aprovação da candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014, a possibilidade do Corinthians ter seu próprio estádio se abriu à frente da diretoria alvinegra, na época com Andrés Sanchez na presidência, e sonhando mais do que alto – e colocando futuramente os pés pelas mãos – o dirigente garantiu a construção, em três anos relembre:

— É o seguinte. Se a Fifa me der R$ 300 milhões, R$ 30 milhões por mês, ou me arrumar quem me dê esse dinheiro, eu faço estádio para a abertura da Copa. Faço tudo do jeitinho que eles querem, e olha só, dá tempo de construir para a Copa das Confederações, em 2013. Nosso estádio estará à disposição – disse Andrés na época ao Estadão.

Em setembro de 2010, quando o clube completou 100 anos, a diretoria alvinegra assinou o contrato com a Odebrecht, a construtora responsável por levantar o estádio do zero no terreno do famoso “Terrão”. O custo estimado na época girava em cerca de R$ 335 milhões, caso o valor extrapolasse – o que obviamente aconteceu – o Corinthians seria o responsável por complementar o valor, o anúncio oficial do clube mostrava naquela época, o que sabemos hoje, que era uma projeção animadora demais, já que Andrés afirmou que esperava que o estádio se pagasse em três anos:

— O estudo de demanda revela, que o estádio terá condições de se pagas em menos de três anos, já que a arrecadação total projetada será superior a R$ 100 milhões anuais. – projetou o presidente da época.

Neo Química Arena foi construída pensada para se pagar em apenas três anos (Foto: Agência Corinthians)

A proposta para a quitação dos valores junto a Caixa Econômica Federal

Dez anos depois o estádio não foi pago e o valor duplicou – R$ 600 milhões -, já que até só foram pagos apenas juros. No início de novembro de 2023, o Corinthians anunciou que estava em contato com a Caixa Econômica Federal para enviar uma proposta de quitação dos valores. Duílio Monteiro Alves viajou até Brasília, onde fica a sede do banco e se encontrou com o presidente da instituição para entregue em mãos a papelada que poderia ajudar o clube a se livrar um de um enorme problema.

A ideia do clube era cerca pagar cerca de R$ 531 milhões ao banco, R$ 300 milhões sairiam diretamente dos valores pagos pela Hypera Pharma (Neo Química) pelo naming rights do estádio, vendido em 2020, segundo o contrato assinado e válido até 2040, a empresa paga ao Corinthians R$ 15 milhões por temporada, sem contar os ajustes feitos no mercado, ou seja, nenhum valor cairia na conta do Timão e iriam direto para o banco.

O restante do valor o clube pagaria assumindo o pagamento de precatórios, basicamente o Corinthians assumiria dívidas de terceiros – com desconto- e ao pagá-las teria o valor abatido do valor da Neo Química Arena, a proposta parecia boa para os dois lados: O Timão se livraria de um problema e a Caixa finalmente receberia um valor que já era dado como perdido.

Em novembro de 2023 Duílio Monteiro Alves entregou proposta de quitação ao presidente da Caixa Econômica Federal (Foto: Corinthians)Na época em que foi divulgada a tentativa de negociação com o banco, o clube entrava no mês da eleição para presidência e conselho, e para muitos a proposta foi a última cartada do grupo Renovação e Transparência que estava no clube há 16 anos, de continuar no comando do Corinthians, já que o cenário político era completamente desfavorável a Andrés e cia, que na época de campanha chegou a dizer que em janeiro de 2024 a Neo Química Arena estaria quitada.

No mesmo dia que foi eleito, Augusto Melo disse que não acreditava em nenhum acordo entre o clube e a Caixa Econômica Federal, para ele foi mais uma tentativa de vencer o pleito:

— Perdi a eleição de 2020 por alguns votos depois que anunciaram a venda dos naming rights. Agora tentaram com a Caixa e sabíamos que era impossível. Fui chamado de Pinóquio e vamos provar quem é Pinóquio. Ele (Andrés Sanchez) disse que mudaria de nome se não quitasse a arena até o dia 31. Vocês têm que cobrá-lo sobre mudar de nome – disse Augusto Melo.

Com recusa da Caixa dívida pela arena ainda ocupará grande espaço nas contas do Corinthians

Nesta segunda-feira (11) a ESPN divulgou que a Caixa Econômica não aceitou a proposta enviada pelo Corinthians, e que o banco teria classificado as ideia do clube como inviáveis e o documento com a recusa foi enviado ao clube na última sexta-feira (09).

Segundo a reportagem, o banco justificou que o Corinthians não pode usar o dinheiro que recebe do naming rights porque eles pertencem ao fundo imobiliário da arena, o responsável pelo pagamento, e conforme a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os valores não podem ser usados para essa finalidade. Quanto a ideia dos precatórios, a Caixa Econômica Federal disse que os valores também não servem para a quitação do estádio.

O novo presidente do Corinthians já estava se programando para uma reunião com a diretoria do banco, agora coma recusa, Augsuto deve acelerar esse encontro para tentar achar um novo caminho para tentar livrar, mesmo que minimamente, o clube da sua maior dívida.

Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância, paixão que se tornou profissão. Além do futebol me mantenho por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhei como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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