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Diretoria do Corinthians desmente ‘climão’ com Fabinho Soldado – mas o que Augusto Melo fala, não se escreve

Fabinho Soldado chegou o Corinthians há 40 dias e desde então tem sido fundamental nas negociações com o mercado do futebol.

Quando foi eleito presidente do Corinthians, Augusto Melo garantiu que sua equipe seria composta por pessoas profissionalizadas. O foco era a contratação de um executivo de futebol, o que demorou bastante para acontecer, já que o ‘plano A' era Rodrigo Caetano, na época ainda no Atlético-MG. Sem outras opções imediatas, quem tomou à frente das negociações com o mercado de trabalho até o meio de janeiro foi o Rubão, diretor de futebol.

Assim que o presidente percebeu que seu início de gestão caminhava para uma crise mais que precoce, por conta dos erros cometidos com o Lucas Veríssimo, Matheus França, e as desastrosas tratativas com o Talleres por Rodrigo Garro, a solução foi buscar alguém no mercado. A escolha foi Fabinho Soldado, que ocupava um cargo também diretivo dentro no Flamengo.

Na sua entrevista de apresentação, o executivo falou sobre os motivos de ter aceitado a proposta do Timão e disse estar consciente dos desafios que encontraria durante o seu tempo de trabalho.

— A escolha pelo Corinthians foi muito assertiva, estou realizando um sonho. Eu venho de uma equipe que conseguiu grandes títulos, conquistas, mas o desejo de estar aqui e a possibilidade de construir uma nova história no Corinthians é muito maior do que isso. Não tenho dúvidas da escolha, vim para cá sabendo de todas as dificuldades. Vim sabendo de todas as responsabilidades e também vim sabendo o tamanho do clube. – revelou Fabinho Soldado.

Existe ou não um clima ruim para a continuidade do trabalho de Fabinho?

Nesta quinta-feira (29), o torcedor se deparou com a informação de que, em pouco mais de 40 dias, Fabinho já estaria com problemas no clube. O motivo seria sua postura ao tratar com os atletas e empresários dos jogadores, até mesmo os que o clube apenas monitora. De acordo com a informação publicada por Benjamin Back, o clima estaria ruim também com os diretores administrativos e jurídicos do Corinthians.

Segundo apurado pela reportagem da Trivela, as informações não procedem, pelo contrário, não existe nenhum tipo de clima desconfortável, e Fabinho tem total apoio e confiança para continuar trabalhando, principalmente por parte do presidente corintiano. Augusto Melo tem visto com bons olhos a gestão do executivo de futebol desde a sua chegada ao clube. Vale lembrar, porém, que diante das últimas experiências com os posicionamentos da atual diretoria, nada pode ser muito garantido, já que as coisas parecem não se manter por muito tempo.

Fabinho Soldado pode sair do Corinthians?

Tirar Fabinho Soldado agora seria um tiro no pé. Além do papel fundamental que ele tem exercido nas negociações feitas pelo clube no último mês, incluindo a chegada de António Oliveira, o Corinthians continua se movimentando para tentar a contratação de pelo menos mais dois jogadores, antes que a janela final de transferências se feche daqui em 07 de março.

Fabinho Soldado colocou “panos quentes” em crise precoce no Corinthians. (Foto: Agência Corinthians)

Nas coletivas de imprensa dos atletas recém-contratados, a forma com que Fabinho e os atletas se tratam transparece tranquilidade e intimidade. O atacante Pedro Henrique, por exemplo, chegou a dizer que não pode recusar um convite feito pelo executivo do futebol alvinegro, já que a amizade entre eles era antiga. Outro que citou o convívio foi o Matheus França, que estava no Flamengo, e fez questão de agradecer Fabinho por tomar a frente da negociação.

Fabinho no Corinthians ≠ Fabinho no Flamengo

É muito importante frisar, antes de qualquer coisa, que as funções entre Flamengo e Corinthians são muito diferentes. No Rubro-Negro, Fabinho, embora no departamento de futebol, lidava apenas com a parte administrativa do elenco. A responsabilidade era de comandar todas as funções no CT, como verificar as condições do elenco, gramado, etc.

Era seu papel dele estar a par de todas as necessidades dos atletas e membros da comissão técnica, a fim de deixar o ambiente do dia a dia do clube mais fluido. Em resumo, Soldado está acostumado com a parte burocrática deste trabalho.

— Eu tenho aqui no CT, tirando os atletas, 70 funcionários aqui dentro entre comissão técnica e o apoio para que esse prédio funcione. Tenho o dia a dia disso para que o treino aconteça, o campo esteja em boas condições e os horários sejam cumpridos. Então tenho todo esse gerenciamento. Essa parte um pouco mais administrativa é onde eu entro. Juan é na parte técnica, e eu bem mais na função administrativa — disse, em entrevista ao ge, em 2022.

Ele era visto como uma figura tranquila nos bastidores, com bom trato entre atletas e comissão técnica, fora o bom trânsito entre a alta cúpula da diretoria. Landim, Braz e companhia gostavam muito de Soldado, tanto que, em meio a despedida, o dirigente ganhou um vídeo especial do presidente. No Corinthians, Fabinho chegou com responsabilidade muito maior. A mudança brusca pode ter sido um dos fatores que atrapalharam sua adaptação, embora dê sinais de que pode dar conta do recado.

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Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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