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Entenda o que fez negociação entre Corinthians e Balotelli esfriar

Há divergências sobre a participação do diretor das categorias de base nas trativas e no modelo de negócio

A possível contratação do atacante Mario Balotelli, que era vista com muito otimismo no Corinthians nos últimos dias, esfriou nesta sexta-feira (12). E divergências relacionadas ao modus operandi dessa negociação foram fundamentais para que a situação desse um passo para trás no clube alvinegro. 

Entende-se internamente, inclusive por aliados de Augusto Melo na administração corintiana, que a condução do negócio deveria ter a participação do departamento de futebol profissional.

No entanto, Fabinho Soldado, que é o executivo da pasta, não se envolveu em momento sequer nas tratativas. A situação foi costurada por Claudinei Alves, diretor das categorias de base do Timão. 

Fabinho não mostrou grande incômodo pela ausência na negociação, por entender que mesmo sendo responsável pelas decisões do futebol profissional, ele está abaixo do presidente Augusto Melo, que deu ‘ok’ para o prosseguimento nas conversas com o italiano. 

Soldado, no entanto, não vê com bons olhos o negócio, já que ele seria uma contratação arriscada, elevando a média de idade do elenco e, sobretudo, podendo gerar problemas extracampo. 

Participação de Claudinei Alves na negociação do Corinthians com Balotelli também causou incômodo interno

Internamente, não ficou claro o motivo de o diretor das categorias de base corintiana estar à frente da negociação por Balotelli. 

Mesmo tendo sido Claudinei o responsável por levar o intermediário da negociação até Augusto Melo, entende-se que a manutenção dele nas tratativas é uma inversão do processo interno do clube alvinegro, abrindo um precedente perigoso para a condução de novos negócios. 

O presidente corintiano chegou a argumentar que a avaliação positiva do Cifut e do técnico Ramón Díaz representavam anuências importantes do departamento de futebol profissional, o que, mesmo assim, não mudou a divergência de pessoas importantes da diretoria corintiana.

Para eles, o correto seria que o diretor da base passar o nome para Augusto e Fabinho Soldado, depois se retirando de qualquer evolução, o que não aconteceu. 

Pelo contrário, Claudinei Alves deu uma entrevista ao portal Goal Brasil abrindo detalhes da negociação, como valores, tempo de contrato e exigências. 

— Ele [Balotelli] queria dois anos de contrato. A intenção é voltar à seleção italiana. Ele voltaria ao Brasil nessa expectativa. O Corinthians está disposto a dar dois anos de contrato. O presidente é quem está tocando essa conversa. Há dois empresários conversando sobre o assunto. Hoje, eu não falei com o Augusto, vou falar com ele mais tarde — disse Claudinei. 

Claudinei Alves e Augusto Melo  Corinthians
Claudinei Alves assumiu a direção das categorias de base do Corinthians no início deste ano (Foto: Reprodução/Instagram)

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Possível modelo de negócio para contratação de Balotelli também causa divergências no Corinthians

Com o aval do técnico Ramón Díaz, restava somente a autorização do departamento financeiro, liderado por Pedro Silveira, para que o Timão formalizasse uma proposta para o estafe de Balotelli. 

Desde o princípio, a possibilidade de um investidor entrar no negócio era real, mesmo sendo tratada como algo improvável no clube. Porém, uma das empresas no ramo de apostas esportivas que visa assumir o patrocínio máster corintiano se mostrou disposta a auxiliar nos pagamentos. 

A informação do interesse da casa de apostas em bancar Balotelli no Corinthians foi publicada inicialmente pelo ge e confirmada pela Trivela

A possibilidade de ter uma empresa de apostas bancando a aquisição do centroavante italiano enquanto o Timão não possui uma marca estampando a principal faixa do uniforme do clube foi também vista como um erro do processo. 

Entende-se que antes do clube fazer uma movimentação de mercado com impacto midiático, é importante haver peças que possam ser expostas, e o Timão possui a principal ativação vaga. Além disso, é imprescindível que alguns mecanismos-chave, como o compliance, sejam respeitados.

Balotelli custaria ao Corinthians 8 milhões de euros (R$ 47,43 milhões) em dois anos de contrato. 6 milhões de euros (R$ 35,57 milhões) referentes aos salários e 2 milhões de euros (R$ 11,86 milhões) por conta das luvas, premiação pela assinatura do contrato.

A segunda quantia seria diluída de forma parcelada durante a quitação dos vencimentos todos os meses. No total, o atacante receberia R$ 1,9 milhão por mês durante duas temporadas.

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue a São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília.

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