Corinthians de cinco marcos e tantas histórias que marcam muito mais do que 115 anos
No aniversário do Timão, a Trivela fez um tour pelos pontos mais corintianos de São Paulo e esbarrou com diversos tipos de histórias sobre o clube
A Fiel costuma dizer que o único defeito de São Paulo é não se chamar Corinthians. E não é para menos, o clube mais popular do Estado possui as suas referências a cada esquina.
Seja através de um símbolo pintado em um muro, em torcedores vestindo a camisa, posters pendurados em bares até aos pontos que marcam os 115 anos da história corintiana completados neste dia 1º de setembro.
Em comemoração ao aniversário do Timão, a Trivela rodou cinco marcos do Corinthians em São Paulo.
E além de visitar esses locais, também conhecemos histórias de amor incríveis de fieis torcedores e o clube alvinegro.
Do peruano que virou corintiano ao casal que ficou grávido graças a um título do Corinthians.
Marco de fundação hoje é ponto de encontro para dança boliviana
Véspera do aniversário de 115 anos do Corinthians, o dia 31 de agosto trazia consigo a aura especial de um domingo de Dérbi.
Em um ano de 2025 em que foi campeão paulista e se classificou às quartas de final da Copa do Brasil sobre o Palmeiras, o clube alvinegro disputava o clássico de maior rivalidade de São Paulo pela última vez na temporada.
Pela manhã, a esquina de fundação do Corinthians, no bairro do Bom Retiro, zona central de São Paulo, estava vazia.
A movimentação entre as ruas Cônego Martins e José Paulino era pequena, à exceção de dois jovens bolivianos dançando.
Aos poucos, outros bolivianos chegaram. Também garotos. Alguns acompanhados dos responsáveis. Alguns mais velhos.
A reportagem da Trivela se aproximou de um desses senhores, chamado Jorge.
Boliviano, ele mora no Brasil há quatro décadas e é presidente da única fraternidade de São Paulo para a prática de caporales, dança típica da Bolívia.
O grupo se reúne semanalmente na rua em que o Corinthians foi fundado para ensaiar. A escolha pelo local é meramente logística.

Quando foi informado sobre o motivo da nossa presença ao local, Jorge destrinchou sobre a importância histórica daquela esquina para o futebol brasileiro.
No entanto, ele nos pegou de surpresa ao dizer que não é corintiano.
Jorge afirmou que atua como árbitro amador, é torcedor do Bolívar, na Bolívia, mas no Brasil é adepto da equipe que apresenta o futebol mais vistoso em cada momento. Por isso, inclusive, o boliviano ressaltou que é um grande fã do Rei Pelé.
Devido a ausência de movimentação, a reportagem permaneceu por cerca de meia-hora na esquina entre as ruas Cônego Martins e José Paulino.
O tempo foi suficiente para que dentre as poucas pessoas que transitavam pelo local, uma delas estivesse vestida com a camisa do Corinthians.
Dois homens descarregaram um caminhão de pequeno porte em uma loja de roupas que não estava em atendimento. Um deles levava consigo o manto corintiano.
Poucos metros depois, um carro estacionado tinha colado um adesivo com o símbolo do clube alvinegro.
São mostras de que mesmo com um fluxo pequeno de pessoas, o bairro em que o Corinthians nasceu é até hoje é um antro corintiano no mundo.
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Primeiro estádio virou complexo esportivo e não tem referências ao Corinthians
O Estádio da Ponte Grande, que em 1916 foi adquirido pelo Corinthians para ser a primeira casa do clube, hoje abriga o Centro Esportivo e de Lazer Tietê, que fica às margens do rio e da marginal com o mesmo nome.
O local ficava entre a Associação Atlética das Palmeiras e o Clube de Regatas Tietê, que futuramente incorporou o local do estádio em seu complexo.
O Timão mandou os seus jogos na Ponte Grande a partir da conclusão das obras, em 1918, até 1927, quando o então presidente Ernesto Cassano adquiriu o Parque São Jorge.
O estádio foi, então, vendido para a Associação Atlética São Bento, que permaneceu por lá até 1935.
Em 1936, o Clube de Regatas Tietê incorporou o local e construiu algumas quadras de tênis no lugar onde ficava a casa corintiana.
Foi lá que a tenista Maria Esther Bueno, uma das maiores atletas brasileiras, deu os seus primeiros passos no esporte.

Hoje, o local é um complexo esportivo que, além das quadras de tênis, possui campos de futebol, um ginásio, pista de atletismo, entre outros.
Há uma série de referências ao Clube de Regatas Tietê e até um busto em homenagem aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932. No entanto, não há uma menção sequer ao Corinthians. Nem mesmo nos pontos onde o estádio ficava situado.
Durante a visita, a reportagem viu duas pessoas com a camisa corintiana e uma com um bone, esta jogava tênis justamente no local que um dia foi o campo de jogo do clube,
É possível que eles sequer saibam que o lugar em que estavam foi a primeira casa do Corinthians em 115 anos de história.
Parque São Jorge movimentado em dia de Dérbi
Era domingo de Dérbi, e o Parque São Jorge estava cheio. A 12 quilômetros de distência, na Neo Química Arena, o Corinthians enfrentaria o maior rival pelo Campeonato Brasileiro.
A reportagem da Trivela foi à sede social do Timão por volta das 14h (horário de Brasília), quatro horas e meia antes da partida contra o Palmeiras, e viu uma movimentação intensa no local.
Sem acesso à parte interna, a observação ficou limitada à fachada, a uma conveniência localizada ao lado do clube e ao hall de entrada. Lá já foi possível ver a quantidade de pessoas que aproveitava um domingo de sol no Parque.
Além do estádio Alfredo Schurig, a popular Fazendinha, e o Ginásio Wlamir Marques, o Parque São Jorge também abriga o Memorial do Corinthians.
Foi o programa de pai e filho feito por Maycon e Matheus.
– A minha paixão é de sangue. Corintiano desde a nascença, e com ele (Matheus) não foi diferente. Desde a maternidade já comprava as roupinhas do Corinthians. A mãe corintiana, a família toda também, o que facilita e ajuda bastante. Ele (Matheus) nasceu com essa paixão hereditária, de pai para filho – disse Maycon.
– Ele (Maycon) foi essencial na minha escolha e me permitiu ser torcedor desse clube – afirmou Matheus.
Saudosa Maloca de muitas histórias e conexão internacional
Com o Pacaembu passado à iniciativa privada, nem mesmo o lema de que ele é meu, seu e nosso é assim tão válido.
Mas considerando o tempo em que ele era próprio da municipalidade paulistana, o local sempre foi muito mais do Corinthians do que dos outros clubes.
Foram oito títulos conquistados pelo Timão na saudosa maloca, entre eles a histórica Libertadores em 2012. Conquista inédita e até hoje única na história corintiana.
Essa conexão continental virou raiz até para aqueles que chegaram ao Brasil após o Corinthians libertar a América.

Em 2015, o peruano Roni chegou ao Brasil. Ali, a Neo Química Arena já havia sido construída. E foi a atual residência corintiana o primeiro estádio que ele conheceu no país que o abriga até hoje.
– O que mais me apaixonou pelo Corinthians foi o primeiro estádio que eu fui, foi a Arena Corinthians. Me apaixonei pela torcida, pelo clima no estádio, raça do time. Estamos há 10 anos como corintiano – disse à reportagem.
Torcedor do Alianza Lima, no Peru, Roni hoje se mostra mais corintiano do que adepto ao clube do país em que nasceu.
– O coração fica dividido. Mas eu torceria pelo Corinthians, já que eu moro aqui faz tanto tempo. Minha opção é o Corinthians – revelou o peruano.
Paixão que é histórica para o metalúrgico William, de 52 anos, e uma vida de histórias no Pacaembu.
– Aqui sempre foi a casa do Corinthians e nunca vai deixar de ser, com muita paixão e emoção. Me arrepia entrar aqui e ver esse solo sagrado que a gente já ganhou muitos títulos. Não tem o que falar, os olhos enchem de lágrimas ao lembrar das histórias que tivemos aqui, das derrotas, mas sempre fiel ao Coringão e à história do Corinthians – destacou William.
A história segue…
Se há uma coisa que o Corinthians conecta são as histórias.
Entre elas a da Gabi e o Emerson.
Foi ela que o levou ele ao estádio pela primeira vez. E o pedido de namoro, tempos depois, também foi na Neo Química Arena.
– Eu que levei ele para o estádio pela primeira vez. A gente começou a namorar, no primeiro Dia dos Namorados juntos eu comprei um par de ingressos para o jogo contra o Vitória e ele foi e me deu uma aliança de namoro aqui na Arena – relembrou Gabi.
– E o pior que eu estava esperando sair o gol do Corinthians e não saía. E entreguei a aliança antes do apito final. E o jogo foi 0 a 0. Esse jogo foi osso – contou Emerson.
E o Corinthians também impactou no futuro da Ana Clara.
A filha que o casal está esperando é fruto de uma promessa pelo título paulista conquistado pelo Corinthians em 2025.
– O Corinthians é a minha vida, porque representa a gente. Ela (Ana Clara) foi uma promessa para o Corinthians de ser campeão paulista esse ano – disse Emerson.
– Ele (Emerson) falou que se a gente fosse campeão em cima do Palmeiras a gente ia planejar o nosso filho. A gente sempre quis uma menina e além de gerar a nossa menina ela veio aqui no Dérbi com a gente – concluiu Gabi.
E a cada capítulo e conexão, se escreve a história que faz do Corinthians o Time do Povo há 115 anos.
Ainda que muitas vezes combalido, o Timão é o marco e a marca do futebol não só em São Paulo, mas no mundo inteiro.
Do Bom Retiro à Itaquera, do Tietê ao Tatuapé, o Corinthians Grande, sempre altaneiro, é do Brasil o clube mais brasileiro.



