Brasil

Como a Copinha usou transmissões gratuitas para manter relevância em um janeiro cheio de futebol

Competição foi exibida por Record, Record News, Xsports e CazéTV em um calendário repleto de opções com estaduais

A edição de 2026 da Copinha começou com um desafio ainda maior que nos anos anteriores: manter relevância e buscar a atenção do público em uma temporada de calendário diferente que antecipou o início do futebol profissional e fez a disputa dos jogos da base dividir atenção com os times principais desde a primeira semana do ano.

O cenário ficou ainda pior quando o Flamengo, time de maior torcida do Brasil, decidiu não disputar a Copinha, competição da qual já foi campeão por quatro vezes, a última delas em 2018, por priorizar o uso do time sub-20 nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca, iniciado no dia 11 de janeiro. 

Outro fator era a saída da Globo, que não exibiu o torneio em suas plataformas, nem mesmo no sportv. Tradicionalmente, a final era transmitida pelo menos para os estados dos times envolvidos na decisão pela TV Globo, o maior canal do país em audiência. 

A estratégia da FPF (Federação Paulista de Futebol) e da LiveMode, empresa que comercializa a competição, foi apostar em transmissões 100% gratuitas, tanto na TV linear quanto na internet. 

A Record levou os direitos de TV aberta e inovou ao fazer divisão de praças em jogos da fase de grupos, prática comum na Globo com o futebol profissional, mas rara na Copinha. Usou a Record News, o R7 e o RecordPlus, esses últimos em parceria com o Desimpedidos, para mais formas de transmissões abertas. 

Mas a maior oferta de jogos na TV aberta veio com a Xsports, canal esportivo lançado pela Kalunga em agosto do ano passado, que também levou os direitos para o YouTube, e ainda criou um programa especial para a cobertura do campeonato, a “Central da Copinha”. 

No YouTube, a CazéTV, da LiveMode, mais uma vez transmitiu a competição com uma oferta ampla de jogos exclusivos, alternando as escolhas com a Xsports nos principais duelos do mata-mata e da fase de grupos. As partidas que não entrassem em algum dos dois canais estavam disponíveis na Ulisses TV, canal do narrador Ulisses Costa, e no canal Paulistão, da FPF. Ou seja, 100% da competição estava livre de assinatura.

Durante décadas, o sportv levou para a TV por assinatura um pacote de partidas que só eram vistas por clientes de operadoras ou de streamings pagos que carregavam o canal esportivo da Globo. Em 2026, com a saída da empresa, nem fazia sentido obrigar o torcedor a pagar por jogos da competição de base enquanto os estaduais já começavam e o início do Brasileirão se aproximava. 

Números de audiência da Copinha na TV aberta impressionam

Os resultados foram relevantes. De acordo com dados obtidos pela coluna, a CazéTV alcançou mais de 12,5 milhões de espectadores únicos ao longo da Copinha, sendo 2,6 milhões de pessoas diferentes na final vencida pelo Cruzeiro contra o São Paulo. 

A Record teve média de 7 milhões de espectadores por minuto na final em todo o país, alcançando a liderança de audiência em Belo Horizonte por 54 minutos durante a vitória cruzeirense. A emissora marcou 6,3 pontos de média em BH, de acordo com dados consolidados da Kantar Ibope Media.

Em SP, o canal registrou média de 4,9 pontos e pico de 6,9. O resultado garantiu a vice-liderança na audiência. Como era previsível, o desempenho foi inferior ao da última edição com TV Globo, em 2025, quando a final foi um clássico paulista entre São Paulo e Corinthians e alcançou média de 12 pontos de audiência. Por outro lado, a Copinha ganhou transmissões aos domingos desde a primeira fase na Record, algo que não havia na Globo. 

Mas o principal destaque, sem dúvida alguma, foi a Xsports. Foi a cobertura mais completa, que contou com nomes como Milton Leite, Mauro Beting, Marcelo do Ó, e os mais novos Zé Neto, Mário Melo, entre outros nas narrações, comentários e reportagens. 

Na TV aberta, a Xsports alcançou 10,2 milhões de espectadores únicos ao longo da Copinha, além de outros 8,5 milhões no canal do YouTube. A competição fez a emissora alcançar constantemente o quarto lugar na audiência de TV aberta em São Paulo. 

O jogo entre Palmeiras e Vitória, no mata-mata, que teve disputa de pênaltis, fez a emissora ultrapassar até o SBT na audiência por quase 10 minutos, ficando atrás apenas de Globo e Record em SP. A emissora chegou a pico de 2,5 pontos no Ibope, um feito impressionante para um canal na faixa numérica do antigo UHF. São Paulo x Botafogo, também nos mata-matas, atingiu 2 pontos de pico e superou a Band. 

Palmeiras e Vitória foi um dos destques do novo modelo de transmissão da Copinha (Foto: Theo Daolio/Mochila Press/Gazeta Press)
Palmeiras e Vitória foi um dos destques do novo modelo de transmissão da Copinha (Foto: Theo Daolio/Mochila Press/Gazeta Press)

No YouTube, a Xsports tinha um canal ainda tímido até o fim de 2025, mas as transmissões da Copinha fizeram a base de inscritos saltar de 120 mil para 724 mil ao fim da competição, crescimento superior a 500%. 

— Os números da Copinha Sil 2026 refletem a força e a relevância da competição. Um crescimento superior a 40% em visualizações em relação a 2025 mostra que estamos falando de um produto cada vez mais consolidado, que gera interesse do público, entrega resultado para os detentores de mídia e oferece um ambiente extremamente atrativo para os patrocinadores — disse Bernardo Itri, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, em nota enviada à coluna.

Assim como vários estaduais estão fazendo, a receita era simples: o fã mais assíduo de futebol não aguenta mais pagar tanto streaming e TV por assinatura, mas ainda gosta de ver um jogo disponível a qualquer momento e em qualquer plataforma aberta. Mesmo em um ano cheio no calendário profissional e com um torneio afetado pelo uso de atletas da base nos times principais em partidas competindo por atenção e interesse na TV e internet.

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Foto de Allan Simon

Allan SimonColaborador

Jornalista e criador de conteúdo. Canal de mídia esportiva no YouTube com +164 mil inscritos, e de história do futebol com +25 mil

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